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Rio de Janeiro, 25 de maio de 2024


Cultura

Grafite carrega a aquarela de intervenções no Rio

Viviane Vieira - aplicativo - Do Portal

21/05/2014

 Viviane Vieira

A menos de um mês para a Copa do Mundo, o grafite é escalado para representar a diversidade de cores e formas da capital fluminense. Torna-se um camisa 10 das sucessivas intervenções que se espraiam na paisagem urbana e em galerias. Sintetiza, para muitos, os elementos que compõem a rua. O artista visual Marcelo Ment, grafiteiro há 15 anos, afirma: “esta é a expressão artística mais contemporânea". (Veja ensaio fotográfico.)

No dia 4 de maio, aconteceu o evento 100 em 1 dia, pela primeira vez em solo carioca. O evento nada mais é que 100 intervenções urbanas de diversos tipos espalhados pela cidade. O aluno de Design da PUC-Rio Rodrigo Vianna é o idealizador do coletivo Amorifique-se, que fez muitas pessoas compartilharem mensagens de amor, em de Copacabana. A turista Ivanise Pereira, de 47 anos, conta que passeava pela orla quando a intervenção chamou sua atenção. “Se eu fosse daqui do Rio eu já estaria engajada nesse movimento”, afirma a mineira. Para Rodrigo o propósito do coletivo é transmitir o amor através da arte:
— A gente costuma falar que Amorifique-se é a verbalização democrática do amor. As pessoas não querem "perder" um minutinho do seu dia, estão sempre na correria. Então, a intervenção entra na vida das pessoas dessa forma. Elas olham e começam a refletir se vale a pena parar e deixar sua mensagem. E quando a pessoa deixa, ela escreve e para pra pensar o que aquelas palavras representam e é retribuída com outra mensagem. É uma troca muito boa.
Apesar dos cariocas serem conhecidos pela recepção calorosa, muitos passam pelas intervenções e não prestam atenção na mensagem que está sendo passada. "Algumas pessoas até perguntam se precisa pagar. Elas estão muito mal acostumadas com isso", conta Rodrigo. Plantar e compartilhar o amor é o objetivo do coletivo que há dois anos está nas ruas. Rodrigo enfatiza que os gestos podem mudar o dia de alguém. "Amor não é só aquilo que sentimos pelas nossas famílias. São todas as ações boas que a gente pode fazer pelas pessoas."
Manifestação através da arte
O grafite está em alta. Nunca se falou tanto em artes urbanas. Elas estão por todo canto, estampando o pensamento e as opiniões da população. Em meio às manifestações e greves que acontecem com mais frequência reivindicando os direitos dos cidadãos, o grafite se faz onipresente. O professor de Design da PUC-Rio Ricardo Artur comenta "Não conheço ninguém que trabalhe com grafite que não conteste algo." Através dessa contestação, está o lugar da arte, que dá o direito de manifestar-se no lugar onde as pessoas estão: na rua. Além dos protestos feitos em forma de desenhos, o grafite também harmoniza a cidade e dialoga com os pedestres. Ricardo Artur observa como a criatividade desses artistas da rua não tem limites e utilizam até os elementos mais imperceptíveis para passar uma mensagem ou apenas arrancar um sorriso de quem passa por eles.
— Qual o limite da rua? Tem as animações dos fradinhos que são objetos feios, criados para não estacionarem carros nas calçadas. O grafite torna isso mais simpático. Criam personagens. Tem uma poética nisso. Quando é inovador é especialmente atraente.
Antônio Edmilson, professor de História da Arte da PUC-Rio, explica que a cidade tem essa necessidade de criar uma linguagem para integrar a diversidade. Hoje é mais fácil compreender o papel do grafite, coisa quase impossível no surgimento da arte no Rio. "No inicio parecia sujeira, sujar o que era o branco da cidade." lembra Edmilson. Para ele, o grafite "procura subverter, no sentido de mexer com a plateia e fazer com que ela se movimente a partir disso.  É um caminho de entender a história da cidade".
Os muros do Jóquei Clube, na Rua Jardim Botânico geraram polêmica entre os grafiteiros e as pessoas que passam diariamente por ali. Os muros, antes grafitados, receberam uma cobertura bege, por conta das obras de revitalização do local. A falta de preservação deixou os muros em ruínas que foi transformado numa grande galeria de arte a céu aberto.  Antônio Edmilson comenta a remoção dos desenhos:
— No caso do Jóquei foi um processo de decadência e agora estão recuperando. Um projeto que inclui a tradição do grafite ali seria interessante, não faz sentido não ter os grafites de volta. A Rua Jardim Botânico fica diferente mesmo, porque tem natureza de um lado e grafite do outro. É interessante esse contraste. 
Com as obras de revitalização, a fachada bege original do Jóquei será mantida, sendo proibida a prática do grafite no local. Robson Torres, engenheiro envolvido com as obras de restauração, pondera:
— Foi combinado com os artistas que o muro da Rua Borges de Medeiros foi preparado para receber os grafites. No entanto, os muros da Rua Jardim Botânico estão sendo revitalizados na forma original e o grafitismo no local é proibido. 
A arte acessível às massas
Muito além da questão estética, as intervenções são carregadas de significações e interpretações do cenário urbano, da globalização, do crescimento das cidades e as consequências que ele traz. O desenvolvimento das cidades teve papel fundamental no surgimento do grafite. O entendimento da cidade mudou. A brancura e pureza do século 19 deu lugar à verticalização do concreto e ao processo de decadência de alguns lugares. Para o historiador, o grafite foi fundamental para recuperar áreas que foram marginalizadas.
— Esses espaços em ruínas foram utilizados para testar uma nova fórmula de olhar a cidade e uma nova forma de apresenta-la fora daquilo que era monumentalidade da catedral, dos prédios, e isso estava associado a uma arte alternativa que buscava sinalizar as áreas degradadas e utilizá-las de maneira artística. 
Essas mudanças no cenário urbano e as desigualdades sociais inspiram muitos artistas como Marcelo Ment. Ele conta que os contrastes do Rio estão sempre presentes nas suas criações. O menino que cresceu na Vila da Penha, Zona Norte do Rio, teve muitas referências que até hoje, com 37 anos, compõem sua identidade artística. 
