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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024


País

Mesa-redonda discute Copa 2014

Gabriel Camargo - Do Portal

05/06/2014

 Gabriel Camargo

A Copa no Brasil, problemas com a Fifa durante os preparativos, comparações com edições em outros países e o esperado legado do Mundial foram temas do debate Brasil 2014: que Copa é essa?, realizado pelo Cinefoot na Aliança Francesa nesta segunda-feira (26), com a participação de professores e pesquisadores do Brasil e da França.

O pesquisador da Insep-Paris Patrick Mignon lembrou que, como no Brasil, na França a receptividade da população em relação à Copa do Mundo não foi das melhores. Mignon lembrou que parte dos franceses via o Mundial apenas como uma ferramenta política por parte da Federação Francesa de Futebol para ganhar espaço no cenário internacional, mas que no fim acabou unindo a população.

– Diferente de Alemanha, Brasil e Inglaterra, o futebol não é uma paixão nacional na França. Existia um grupo que era a favor, mas, para grande parte da população, a seleção francesa é muito mais uma questão política do que esportiva. Porém, após o título sobre o Brasil, o que se viu nas ruas de Paris foi algo impressionante e fora do comum. Pessoas de todos os bairros, dos mais pobres aos mais ricos, de diferentes nacionalidades, saiam com carros e bandeiras para comemoraram o título.

Paul Dietschy, pesquisador francês da Université de Franche-Comté/Science Po-Paris, concordou com Mignon e lembrou que a Fifa adota uma política voltada aos negócios desde a Copa de 1974, quando João Havelange foi eleito presidente da entidade:

– A Fifa começou com essa ideia de business com a saída de Stanley Rous e a entrada de João Havelange, um homem de negócios. Do Mundial de 1974 para frente, a prioridade passou a ser o negócio, com a finalidade de ganhar dinheiro. Nas Copas de 1998 (na França) e 2002 (na Coreia do Sul e no Japão), isso ficou ainda mais claro.

 Gabriel Camargo Ricardo Freitas, pesquisador de mídia e megaeventos e coordenador do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Comunicação da Uerj, falou sobre a repetição de problemas no Brasil, especificamente no Rio, em relação à preparação para megaeventos.

– Acho que não estávamos preparados emocionalmente para receber um evento do porte da Copa do Mundo. Nem políticos, nem a própria população. Eu vejo uma repetição do que aconteceu em 1922, na Exposição Internacional. Moradores de favelas expulsos de suas casas e muitas obras inacabadas pouco antes da realização do evento.

O jornalista Alexandre Carauta, professor do Departamento de Comunicação, editor do Portal PUC-Rio Digital e apresentador do programa O negócio é esporte, da Rádio Bradesco Esportes, por sua vez, expôs números e dados para mostrar que as críticas feitas ao Mundial, muitas vezes, acabam distorcidas.

– Vivemos uma crise de representação, na política, nas instituições formais e inclusive na própria mídia. Se somarmos a isso a percepção de que corrupção atingiu níveis insustentáveis, cria-se um contexto favorável para que a Copa vire um totem do desperdício dinheiro público. Por um lado é bom, desperta um senso crítico para que se discutam questões importantes da sociedade, o que muitas vezes falta. Porém, entendo que é distorcido culpar a Copa do Mundo por uma série de erros administrativos públicos que corroboram uma qualidade de serviço muito aquém da ideal.

Responsável pela mediação do debate, o jornalista Aydano André Motta, editor da revista digital O Globo a Mais, ressaltou o Brasil terá um ganho muito mais importante do que qualquer estádio ou obra física:

– Acredito que tivemos um ganho de patrimônio imaterial. Fez a gente olhar de forma diferente para certas ações políticas. Só de a população reclamar da Copa do Mundo já é um ganho muito grande. No meio tem muitos percalços, mas é um ganho de cidadania.