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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2022


Cidade

Trânsito desafia os motoristas na Rua das Laranjeiras

Paula Daibert - Da sala de aula

16/01/2009

 Paula Daibert

São 24 mil veículos por dia passando pela Rua das Laranjeiras em horários de pico, de 7h às 10h e de 17h às 20h, de acordo a CET-Rio. Combinado com os pontos de ônibus mal planejados, o intenso fluxo faz dos engarramentos uma rorina naquele corredor entre os túneis Santa Bárbara e Rebouças, principais vias de ligação entre a Zona Norte e a Zona Sul.

Segundo o gerente de Informações de Tráfego da CET-Rio, Alexandre Sansão, um carro leva de seis a oito minutos, em horário de pico, para cruzar os 2,1 quilômetros da rua, entre o Largo do Machado até a Rua Rumânia. A estimativa oficial causa espanto em Ezequiel Idasilva, taxista há 26 anos no bairro. Com a autoridade de quem faz este percurso diariamente nas horas de grande movimento, Ezequiel tem um cálculo mais austero: “Demora uma meia hora para cruzar a rua toda”.

Para o engenheiro Oswaldo Alvim, que toma o ônibus de integração entre a estação Largo do Machado e a Rua General Glicério para voltar do trabalho, caminhar, às vezes, é a melhor solução. “Há dias em que, andando, levo o mesmo tempo do ônibus, por causa do engarrafamento”, afirma.

André Lisboa, motorista do ônibus de integração entre a estação de metrô Largo do Machado e o Cosme Velho, acrescenta: quando há uma dificuldade extra, o trânsito fica parado. “Se cai alguma árvore ou acontece algum acidente, aí para tudo. Não existe outra opção se para chegar no Cosme Velho daqui que não seja a Rua das Laranjeiras”, completa.

De acordo com o Coordenador Regional da CET-Rio, Pedro Paulo Pereira, o veto à circulação de caminhões na via em horário de pico ajuda a reduzir o problema em curto prazo. Ele reconhece, no entanto, que a Rua das Laranjeiras opera com a capacidade máxima no horário. Para Pereira, o grande movimento gerado pelos vários colégios da rua prejudica ainda mais a fluidez.

Já o engenheiro de tráfego Carlos Stein aponta o ponto de ônibus em frente ao Hospital de Cardiologia, próximo à Rua Sebastião de Lacerda, como uma das principais causas dos congestionamentos. “É grande o número de passageiros que esperam condução neste ponto. Se ficasse depois do sinal da Rua Alice (sentido Cosme Velho-Largo do Machado), onde a largura da rua é bem maior, poderiam ser feitas três faixas de rolamento, o que amenizaria o problema”, propõe.

Na opinião de Marcus Vinícius Seixas, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Laranjeiras (AMAL), o posicionamento de guardas municipais nos principais cruzamentos e o combate ao estacionamento ilegal ajudariam a melhorar o trânsito. O escoamento do tráfego, afirmam especialistas, exige uma série de medidas conjugadas.

Uma dessas medidas, já adotada sistematicamente por moradores, é o uso de transportes alternativos, como a bicicleta. Parte dos cicilistas urbanos começou a adotar as duas rodas estimulada pelo aumento do número de bicicletários, como os das estações Cantagalo e Pavuna: quem chega de bicicleta ao metrô pode guardá-la na estação, sem custo adicional. Há previsão de que o sistema seja implantado em todas as estações.

 Para Eduardo Bernhardt, conselheiro da ONG Transporte Ativo, que incentiva o uso da bicicleta como meio de transporte, a aplicação do projeto na Estação Largo do Machado tornaria menos pesado o trânsito na Rua das Laranjeiras. "As bicicletas são muito úteis em currtas distâncias", argumenta.

Bernhardt ressalta três benefícios da integração bicicleta-metrô: economia, saúde ambiental e condicionamento físico. Para o especialista, desenvolvimento urbano não significa a utilização de avançados recursos tecnológicos ou projeto caros. "Basta conhecer e incentivar as boas práticas já comprovadas em outras cidades do Brasil e do mundo, como o uso da bicicleta na cidade," reitera.