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Rio de Janeiro, 24 de setembro de 2022


Cultura

União entre a arte e o saber

Viviane da Costa - Do Portal

30/10/2008

Um brasileiro solitário em Nova York reflete sobre as relações humanas e a solidão. Esse é o ponto de partida de “Days of wine and roses”, conto de Silviano Santiago. O texto do escritor mineiro foi lido e analisado no segundo dia do espetáculo “Contos em quatro tempos”. Idealizado pela professora da PUC-Rio, Clarisse Fukelman, o projeto, realizado no Espaço SESC de Copacabana, tem como palavra de ordem a mistura.

- São quatro gerações de atores lendo ao mesmo tempo, quatro gerações de contistas e quatro gerações de intérpretes. Há uma dimensão humana que não envelhece, é a dimensão do saber, do conhecimento, da sensibilidade, e isso está na arte. É a capacidade que a arte nos permite de transcender esses limites temporais – explica Clarisse.

Para interpretar o papel principal de “Days of wine and roses”, uma pequena licença poética. A atriz Carolina Portes subiu ao palco e deu vida a um personagem que, mesmo sem nome, é do sexo masculino.

– Ser uma mulher lendo um personagem masculino, sentimentalmente, fica mais próximo. Tanto que eu me reconheci muito. Eu acho as relações são femininas, por isso essa opção de ser uma atriz, não um ator – justifica Carolina.

Após a leitura dramatizada, o também professor da PUC, Sergio Mota, entrou em cena. Em sua análise, ele destacou a importância do cenário criado por Silviano para reforçar a solidão na qual está imerso o personagem principal. Para Sergio, a solidão é uma forma de representação das relações na sociedade contemporânea.

- É um conto que trabalha o tempo inteiro com uma atmosfera de solidão, de incomunicabilidade. Tem uma dificuldade entre as pessoas. Mesmo com muita gente, mesmo com multidão, você está meio incomunicável – diz ele.

No conto, o autor usa uma forma de narrativa que confunde o leitor e ao mesmo tempo o aproxima da situação vivida pelo protagonista. Segundo Sergio, o uso intercalado da segunda e da terceira pessoa pode ser entendido como uma auto-análise feita por Silviano, o que reforça a contemporaneidade da obra.

- É um texto que trabalha com uma experimentação radical da figura do narrador. Se você lê o conto em voz alta, e eu acho que o próprio evento já dá um pouco essa dimensão, fica fácil de perceber essa questão de voltar-se pra si mesmo pra tentar entender o próprio percurso, a própria solidão, conclui.