— Minhas principais referências são as minhas experiências de vida, os lugares que visitei e os contrates da cidade. Ainda hoje vivo num misto de experiências. Num dia estou pintando num evento pra uma marca internacional com várias pessoas ricas e no outro estou na favela, pintando o muro de um barraco. Isso pra mim ainda é minha principal fonte de inspiração.
Para ele, o grafite tem o papel de tornar a arte acessível ao público em geral, sem segmentá-lo.
— Qualquer pessoa pode ter acesso à arte visual. A arte no geral é muito segmentada, desde o inicio da historia da arte, sempre foi algo voltado para o publico de elite. Então o grafite veio para a rua e está acessível a todos. 
"O grafite é liberdade", lembra Rodrigo Vianna. Para ele, "o grafite faz as pessoas refletirem algo que elas não pensariam normalmente". E mesmo quando ela parece não dizer nada, ela representa algo para o próprio artista.  Lynn Court, formada em Desenho Industrial e aluna de Comunicação Social da PUC-Rio, é uma artista cheia de dotes. É colunista de arte e também escreve em seu blog “Noia” sobre arte em geral. Ela grafita há nove anos e acredita que a arte urbana é mais que uma manifestação, é "um movimento de arte da nossa geração que vai ficar para historia. É uma forma de expressão muito forte, uma exposição gratuita".
O caráter contestador da arte urbana é formado por diversos fatores. A falta de estímulos da grande mídia para eventos culturais de qualidade, a falta de cumprimento do papel do Estado e a exclusão social foram alguns motivos apresentados por Walter Nomura, o Tinho, grafiteiro paulista de 38 anos. Ele percebe que a arte urbana aproxima as pessoas de seu próprio imaginário, o que estimula o despertar da consciência.
— Tudo o que atua dentro do espaço urbano serve de alerta aos que circulam ali. O grafite é como a montanha que vai a Maomé, dizendo "Ei! Olhe para mim! Eu existo!". As pessoas, até então, desacostumadas a ter contato com seus imaginários, são levadas a um despertar de consciência e de pensamento. Além disso, e através disso, muitos que despertam se identificam a ponto de quer fazer parte e iniciam uma busca pela informação que termina com o autoconhecimento e reflexão sobre o papel de cada um dentro dessa sociedade.
O grafite no Brasil e o grafite do Brasil
Mesmo com todo atraso do país em receber materiais adequados e informações sobre o grafite e as artes urbanas, as produções aqui feitas adquiriram uma identidade própria. Na primeira geração de grafiteiros, em meados dos anos 70, eram poucos os artistas que trabalhavam com a técnica. Hoje, todos os dias surgem novos interessados pelos contornos dos jets. O grafiteiro Tinho conta que começou a fazer grafite em 1988, após ver o filme Beat Street, filme que mostra a cultura hip hop de Nova Iorque.  Ele percebe que ainda somos jovens nessa forma de expressão, mas a adesão é crescente e os ganhos podem ser inimagináveis:
— Ainda temos muito que aprender e desenvolver. Muita gente está começando agora.  A cada dia, vejo interessados em produzir coisas na rua.  Se quantidade gera qualidade e se chegamos aonde chegamos com 6 artistas que iniciaram esse movimento no Brasil, não imagino aonde podemos chegar quando esses mais de 6 mil novos artistas estiverem bem desenvolvidos.
O mundo das artes é uma teia de oportunidades. Além de reconhecida mundialmente, os traços e formas tupiniquins ganham exposições pelo mundo, levando cores vibrantes, cultura popular e as realidades da população brasileira. Marcelo Ment conta que a troca de experiências e de olhares sobre a arte entre os países é importante. “Existe uma comunidade dentro disso. Por mais que seja diferente a linguagem de cada artista, existe essa troca de aprendizado e ela é essencial”. Ele conta que com os contatos que fez, aprendeu a falar inglês e que a maioria das viagens que faz são pagas por pessoas ou organizações interessadas pelas suas artes. 
— Viajar era uma realidade muito distante da minha. Até os 27 anos eu não tinha nem viajado de avião. Esse ano faz dez anos desde a minha primeira ida à Holanda. De lá pra cá tive sorte, estive no lugar certo na hora certa. Conheci lugares, pessoas e adquiri muita experiência cultural. É muito difícil ter grana para viajar. Por isso, a maioria das minhas viagens acontecem por meio das pessoas que conheci. Através dessa teia pude ir a diversos lugares como Holanda, Barcelona, a Paris já fui cinco vezes. Fiz amigos por lá.
Ment percebe que o Brasil é respeitado nos lugares aonde vai e que a cultura brasileira possui um tempero a mais.
— Somos riquíssimos em cultura popular, então o grafite brasileiro já tem uma identidade. Em qualquer lugar do mundo, os traços clássico de Nova Iorque são mantidos. Mas eu acho que é muito respeitado pela diversidade de estilos, de cores. As cores aqui são mais vibrantes, o amarelo é mais amarelo, o vermelho é mais vermelho. E quando levamos isso pra fora, fica clara a admiração deles.
Tinho reitera a importância e a responsabilidade que as artes urbanas carregam em suas significações. O conceito original formado pelas primeiras gerações do grafite brasileiro fizeram muitos países despertarem para uma nova forma de produzir, fora dos moldes americanos. 
— A grande importância do Brasil dentro desse movimento foi o fato de termos criado um estilo bem diferente de tudo o que se via.  Nós mostramos às duas gerações de artistas depois de nós, a busca por uma identidade visual original. Isso gerou uma quantidade enorme de estilos, técnicas e conceitos dentro de um movimento que basicamente imitava o que era realizado pelos americanos. Essa mentalidade influenciou países como o Chile e a Espanha a saírem também dos padrões estadunidenses. Alguns ainda mantém as características originais do grafite, mas isso já não é mais uma regra.
Marginalização não mais
Desde as pinturas rupestres, o homem expressa sua realidade em desenhos nas paredes. A evolução foi acontecendo, mas algumas características se mantiveram. Hoje a arte urbana é reconhecida e aceita, mas nem sempre isso aconteceu. Pichadores e grafiteiros viveram décadas na ilegalidade e enxergados pela sociedade como marginais. Antônio Edmilson acredita que hoje a aceitação é mais fácil e "não há nada mais marginal, mas o perigo é que isso faça com que essa arte de rua vire ordenada".
