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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2022


Cidade

Paes: desafio de converter a união em benefícios

Artur Romeu - Do Portal

27/10/2008

Com apenas 55.225 mil votos de vantagem, menos do que a lotação do Maracanã, por exemplo, Eduardo Paes foi eleito na disputa mais acirrada da história carioca. Ficou com 50,87% dos votos, contra 49,13% de Fernando Gabeira. A união entre os governos municipal, estadual e federal – principal bandeira da campanha de Paes – pode ter decidido as eleições no Rio, mas o novo prefeito terá de unir a cidade partida. Outro desafio, avalia o cientista político César Romero Jacob, é converter em benefícios afinação política pregado nos palanques.

- Desde a década de 1970, com Ernesto Geisel, Faria Lima e Israel Klabin, o Rio não tinha um alinhamento político assim. Se bem que agora o alinhamento veio das urnas - ressalvou o professor da PUC-Rio - Vamos ver se o discurso de união vai se concretizar.

Outra particularidade histórica extraída das urnas remete, segundo César Romero Jacob, à saída da "família Brizola" do poder:

- Desde 1982, quando Brizola assumiu, o Rio foi comandado pro brizolistas ou, como costumo dizer, pela "família brizolista" em litígio, da qual fazem parte, por exemplo, Marcelo Alencar, Cesar Maia e Garotinho.   

A vitória de Paes confirmou a divisão apontada pelas pesquisas. Na Zona Sul, Gabeira contou com a preferência de 413.913 mil eleitores, 70,88% dos votos. O candidato verde também venceu no Centro e na Zona Norte, com 56,60% e 61,61%. No entanto, Paes foi absoluto nas áreas de maior peso eleitoral da cidade. Na Zona Oeste, foi preferido por 901.459 mil eleitores, 57,26% dos votos; e no subúrbio, que conta com um eleitorado perto de três vezes superior ao da Zona Sul, com 54,84% dos votos.

Na PUC-Rio, onde a maioria dos estudantes era a favor de Gabeira, segundo pesquisa do Departamento de Sociologia e Política, a segunda-feira amanheceu sob clima de lamentos. No elevador do Edifício Kennedy, dois jovens comentavam inconformados os resultados das eleições. Eles botavam a culpa da derrota do candidato verde no feriado (Dia do Servidor Público, antecipado pelo governador Sérgio Cabral, principal articulador da candidatura do peemedebista) e numa campanha “suja” de Paes. Estudante de Comunicação, Maria Luíza Lastres votou em Gabeira e lamentou que o candidato “morreu na praia”.

– As eleições foram muito disputadas. Não sei se o Gabeira iria mudar a realidade do Rio, mas acho que seria melhor do que o Paes. Agora é esperar para ver.