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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2024


Campus

Edney: "Dizer que cultura não dá ibope é um mito"

Maria Eduarda Parahyba - Do Portal

22/10/2008

Cultura dá ibope. A afirmação de Edney Silvestre vai de encontro ao equívoco, segundo ele ainda comum, de que reportagens culturais rendem menos audiência. Para sustentar o ponto de vista, o repórter da Rede Globo lembrou, no curso de telejornalismo do Globo Universidade, em parceria com a PUC-Rio, uma série de reportagens especiais para o Jornal da Globo:

– A idéia era mostrar pessoas interessantes que estavam fora dos holofotes – explicou – O primeiro seria Saramago (o escritor José Saramago, Nobel de literatura em 1998). Mostraríamos como ele vive, numa ilha, contar sua história, e não repetir seu currículo. Iríamos atrás de uma boa história. Foi uma produção cara, mas o resultado compensou. Rendeu três matérias de oito minutos, o que em televisão é muito tempo. Aumentaram a audiência do jornal. Dizer que cultura não dá ibope é um mito.

Edney ressaltou aos estudantes a importância de mostrar conteúdo de qualidade, inclusive cultural, para a massa de telespectadores:

– O ideal é a gente poder apresentar cultura em horários próximos daquelas pessoas que vão dormir às dez da noite. Apresentar de forma aprazível. Porque cultura não pode ser chata, não deve ser chata, cultura não é chata.

Edney lembrou também o peso da narrativa para a comunicação na tevê. Segundo ele, autenticidade é a receita do sucesso:

 – Você deve ser na TV aquilo que você é. Se tentar ser outra coisa, vai soar artificial ao telespectador. A televisão tem essa revelação da verdade: mesmo que você não queira, ela aparece. Ninguém se torna uma estrela se não passa verdade.

Outra recomendação básica para o êxito profissional é, de acordo com o ex-correspondente da Globo nos Estados Unidos, o compromisso austero com a informação:

– Saibam sobre o entrevistado mais do que qualquer outra pessoa. E anotem tudo. Há coisas que se perdem – ensinou aos estudantes – Tem mais: usem sapatos confortáveis.

Apresentador do Espaço Aberto – Literatura, no canal a cabo GloboNews, Edney Silvestre considera boas leituras tão essenciais ao rendimento profissional quando a formação técnica e o treino:

– É importante reservar um tempo para ler. Recomendo Roliúde, de Homero Fonseca. Um livro divertidíssimo. Ele levou seis anos escrevendo. Usa a linguagem oral do povo nordestino dos anos 40. Para Edney, o jornalista tem de conciliar a bagagem intelectual com a perspicácia obrigatória ao repórter. Deve estar atento aos bastidores. “Eu conseguiu o telefone de Norman Mailer com um desafeto do escritor”, lembrou.