Apesar de a legalização ser um ganho para os envolvidos com a arte de rua, na prática pode não mudar muita coisa. Ment acredita que a legalização legitima a ação, mas não restringe o trabalho dos grafiteiros.
— O que muda é a legitimidade da ação, da prática do grafite para quem está na rua. Se o cara está grafitando num lugar ilegal, ele terá mais argumentos para se defender. Na prática mesmo, quem fazia vai continuar fazendo, independente do lugar. 
A repressão a esses artistas é constante. Hoje, com a legalização, muitos defendem-se  pela lei. Ment conta que nunca sofreu nenhuma ação violenta, mas já teve problemas com a polícia “Acho que quem trabalha na rua está sujeito a tudo". Lynn também compartilha suas experiências e os desafios de estar na rua. Ela conta que pintar nas ruas é um desafio e a adrenalina corre nas veias.  "Eu já fui presa, mas acho que quem pinta na rua gosta um pouco disso".
O mundo dos jets é majoritariamente masculino, e essa questão também é bastante discutida no meio. Mas o interesse feminino pelo grafite vem aumentando. Lynn conta que "ser mulher só me trouxe benefícios, os amigos sempre ajudaram, sabem dos perrengues e dão força quando preciso. Além disso, acho mais fácil se destacar, porque tem menos mulher na cena". O excesso de testosterona também despertou em Marcelo Ment a necessidade de desafiar a cena. Apesar da dificuldade de desenhar figuras femininas, ele criou uma das personagens mais características de suas obras, que compõem a identidade dele nas ruas e nas galerias.
— Eu sempre tive dificuldade de desenhar figuras femininas. Eu sempre achei que o grafite era um meio muito masculino, ainda é, tem poucas artistas mulheres. Tem ótimas, belíssimas, mas se formos ver, é uma meia proporção maior masculina. Então fazer a mulher de cabelos coloridos foi uma forma de vencer um desafio. 
Grafite, a arte contemporânea 
A arte contemporânea contesta o lugar da arte e a arte de rua contesta o espaço dos grandes centros urbanos. Desde o século passado, diversos movimentos questionam o direito de manifestar-se fora dos centros culturais. Exemplos como o construtivismo russo, o futurismo, a pop art, cada um à sua maneira, tentam democratizar a arte. Ricardo Artur enfatiza que "a obra não é a obra em si, mas a ideia contextualizada e nesse espaço tem a arte de rua". Para ele, a questão do grafite encaixar-se ou não na arte contemporânea vai mais além.
— Essa categorização não existe mais. No pós-modernismo não tem mais categorias tão claras, rígidas e fixas. Isso é coisa do século 19, as belas artes, as artes aplicadas. Era classificado e hierarquizado. A arte hoje foi bastante abalada pra ficar presa em categorizações.
A ideia da performance, advindas dos movimentos de vanguarda, da segunda metade do século 20, dão o ar de crítica e de soma ao cenário artístico. Antônio Edmilson entende que o grafite incorpora todos os elementos presentes na sociedade atual, e nada mais contemporâneo que criar um novo olhar sobre a realidade:
— A arte contemporânea é uma arte que está nas ruas o tempo inteiro, está mexendo com as pessoas. É uma arte que não exclui, ela está o tempo todo incorporando. Há uma mudança radical na concepção de belo. A concepção agora é do sublime, algo que chama a atenção e te envolve, é um efeito, é um sentimento. Então, eu acho que o grafite faz as pessoas entenderem de maneira diferente, olhar de uma oura maneira. 
A arte das ruas nas galerias
Muitos artistas que começam nas ruas investem seu tempo e constroem sua carreira através do grafite. Mais que natural, o intercâmbio das artes de rua nas galerias acontecem com mais frequência entre os  artistas. Eles utilizam a técnica, os jets e os traços advindos dos muros nas telas e galerias de arte. Porém, alguns artistas são questionados sobre o lugar da arte e que a ideia das galerias seleciona o público, ideia contrária às artes populares:
— Eu vejo como uma evolução. Acho natural que com o passar dos anos, as pessoas resolvam obter renda através das coisas que ela aprendeu na vida.  Se essa pessoa fez grafite, claro que vai querer tirar proveito disso.  Alguns vão pra comunicação visual, design, publicidade, marketing, arquitetura, etc... Também há aqueles que se arriscam a entrar no circuito das artes visuais. Contudo, há ainda um grande preconceito que impede que muitos artistas façam parte desse universo. Mas eu creio que já houve grandes trocas e que ainda haverá muitas. — analisa Tinho.
O encantamento dos admiradores da street art e a procura pelas telas fomenta um mercado em ascensão.  "Nós ganhamos pintando, vendendo telas, pintando interiores e fazendo trabalhos pra grandes marcas. A arte mais do que nunca está na moda", comenta Lynn. Marcelo Ment também aponta uma diferença "Para mim, grafite é o que eu faço na rua, o principal suporte é o muro. Seja legal ou ilegal. Uma tela ou um quadro é uma pintura que eu utilizo a técnica que eu aprendi no grafite." Para ele, essa é uma tendência natural "Se você faz algo que as pessoas começam a admirar, elas querem ter um pouco daquilo e levar um pouco disso pra casa".
Tinho também comenta sobre os circuitos de arte e a profissionalização do grafite. A troca entre mercado e grafite está em sintonia e chama atenção do público:
— O circuito das artes força os artistas das ruas a entenderem e a pesquisarem mais sobre o conceito de seus trabalhos, assim como uma profissionalização em relação ao produto de suas criações. Por outro lado, nós, artistas das ruas, ensinamos a eles como dialogar com o grande público, como encher uma exposição e fazê-la ser comentada e compartilhada pela mídia espontânea. 
O curador e sócio da loja e galeria Homegrown, Marco Tosatth, percebeu que os artistas das ruas viviam anônimos às suas obras. Muitas pessoas até se interessavam, mas não havia uma ponte entre os autores das obras e o público. O sonho de viver da própria arte sempre esteve à margem da realidade dos artistas independentes. Junto com seu sócio, resolveram então unir duas vontades: criar uma loja com produtos novos e artes ligadas à vida urbana, e assim estimular tanto às vendas, quanto o cenário independente. Apesar da ideia ser uma porta para diversas oportunidades, Tosatth comenta que a relação entre rua e galeria ainda precisa ser explorada:
 
