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Rio de Janeiro, 14 de junho de 2024


Cidade

Calor recorde e estiagem seguem por fevereiro

Lara Aleixo - Do Portal

05/02/2014

 Viviane Vieira

O verão mais quente dos últimos 30 anos no Rio – média de 37 graus, fora a sensação térmica não raramente em torno dos 50 graus – e a estiagem já preocupante – apenas nove dias de chuva em janeiro – vão se prolongar pelo menos até a primeira quinzena deste mês, projetam os meteorologistas. Eles descartam variações climáticas significativas no período, como a incidência de chuva, que segue remota.

Outro traço marcante deste verão, a espuma esverdeada na orla carioca, tende a dar uma folga aos banhistas. Ainda de acordo com especialistas, a redução da temperatura da água do mar, de 24 para 18 graus, diminui a chance da floração das algas causadoras da espuma. O fenômeno, flagrado por satélites da Nasa, a agência espacial americana, estendeu-se por 800 quilômetros na costa sudeste.

Mais preocupante revela-se a estiagem, especialmente pelo risco de apagão decorrente do baixo nível dos revervatórios. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o volume de chuva acumulado no mês passado foi de 58 milímetros, muito abaixo da média histórica de 202 milímetros. A meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo percebe uma mudança dos padrões observados nos últimos anos, causado por um sistema de alta pressão que bloqueia o avanço de frentes frias e reduz a velocidade dos ventos em grande parte do Sudeste. Segundo a especialista, o centro deste sistema está localizado no litoral fluminense, o que deixa o ar mais seco e impede o crescimento de nuvens carregadas, tornando-as menores e mais brancas. Na prática, significa muito calor e nada de chuvas de verão.

 Viviane Vieira Até 20 de fevereiro, nenhuma alteração significativa é prevista. A máxima seguirá em torno dos 40 graus e a sensação térmica deve beirar com frequência os 50 graus. Para o carnaval, as projeções são semelhantes.

O calor intenso, combinado à estiagem, aumenta o risco não só de transtornos energéticos mas associados também à saúde. Médicos e outros profissionais reiteram recomendações básicas, como o uso de filtro solar neste período em que a incidência de raios ultra-violeta (UV) ficam entre "alta e extrema"; evitar exercícios ao ar livre e banho de sol entre 10h e 16h e beber muita água para prevenir a desitratação e compensar os baixos índices de umidade do ar, que se tornam preocupantes abaixo de 30%, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Já tal espuma verde, que assustou banhistas em meados do mês passado, é inofensiva à saúde, asseguram especialistas. Trata-se de um fenônemo natural, que, segundo o gerente de qualidade da água do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), representa a floração de algas como as da espécie tetraselmis s. p. e mesodinium rubrum. A espuma resulta da combinação de vários fatores: alta insolação, mar calmo, ausência de ventos fortes e chuvas, elevada temperatura da água, nutrientes trazidos por correntes marítimas e despejo de esgoto nas praias contribuem.

Como as análises feitas pelo Inea não mostram produção de toxinas, deduz-se que o inquilino verde das praias cariocas é inócuo à saúde. O aumento da temperadura da água do mar – que retornou nesta semana aos 18ºC típicos das correntes de verão – reduz a chance de nova investida da espuma. 

O calor também mostra-se recorde na cidade de São Paulo:  foi o janeiro mais quente dos últimos 70 anos. Com o termômetro na estratosfera, o nível dos reservatórios de água da região despencou. A represa de Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira, responsável por 45% de atendimento da Região Metropolitana de São Paulo, registra apenas 22% da capacidade ocupada. O número assusta especialistas, que alertam para o controle do uso de água.