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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Economia

Microgeração ilumina rumo das energias limpas

Jana Sampaio - Do Portal

16/08/2013

 Arte: Maria Christina Magalhães

A busca por fontes de energia sustentáveis, que diminuam os riscos ambientais e aumentem a diversidade energética do país, impulsiona o promissor segmento de microgeração solar. Para o Gustavo Malagoli, coordenador técnico de esquisa e desenvolvimento de Furnas, o sistema é o mais indicado ao atual estágio tecnológico do Brasil e às exigências ambientais. "Além de não emitir poluentes nem produzir impacto socioambiental, esse tipo de geração é extremamente benéfico para o sistema elétrico, pois ajuda a aliviar a rede de abastecimento das hidrelétricas", argumentou o especialista em palestra da Mostra PUC, na quarta-feira passada.

Desde agosto o Rio tem uma casa com microgeração de energia. A iniciativa, uma parceria entre Furnas e Light, sustenta-se na instalação de placas fotovoltaicas no telhado da residência. Este projeto piloto, em Santa Teresa, é o primeiro a ser credenciado pela empresa após a resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que permite desconto na conta de luz quando o usuário utiliza energia renovável. O caso reflete, segundo Malagoli, a perspectiva de crescimento do sistema de micro e minigeração de energia elétrica, modelo pelo qual o consumidor passa a ter "uma função proativa na cooperação e no compartilhamento junto à distribuidora".

Regulamentadas há quase um ano e meio, as novas regras da Aneel pretendem incentivar a instalação de pequenos geradores que utilizem fontes renováveis como hídrica, solar e eólica. A energia gerada transforma-se em crédito e pode ser utilizada em até 36 meses. Mas, para se consolidar, o modelo ainda precisa de ajustes técnicos e legais.

O sistema de microgeração se baseia na instalação de painéis solares ou minitorres eólicas em residências e pequenas indústrias para geração complementar de energia elétrica. Com a regulamentação da Aneel, o consumidir continua a receber a energia fornecida pela distribuidora mas o medidor de sua casa também passa a contabilizar a potência gerada pelos painéis solares ou torres eólicas. O excedente vira crédito, a ser descontado na conta de luz. Pelo menos assim está previsto.

Mesmo com os avanços da política energética e os primeiros passos da microgeração, especialistas observam uma distância longa até o aproveitamento ótimo do potencial energético brasileiro. Algumas regiões do país têm, na avaliação de técnicos do setor, o dobro do potencial dos principais centros de geração solar na Alemanha, que concentra 33% do total deste tipo de energia utilizado no mundo.

Microgeração evita problemas de linhas de transmissão

Considerado um dos antídotos contra os problemas nas linhas de transmissão como os observados em parques de energia eólica – 19 deles estão parados há um ano e já somam prejuízos de mais de R$ 400 milhões –,  o sistema fotovoltaico encontrou na microgeração uma alternativa eficiente. Como a energia é produzida e consumida no local, torna-se praticamente imune a falhas de transmissão. Já no caso de unidades industriais maiores, Malagoli destaca a necessidade de “consonância” entre o empreender e os responsáveis pela obra:

– Não adianta ter um ponto com excelente radiação sem uma malha para conectar. Pois, se o terreno for muito longe da rede de transmissão, o projeto torna-se inviável e precisa recomeçar do zero.

 Caroline Góes Para o pequeno empresário e, sobretudo, o consumidor reseidencial, o custo ainda relativamente alto de implantação dos painéis dificulta a disseminação da tecnologia. O retorno do investimento vem, segundo especialistas, entre seis e 10 anos depois da instaçação. Malagoli acredita, no entanto, que a possibilidade de financiamento possa tornar a microgeração mais acessível:

– A agenda setorial permitiu que o sistema fotovoltaico fosse financiado pela Caixa Econômica. Essas ações paralelas facilitam o acesso à tecnologia e o financiamento incentiva o desenvolvimento da microgeração.

Energia fotovoltaica obedece a exigências ambientais

O sistema fotovoltaico, diferente da energia eólica e hidrelétrica, possibilita a escolha do local em que será alocado, evitando desmatamentos e deslocamento de comunidades ribeirinhas, por exemplo. Em razão do vasto território nacional e por se tratar de uma energia “móvel”, basta implantá-la no espaço com maior incidência de sol e próximo a uma rede de transmissão. Malagoli reitera que as “piores regiões” para se explorar energia fotovoltaica no Brasil são "duas vezes melhores" que as áreas exploradas na Alemanha:

– No Brasil temos um potencial enorme e podemos transformar a energia solar em energia elétrica. Tanto do ponto de vista da distribuição centralizada quanto da geração distribuída, ocorrendo a partir da utilização nas residências, que pode gerar 10% do total consumido.

Ele acrescenta que, para seguir em expansão no país, o mercado de energia necessita de mão de obra especializada:

– Por ser uma tecnologia em desenvolvimento, ainda não há profissionais qualificados que atendam à demanda. O aquecimento do mercado gera uma janela de oportunidades, inclusive, aos recém-saídos da universidade.

De olho nesse mercado crescente, universidades já investem em cursos de pós-graduação voltados para o setor de energia fotovoltaica. A capacitação envolve também o desenvolvimento de projetos, em parceria com o mercado, de pesquisas e projetos associadas a energia solar, como o da PUC-Rio.