— Nós queríamos fazer uma ponte, apresentando esses artistas ao público e comercializar algumas obras pra alimentar o sonho deles de viver de arte. Mas com o tempo a gente foi percebendo e entendendo que são coisas distintas. Não é tão simples levar uma arte que estás nos muros para uma tela. São suportes diferentes e nem todos os artistas tem essa facilidade, ainda é um desafio. Mas muitos fazem isso muito bem. Fazem os dois trabalhos, eles andam lado a lado e se comunicam muito bem.
Antônio Edmilson acha que a ideia de galeria é coisa do século passado e acredita que o futuro das artes é estarem nas ruas.
— Esse intercâmbio é importante, mas eu acho que a galeria é antiga. Guardar as coisas numa galeria se move muito próxima a ideia de museu, que é uma coisa do século 19. A não ser que essas galerias se abram na relação com a rua. Algumas estão usando isso. Eu acho que no futuro  a arte vai estar na rua, movimentando a cidade. Isso que chama atenção. Olhar pras coisas na rua e entender que a cidade é movimento.
A ideia de galeria para as artes das ruas ainda criam resistência no grande público. Marco Tosatth conta que o início da sua galeria, há oito anos atrás, também foi assim e que as palavras ‘exposição’ e ‘grafite’ na mesma frase criava confusão na cabeça das pessoas:
— Tem uma diferença entre ver na rua e na galeria. Quando começamos, convidávamos as pessoas e ninguém entendia. Quando falamos em exposição, muitos veem como algo distante, relacionados a museus. E nós não nos identificávamos com os artistas de outros tempos. A gente se identifica com a arte do nosso tempo, que é a arte urbana, o grafite, a tatuagem, e isso foi um jeito de aproximar o nosso público, a nossa geração, da arte. A nossa galeria tem esse papel de apresentar os artistas, mostrar que é possível, acessível e é um razer

