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Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2022


Campus

A busca do olhar autêntico no jornalismo

Olívia Haiad - Do Portal

26/01/2009

“Somos contadores de histórias”, lembrou Régis Rösing aos futuros profissionais, no curso de telejornalismo do Globo Universidade, em parceria com a PUC-Rio. Com a peculiar espontaneidade, o repórter acrescentou, às orientações técnicas, dicas para equilibrar informação, imagem, emoção.

– Nascemos contadores de histórias. O que procuro fazer é contá-las em diferentes níveis, com minha maneira de pensar – observou.

A busca de uma forma autêntica de abordar um assunto, e assim torná-lo mais atraente e acessível, deve orientar o trabalho jornalístico, ressaltou o especialista. Para ilustrar a recomendação, ele recorreu ao futebol. Segundo ele, é importante que o repórter conte uma história além dos gols, algo que “interesse também a mulheres, crianças, não só aos homens”.

– Esse olhar diferenciado é essencial. No entanto, não deve comprometer o equilíbrio jornalístico – ressalvou.

Refletida nas reportagens, a criatividade de Régis foi cultivada também em outras áreas. Integrante de uma família pobre, começou cedo a ganhar a vida. Trabalhou em supermercados e como engraxate. Aos 14 anos, foi sonoplasta a equipe da Rádio Cachoeira – de sua cidade natal, Cachoeiras do Sul (RS). Virou apresentador de esportes no RSTV, quando a carreira começou a deslanchar.

– Temos de correr atrás (dos sonhos), porque a sorte e acaso só acontecem quando agimos – lembrou aos jovens.

Conhecido como “repórter vidente”, por fazer matérias narradas ao vivo no momento do gol, Régis contou seu segredo:

– É simples: narro todos os ataques.

Com abordagem sensível e, ao mesmo tempo, divertida do esporte, reportagem sobre um time de brasileiros deficientes físicos traduziu a orientação para “seguir seus corações e princípios na prática da profissão”. Os alunos se emocionaram.

– No esporte, o mais importante não é quem ganha ou perde, e sim a luta em si pela vitória – observou.

Um dos planos mais ambiciosos do jornalista nada tem a ver, no entanto, com esporte. Ele contou que pretende fazer um documentário sobre homens-bomba no Oriente Médio. Pois, além de criatividade, o profissional deve ser versátil.