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Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2022


Cidade

Roubo de carro preocupa morador de Botafogo

Raquel Honorato - Da sala de aula

03/02/2009

 Raquel Honorato

O aumento dos casos de roubo e furto de veículos em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, preocupa moradores da região. Segundo a 10ª Delegacia de Polícia, o bairro registrou, só entre agosto e setembro do ano passado, 36 casos de furto e 20 de roubo. Bernardo Arbex entrou para essa estatística ao ter seu Fiat Palio roubado em frente ao Big Ben, na Muniz Barreto. O estudante de 21 anos parou o carro na rua por não haver estacionamento próximo. Ao sair do veículo, foi abordado por dois homens que se diziam armados e entregou o automóvel, a carteira e outros pertences.

De acordo com o delegado Eduardo Baptista, da 10ª DP, muitas vezes um suposto guardador de carros ajuda o ladrão a furtar e depois recebe uma "comissão". As vítimas deste crime devem registrá-lo na delegacia mais próxima. Baptista esclarece que há uma distinção básica de registro:

- A diferença entre roubo e furto está ligada à forma de abordagem: o roubo acontece quando existe violência ou grave ameaça feita com arma de fogo e o furto é feito sem violência, a vítima demora um pouco para saber que foi lesada, justamente por não estar presente na hora do crime.

Para o delegado, o furto dificulta a investigação, porque, quando a vítima descobre que teve o veículo furtado, o ladrão pode já estar longe. Nestes casos, é mais difícil encontrar testemunhas do crime.

O bairro de Botafogo ocupa a segunda posição no ranking de roubos de carro na Zona Sul, aponta pesquisa realizada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA) em 2008. Fica atrás só do Catete. Observa-se que o alto índice de crimes do gênero associa-se também à ousadia com que os ladrões surpreendem as vítimas em lugares improváveis. De acordo com o delegado Ronaldo Oliveira, titular da DRFA, em entrevista ao site G1, “o criminoso está sempre buscando um artifício novo para usar o elemento surpresa, burlar a fiscalização e não chamar a atenção da polícia. Por isso, a vítima precisa detalhar a abordagem quando fizer o comunicado e o registro na delegacia, informando também todas as características do veículo, para assim poderem dar início a investigação.”

O delegado Eduardo Baptista, afirma que o alto índice de furtos de veículos em Botafogo também está relacionado ao fato de grande parte dos prédios da região não ter garagem, levando moradores a estacionarem os carros na rua. Já para a Associação de Moradores do Bairro de Botafogo, o policiamento não é suficiente.

Os pontos de maior incidência de roubo e furto de automóveis são as ruas Muniz Barreto, cercada por três universidades, Voluntários da Pátria, São Clemente, Mena Barreto e a Praia de Botafogo. Segundo Baptista, na maioria dos casos o assaltante só finge portar arma de fogo e são raros os roubos com vítimais fatais. De qualquer forma, ressalta ele, não vale a pena arriscar.

De acordo com o economista Ricardo Osório, morador do bairro, o prejuízo não é só material, mas também psicológico. Ricardo conta que foi vítima de tentativa de roubo de veículo, na esquina de sua casa, enquanto esperava o sinal abrir. Apavorado, ele acelerou o carro e se livrou do crime. Depois do episódio, nunca mais saiu de casa tranqüilo. 

Os  modelos mais cobiçados pelos criminosos são, conforme os dados da Federação Nacional de Seguros Gerais (Fenaseg) Fiat Palio, Uno, Gol, Astra, Vectra, Honda Civic e Toyota Corolla.