Capitaneada pela onda do grafite, a iniciativa 100 em 1 dia ganhou pela primeira vez em solo carioca, no início do mês. Cem intervenções urbanas, de diversos tipos, espalharam-se pela cidade. O coletivo Amorifique-se, idealizado pelo aluno de Design da PUC-Rio Rodrigo Vianna, fez centenas compartilharem mensagens de amor em de Copacabana. “Se eu fosse daqui do Rio, já estaria engajada nesse movimento”, empolgou-se a turista mineira Ivanise Pereira, de 47 anos. Para Rodrigo, o propósito do coletivo é transmitir o amor por meio da arte:

 Viviane Vieira — A gente costuma falar que Amorifique-se é a verbalização democrática do amor. As pessoas não querem "perder" um minutinho do seu dia, estão sempre na correria. Então, a intervenção entra na vida dessa forma. Elas olham e começam a refletir se vale a pena parar e deixar sua mensagem. E, quando deixa, pensa no que aquelas palavras representam e é retribuída com outra mensagem. É uma troca muito boa.

Apesar de os cariocas serem conhecidos pela recepção calorosa, muitos ainda mostram indiferentes às intervenções e às mensagens transmitidas. "Alguns até perguntam se precisa pagar", lamenta Rodrigo. Mas a aproximação com iniciativas do gênero ganha corpo por meio do prestígio crescente do grafite, observam agentes culturais. 

Contestação e poética compõem DNA do grafite

Em meio às manifestações e greves que pegam carona nos holofotes da Copa, o grafite beira a onipresença. Faz sentido.  "Não conheço ninguém que trabalhe com grafite que não conteste algo", diz o professor de Design da PUC-Rio Ricardo Artur. Associado tanto à contestação quanto à rua, o grafite se populariza sem perder, no entanto, duas outras características:  também harmoniza a cidade e dialoga com os pedestres. Ricardo Artur ressalta que "a criatividade desses artistas da rua não têm limites, pois usam até os elementos mais imperceptíveis para passar uma mensagem ou apenas arrancar um sorriso de quem passa por eles". A paisagem fica mais simpática e poética:  Viviane Vieira

— Qual o limite da rua? Tem as animações dos fradinhos que são objetos feios, criados para não estacionarem carros nas calçadas. O grafite torna isso mais simpático. Criam personagens. Tem uma poética nisso. Quando é inovador, é especialmente atraente — destaca.

Para o professor de História da Arte da PUC-Rio Antônio Edmilson, a cidade procura criar uma linguagem para integrar a diversidade. Hoje, diz ele, é mais fácil compreender o papel do grafite. "No inicio, parecia sujeira, sujar o que era o branco da cidade", lembra. Esta percepção é substituída pelo reconhecimento das contribuições de uma arte cada vez mais inserida nas esquinas cariocas:

— O grafite procura subverter, no sentido de mexer com o público e fazer com que se movimente a partir disso.  É um caminho para entender a história da cidade — esclarece Edmilson.

A valorização e a maior presença do grafite pela cidade não significa, entretanto, um salvo-conduto. Os muros do Jockey Clube na Rua Jardim Botânico, por exemplo, tornaram-se alvo de polêmica. Com as obras de revitalização, a fachada bege original foi recuperada e a prática do grafite, proibida. Assim, os desenhos deixaram aquela galeria de arte a céu aberto. Edmilson pondera: Viviane Vieira

— Neste caso, o grafite ganhou espaço por conta do processo de decadência do muro, que agora estão recuperando. Um projeto que inclui a tradição do grafite ali seria interessante. A Rua Jardim Botânico fica diferente mesmo, com natureza de um lado e grafite do outro. É interessante esse contraste — opina. 

Embora os grafiteiros lamentem a perda do espaço, o engenheiro Robson Torres, envolvido com as obras de restauração, explica:

— Foi combinado com os artistas que o muro da Rua Borges de Medeiros seria preparado para receber os grafites, pois o muro da Rua Jardim Botânico está sendo revitalizado na forma original. 

