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Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2022


Campus

No centro da roda, a capoeira

Thais Padua - Do Portal

19/11/2008

O Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, lembra a morte de Zumbi dos Palmares em 1695. Ele é o símbolo da luta libertadora para os mais de dois milhões de negros trazidos da África como escravos e seus descendentes. A profª Ivana Stolze, do Dep. de História da PUC-Rio e da Fundação Casa Rui Barbosa, ressalta a importância da data:

- Além do problema da pobreza, há o problema do preconceito, que está associado. Essa questão específica tem que ser levada em conta para pensar o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil. E o Dia da Consciência Negra contribui para isso, dando reconhecimento e possibilidade de dialogar o tema.

Contra a violência e a repressão dos senhores de engenho, os escravos desenvolveram a capoeira, uma arte marcial disfarçada de dança. Os movimentos da luta foram sendo adaptados aos ritmos de origem africana para não levantar suspeitas. De acordo com a professora, a capoeira foi um instrumento importante da resistência cultural e física dos escravos brasileiros:
- A capoeira não é exatamente uma dança e não nasceu como um esporte, ela é muito mais uma luta, que oferecia a possibilidade de ter um grupo, uma sociabilidade. Não é uma coisa que vem da África já pronta, a história da capoeira tem muito a ver com a história dos escravos no Brasil, com a nova situação de vida que eles tiveram que enfrentar.

Durante décadas, jogar capoeira foi proibido no Brasil, mas isso não impediu que a arte fosse transmitida, de geração a geração. A prática só foi liberada pelo presidente Getúlio Vargas, em meados dos anos 30. Presente na vida de muitos brasileiros, a capoeira foi reconhecida no dia 15 de julho de 2008, como Patrimônio Cultural, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O registro de patrimônio imaterial – a 14ª expressão artística do Brasil - permite que ela seja preservada como manifestação cultural.

- Temos marcas indígenas, religiosas, assim como a marca afro, que deixou grandes contribuições, entre elas, o samba e a capoeira. Esse reconhecimento tem a chance de pagar uma dívida social e histórica, já que assim como as religiões de origem africana, a capoeira passou por um processo de perseguições, lembra o prof. Adair Rocha, representante do Ministério da Cultura, no Rio de Janeiro.

Uma iniciativa da PUC-Rio oferece a crianças e jovens de comunidades carentes a possibilidade de inserção social através da capoeira. Há 15 anos, um funcionário do Dep.de Engenharia participa do Projeto Vencer que através de esporte, cultura e educação, busca reduzir os efeitos da pobreza nesses locais. Para saber mais sobre esse projeto, assista ao vídeo ‘Ao som do berimbau, todos entram na roda’.