Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 22 de maio de 2024


Cultura

É Tudo Verdade: 77 filmes com sessões gratuitas

Ana Paula Bissoli - aplicativo - Do Portal

03/04/2014

 Divulgação

Começa nesta sexta, dia 4, a 19ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade no Rio de Janeiro. O evento, realizado simultaneamente também em São Paulo, Brasília, Campinas e Belo Horizonte, é o mais importante dedicado à produção não ficcional na América Latina, e as sessões são todas gratuitas, com ingressos distribuídos uma hora antes das sessões. Este ano, a seleção apresenta 77 títulos de 26 países, sendo 19 destas produções em première mundial. Caso do longa-metragem Tudo por amor ao cinema, de Aurélio Michelis, sobre o Cosme Alves Neto, curador da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) por duas décadas. O filme será exibido sexta-feira, noite de abertura carioca, às 21h, no Espaço Itaú de Cinema.

Entre a competição de curtas, se destaca o filme de Ravi Aymara, estudante do último período de Cinema da PUC-Rio. Com uma câmera na mão e uma máscara de gás na cara promove uma discussão sobre profissionais, amadores e militantes, que filmaram imagens das manifestações de junho de 2013 no Rio de Janeiro.   DivulgaçãoRavi conta que a ideia surgiu para Projeto de Filme 1. O filme acabou não sendo apresentado como trabalho da faculdade, mas as manifestações continuaram e o curta seguiu em produção, por conta própria.

Primeiro filme do estudante a ser exibido na grande tela, o curta foi produzido nos meses de junho, agosto e setembro e captou imagens de seis manifestações. Sem equipe de apoio, Ravi filmou, entrevistou, captou o som e editou sozinho todo o material:

– O filme surgiu muito rapidamente, e quando fui me dar conta era uma busca muito pessoal, um exercício que decidi fazer a fim de ver as dificuldades de cada área. Às vezes eu pedia a algum amigo ver como estava ficando. Queria escutar as críticas e tentar eu mesmo compreender melhor o que realmente queria fazer – explica.Divulgação

O registro das manifestações que tomaram conta do país também é tema da produção 20 centavos, de Tiago Tambelli, que acompanhou as passeatas de Rua em São Paulo. A produção paulista será exibida da mostra fora da competição, O Estado das Coisas.

Eduardo Coutinho

A ausência de Eduardo Coutinho, um incentivador e personagem presente em quase todas as aberturas do evento, será marcante. Para Amir Labaki, fundador e diretor do É Tudo Verdade, este é um “festival de luto”: “Toda edição do É Tudo Verdade, no passado, hoje, no futuro, foi, é, e será sempre uma celebração de Eduardo Coutinho. A cada novo festival continuaremos tentando honrá-lo, como parte de seu intenso, imenso legado. Entre uma e outra baforada celestial, vele por nós, Coutinho”, afirma Labaki sobre o cineasta, morto em fevereiro, em depoimento emocionado na página oficial da mostra.

 Divulgação  A obra do documentarista será celebrada em uma homenagem especial, com a exibição dos inéditos Sobreviventes de Galileia, que mostra o retorno de Coutinho a Galileia quase 30 anos após o lançamento de Cabra marcado para morrer, e A Família de Elizabeth Teixeira, que mostra a personagem central de Cabra, agora com 88 anos.

O cineasta Leon Hirszman, expoente do Cinema Novo, também será lembrado com a pré‐estreia de Posfácio – Imagens do inconsciente. O longa‐metragem inédito, montado por Eduardo Escorel a convite do Instituto Moreira Salles, traz depoimento da psiquiatra Nise da Silveira, envolvida no processo de construção da obra de Hirszman Imagens do inconsciente, mais especificamente do episódio Em busca do espaço cotidiano, sobre Fernando Diniz e sua produção pictórica.

 Divulgação A retrospectiva brasileira vai homenagear Helena Solberg, diretora que tem como obra mais recente o longa-metragem A alma da gente (foto), lançado ano passado. Serão apresentados oito de seus filmes, além do longa As Aventuras de Helena – Para o É Tudo Verdade, versão especial do programa sobre a cineasta, dirigido por Betse de Paula e realizado especialmente para esta edição do festival. Ainda na área das retrospectivas, a versão internacional apresenta a obra documental de Shohei Imamura, considerado um dos mais importantes cineastas japoneses, diretor de Em Busca dos Soldados Foragidos na Malásia (1971), Karahuki‐San – A fabricação de uma prostituta (1975) e Os piratas de Bubuan (1972), que serão exibidos no festival.

Além das retrospectivas e homenagens, o festival conta, ainda, com competições de curtas, médias e longas-metragens, nacionais e estrangeiros. Segundo Amir Labaki, este é um ano de descobertas, já que muitos dos diretores das produções selecionadas nunca participaram do evento: seis dos sete longas nacionais concorrentes são dirigidos por realizadores que nunca disputaram o festival. O mesmo ocorre na competição internacional de longas.

As exibições, todas gratuitas, estão espalhadas pelas salas do Centro Cultural Banco do Brasil, no Centro; do Espaço Itaú de Cinema, em Botafogo; do Instituto Moreira Salles, na Gávea; e do Oi Futuro Ipanema. Veja aqui a programação completa, disponível no site do festival.