Arte retrata os contrastes urbanos

Muito além do valor estético, as intervenções revelam-se regadas de significações e interpretações do cenário urbano, da globalização, do crescimento das cidades e suas consequências. O desenvolvimento das metrópoles, pontua Edmilson, teve papel fundamental no surgimento do grafite. A brancura e pureza do século 19 deu lugar à verticalização do concreto e ao processo de decadência de alguns lugares. Para o historiador, o grafite ajudou a recuperar áreas marginalizadas:

— Esses espaços em ruínas foram utilizados para testar uma nova fórmula de olhar a cidade e uma nova forma de apresentá-la fora da monumentalidade da catedral, dos prédios. Isso estava associado a uma arte alternativa que buscava sinalizar as áreas degradadas e utilizá-las de maneira artística. 

As mudanças no cenário urbano e as desigualdades sociais inspiram artistas como Marcelo Ment, de 37 anos. Os contrastes do Rio "estão sempre presentes nas criações". O menino que cresceu na Vila da Penha, Zona Norte, cultivou "muitas referências" para a composição da identidade artística: Viviane Vieira

— As principais referências são as minhas experiências de vida, os lugares que visitei e os contrates da cidade. Ainda hoje vivo num misto de experiências. Num dia estou pintando num evento para uma marca internacional, com várias pessoas ricas. No outro, estou na favela, pintando o muro de um barraco. Isso ainda é minha principal fonte de inspiração.

Ele acredita que o grafite tem o papel de tornar a arte acessível ao público em geral, sem segmentá-lo:

— Qualquer pessoa pode ter acesso à arte visual. A arte é muito segmentada. Desde o inicio da historia da arte, sempre foi algo voltado para a elite. O grafite veio para a rua, está acessível a todos. 

"Grafite é liberdade", sintetiza Rodrigo Vianna. Para ele, "faz as pessoas refletirem em algo que não pensariam normalmente". A também grafiteira Lynn Court acredita numa dimensão ainda maior do grafite. Formada em Desenho Industrial, estudante de Comunicação Social da PUC-Rio e idealizadora do blog “Noia”, ela acredita que a arte urbana é, "mais do que uma manifestação, um movimento de arte que vai ficar para historia".

Mesmo que este caráter histórico não se consuma, as manifestações artísticas urbanas, segundo o grafiteiro Walter Nomura, o Tinho, já terão contribuído para o "despertar da consciência", prejudicada, diz ele, "pela falta de estímulos da grande mídia para eventos culturais de qualidade, pela ausênsia de melhores políticas culturiais do Estado e pela exclusão social".  Arquivo Pessoal

— A arte urbana aproxima as pessoas do próprio imaginário. Tudo o que atua dentro do espaço urbano serve de alerta aos que circulam ali. O grafite é como a montanha que vai a Maomé, dizendo "Ei! Olhe para mim! Eu existo!". As pessoas desacostumadas a ter contato com seus imaginários são levadas a um despertar de consciência e de pensamento. 

Identidade brasileira se liberta de influência americana

Apesar do certo atraso em receber materiais adequados e informações sobre o grafite e as artes urbanas, as produções do país adquiriram uma identidade própria. Na primeira geração de grafiteiros, em meados dos anos 1970, eram poucos os artistas que trabalhavam com a técnica. Hoje, todos os dias surgem novos interessados pelos contornos dos jets. Tinho conta que começou a fazer grafite em 1988, após ver o filme Beat Street, (Stan Lathan, 1984), que mostra a cultura hip hop de Nova York.  Ele admite que "ainda somos jovens nessa forma de expressão, mas a adesão é crescente e os ganhos podem ser inimagináveis":

— Ainda temos muito que aprender e desenvolver. Muita gente está começando agora.  A cada dia, vejo interessados em produzir coisas na rua. Se quantidade gera qualidade e se chegamos aonde chegamos com seis artistas que iniciaram esse movimento no Brasil, não imagino aonde podemos chegar quando os mais de seis mil novos artistas estiverem bem desenvolvidos.

Os traços e formas brasileiros ganham exposições pelo mundo. Ment considera muito importante a troca de experiências e de olhares sobre a arte entre os países. “Existe uma comunidade dentro disso. Por mais que seja diferente a linguagem de cada artista, há essa troca de aprendizado, e ela é essencial”, argumenta. Com os contatos que fez, orgulha-se o grafiteiro, aprendeu inglês e construiu um prestígio útil à internacionalização do seu trabalho: 

— Viajar era uma realidade distante da minha. Até os 27 anos, não tinha nem viajado de avião. Faz dez anos desde a minha primeira ida à Holanda. De lá para cá, tive sorte. Estive no lugar certo, na hora certa. Conheci lugares, pessoas e adquiri muita experiência cultural. Hoje a maioria das minhas viagens são viabilizadas por esses relacionamentos. Por meio da rede de contatos, fui também à Barcelona e cinco vezes a Paris. Fiz amigos por lá.

Ment percebe que o grafite se beneficia da reputação cultural brasileira no exterior: 

— Somos riquíssimos em cultura popular. Então, o grafite brasileiro já tem uma identidade. Em qualquer lugar do mundo, os traços clássico de Nova York são mantidos. As cores aqui são mais vibrantes. O amarelo é mais amarelo; o vermelho, mais vermelho. Quando levamos isso para fora, fica clara a admiração deles.

