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Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2022


Cidade

Estacionamento preocupa trabalhadores da Gávea

Gabriela Pacheco - Da sala de aula

12/01/2009

 Gabriela Pacheco

As preocupações de porteiros, vendedores, seguranças, empregadas e outros profissionais que prestam serviço aos mais de 17.475 habitantes da Gávea vão além da especulação imobiliária   e do crescimento populacional do bairro (1,4% ao ano), revela pesquisa do Instituto Pereira Passos (IPP). O tráfego de veículos e o sistema de transporte respondem por boa parte das reclamações. 

 Há nove anos, Manuel da Silva, morador de Vilar do Telles, em São João de Meriti, trabalha na portaria de um prédio na principal rua da Gávea, a Marquês de São Vicente. Segundo ele,  um dos problemas crônicos do bairro é o estacionamento:

– Além do Shopping da Gávea, não há muita opção de estacionamento, já que existem poucas vagas na rua. Preciso ficar atento, porque tem sempre alguém querendo parar na porta da garagem do edifício. Outro problema é o sistema de transporte público. Na volta para casa, em torno das 19h, já esperei ônibus por uma hora.

Na Rua Marquês de São Vicente, também trabalha a professora Izabel Lima Costa. “Pego um trânsito horrível, no caminho da minha casa, em Vila Isabel, para a Gávea, e ainda preciso perder mais tempo procurando uma vaga”, reclama Izabel.

Durante as entregas, de bicicleta, dos produtos de uma farmácia local, Patrick Ferreira concluiu que é necessária uma melhor sinalização, principalmente próximo à Praça Santos Dummont. “Já presenciei acidentes e atropelamentos que talvez tivessem sido evitados se a sinalização fosse adequada”, observa o entregador.

Já o segurança Paulo Roberto Nascimento, que gasta R$ 11 por dia com passagem, gostaria de mais opções de supermercado na região. Ele observa que, por outro lado, o segmento de proteção privada cresce no bairro. Na Rua Professor Manuel Ferreira, moradores se uniram para a contratação de segurança privada. Silvia Maria Henriques de Araújo conta que a taxa já faz parte do condomínio onde mora há oito anos, desde que veio da Bahia para o Rio. Ela escolheu a Gávea pela proximidade de boas escolas para a filha e, principalmente, pela perspectiva de maior segurança da família.

– Naquele pedacinho da minha rua, estou no paraíso, sem preocupação alguma. O problema é que não posso viver só naquele espaço. Gosto de caminhadas e lembro que, assim que cheguei ao bairro, ia andar no Parque da Cidade. Agora não me sinto mais à vontade – lamenta Silvia.

Para o jornaleiro Mauro Esperanza, há 31 anos na banca da Praça Santos Dummont, segurança é, tradicionalmente, um ponto forte da Gávea:

– O número de moradores de rua que ficava andando pelo bairro diminuiu. Nunca fui assaltado por aqui ou me senti inseguro. Por isso, pretendo continuar trabalhando aqui até minha aposentadoria. O melhor é a simpatia dos moradores. 

A empregada Vilma Márcia Braziel de Mello discorda, em parte. Ela acredita que alguns moradores "mascaram um preconceito contra os que vêm de fora".

– No subúrbio, o preconceito é mostrado de forma mais aberta, enquanto aqui é às escondidas.