Tinho reitera a importância e a responsabilidade que as artes urbanas carregam nas significações. O conceito original formado pelas primeiras gerações do grafite brasileiro fizeram muitos países despertarem para uma nova forma de produzir, fora dos moldes americanos: 

— A grande importância do Brasil dentro desse movimento foi o fato de termos criado um estilo bem diferente de tudo o que se via. Mostramos às duas gerações de artistas posteriores uma identidade original. Isso gerou uma quantidade enorme de estilos, técnicas e conceitos dentro de um movimento que basicamente imitava o que era feito pelos americanos. Essa mentalidade influenciou países como o Chile e a Espanha a saírem também dos padrões estadunidenses. Alguns ainda mantêm as características originais do grafite, mas já não é mais uma regra.

Da marginalização ao reconhecimento no mundo da arte

Desde as pinturas rupestres, o homem expressa a realidade em desenhos nas paredes. Hoje a arte urbana é reconhecida e aceita, mas nem sempre foi assim. Confundidos com pichadores, grafiteiros viveram décadas na marginalidade. Edmilson comemora a aceitação, mas pondera: "o perigo agora é a arte de rua ficar ordenada". Ment concorda que a legalização legitima as expressões do gênero ação, mas não restringe o trabalho dos grafiteiros:

— O que muda é a legitimidade da prática para quem está na rua. Na prática, quem fazia vai continuar fazendo, independentemente do lugar. 

Lynn diz que pintar nas ruas é um desafio e "a adrenalina corre nas veias".  Ela conta que já foi presa, porém relativiza: "quem pinta na rua está sujeito a isso".

Embora o mundo dos jets seja majoritariamente masculino, o interesse feminino pelo grafite vem aumentando. Lynn não tem do que se queixar:

— Ser mulher só me trouxe benefícios. Os amigos sempre ajudaram, sabem dos perrengues e dão força quando preciso. Além disso, acho mais fácil se destacar, porque tem menos mulher na cena.

O predonmínio masculino dificulta o desenho de figuras femininas, acrescenta Ment. Ainda assim, ele encarou o desafio de criar uma personagem de cabelos característicos. A ousadia foi recompensada: a personagem  tornou-se uma das mais cultuadas de sua obra, um marco na identidade do dele nas ruas e nas galerias. Viviane Vieira

— Sempre tive dificuldade de desenhar figuras femininas, até pelo grafite ser um meio muito masculino, embora haja ótimas representantes do gênero. Então, fazer a mulher de cabelos coloridos foi uma forma de vencer um desafio. 

"A arte contemporânea está nas ruas, o tempo inteiro"

A arte contemporânea contesta o lugar da arte e a arte de rua contesta o espaço dos grandes centros urbanos. Desde o século passado, diversos movimentos evocam o direito de manifestar-se fora dos centros culturais. Exemplos como o construtivismo russo, o futurismo, a pop art, cada um à sua maneira, tentam democratizar a arte. Ricardo Artur enfatiza que "a obra não é a obra em si, mas a ideia contextualizada e nesse espaço tem a arte de rua". Para ele, a questão de o grafite encaixar-se ou não na arte contemporânea vai além:

— Essa categorização não existe mais. No pós-modernismo não tem mais categorias tão claras, rígidas e fixas. Isso é coisa do século XIX, as belas artes, as artes aplicadas. Era classificado e hierarquizado. A arte hoje foi bastante abalada pra ficar presa em categorizações.

A ideia da performance, advinda dos movimentos de vanguarda da segunda metade do século XX, soma-se ao cenário artístico. Edmilson entende que o grafite incorpora todos os elementos a sociedade atual, e "nada é mais contemporâneo que criar um novo olhar sobre a realidade":

— A arte contemporânea é uma arte que está nas ruas o tempo inteiro, está mexendo com as pessoas. É uma arte que não exclui, ela está o tempo todo incorporando. Há uma mudança radical na concepção de belo. A concepção agora é do sublime, algo que chama a atenção e te envolve, é um efeito, é um sentimento. Então, acho que o grafite faz as pessoas entenderem de maneira diferente, olhar de uma oura maneira. 

A arte das ruas nas galerias

Muitos artistas que começam nas ruas constroem a carreira por meio do grafite. Eles utilizam a técnica, os jets e os traços advindos dos muros nas telas e galerias de arte. Porém, alguns são questionados sobre um possível conflito entre o caráter seletivo das galerias e a genética popular da arte de rua. 

— Vejo como uma evolução. Acho natural que, com o passar dos anos, as pessoas resolvam obter renda através das coisas que aprenderam. Se a pessoa fez grafite, claro que vai querer tirar proveito disso. Alguns vão para comunicação visual, design, publicidade, marketing, arquitetura, etc... Também há aqueles que se arriscam a entrar no circuito das artes visuais. Contudo, há ainda um grande preconceito que impede que muitos artistas façam parte desse universo. Mas creio que já houve grandes trocas e ainda haverá muitas — avalia Tinho.

O encantamento dos admiradores da street art e a procura pelas telas fomentam um mercado em ascensão. "Ganhamos pintando, vendendo telas, pintando interiores e fazendo trabalhos para grandes marcas. A arte, mais do que nunca, está na moda", comenta Lynn. Ment aponta, contudo, uma diferença: "Para mim, grafite é o que faço na rua. O principal suporte é o muro. Já uma tela ou um quadro é uma pintura em que utilizo a técnica aprendida no grafite", esclarece. Para Tinho, a profissionalização e a aproximação com o circuito das arte impõe ao grafite esforços crescentes:

— O circuito das artes força o artista da rua a pesquisar mais sobre o conceito de seus trabalhos. Por outro lado, nós, artistas das ruas, ensinamos o mundo das galerias a dialogar com o grande público; como encher uma exposição e fazê-la ser comentada e compartilhada pela mídia espontânea. 

O curador e sócio da loja e galeria Homegrown, Marco Tosatth, percebeu que os artistas das ruas viviam anônimos às obras. O sonho de viver da própria arte sempre esteva à margem da realidade de boa parte desses profissionais independentes. Assim, ele decidiu abrir um espaço para dar mais visibilidade a tais produções. Tosatth admite, porém, que a relação entre rua e galeria ainda precisa ser aperfeiçoada:Viviane Vieira

— Queríamos fazer uma ponte, apresentando esses artistas ao público e comercializando algumas obras para alimentar o sonho deles de viver de arte. Com o tempo, a gente foi percebeu que são coisas distintas. Não é tão simples levar uma arte que está nos muros para uma tela. São suportes diferentes, e nem todos os artistas tm essa facilidade. Ainda é um desafio. Mas muitos fazem isso muito bem. 

Edmilson conseidera "galeria é coisa do século passado". Ele acredita que o futuro das artes está nas ruas:

— O intercâmbio é importante, mas acho que a galeria é antiga. Guardar as coisas numa galeria se move muito próximo à ideia de museu. A não ser que essas galerias se abram na relação com a rua. Algumas estão usando isso. Acho que, no futuro, a arte vai estar na rua, movimentando a cidade.

A ideia de galeria para as artes das ruas ainda ainda sofre certa resistência. Tosatth conta que foi assim no início da sua galeria, há oito anos atrás. Segundo ele, as palavras "exposição" e "grafite" na mesma frase criava confusão:

— Há uma diferença entre ver na rua e na galeria. Quando falamos em exposição, muitos veem como algo distante, relacionado a museus. E nós não nos identificávamos com os artistas de outros tempos. A gente se identifica com a arte do nosso tempo, que é a arte urbana, o grafite, a tatuagem, e isso foi um jeito de aproximar o nosso público, a nossa geração, da arte. A nossa galeria tem esse papel de apresentar os artistas, mostrar que é possível, acessível, e é um prazer. 

 

Onde encontrar as intervenções nas ruas

Jardim Botânico - Os muros da Rua Jardim Botânico são conhecidos por seus grafites. O famoso contraste entre a natureza e as intervenções urbanas é um dos roteiros procurados pelos turistas.

Botafogo - Artistas como Marcelo Ment têm desenhos espalhados pelo bairro. Os mais representativos do artista estão na Rua Sorocaba e no muro da lanchonete Sanduka, no Humaitá. 

Ipanema - O grafite está em cada canto de Ipanema. Desde as praias, até o Parque Garota de Ipanema, que une grafite e pistas de skate.

Morro dos Prazeres - O corredor do grafite, que coloriu os muros de mais de 50 casas em Santa Teresa, tornou-se um ponto turístico no Rio. Os grafites foram feitos por 45 artistas em projeto que visa estimular o turismo na área e afastar os jovens do tráfico por meio da arte. 

GaleRio - A maior galeria de arte a céu aberto está sendo feita pelos muros que cercam o metrô. O projeto vai cobrir os 40 quilômetros dos muros do metrô da Linha 2, com grafites e arte urbana. Artistas como Menton, Lamarca, Rafo Castro e Anarkia Boladona participam das pinturas, que já colorem as estações de Coelho Neto, Colégio e Del Castilho.

Nas galerias:

Galeria Movimento - O Cassino Atlântico concentra antiquários e galerias, como a Movimento, pioneira no trabalho com street art. Fica em cartaz até o dia 6 de junho a exposição Reflexão, de Walter Nomura, o Tinho.

A proposta da exposição é a autorreflexão. Não só em relação aos acontecimentos pessoais, mas na relação com o outro e a sociedade. “Estamos vivendo um momento muito especial como povo brasileiro. Talvez seja o início de um despertar, de uma grande transformação. Mas isso depende de mim, de você, de cada um de nós”, comenta Tinho.

Homegrown - A galeria e loja na Rua Maria Quitéria, em Ipanema, é referência entre os jovens que curtem artes das ruas, skate e esportes radicais. Estão expostas as telas de Titi Freak. 

UrbanArts - Ao lado da PUC-Rio, a galeria reúne quadros e telas com diversas referências artísticas. O espaço pretende estimular o desenvolvimento dos artistas independentes e torná-los acessíveis ao público.