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Rio de Janeiro, 13 de julho de 2024


Cidade

Brasileiros e estrangeiros se mobilizam para a Jornada

Jana Sampaio e Rafaella Nogueira - Do Portal

19/07/2013

 Arte: Rodrigo Serpellone

Com a proximidade da Jornada Mundial da Juventude, que começa oficialmente na próxima terça-feira, 23, as expectativas e os preparativos se intensificam e tomam forma na reta final do evento. A jornada, que está em sua 28ª edição, será realizada pela primeira vez em solo brasileiro, e mobilizará cerca de 1,5 milhão de pessoas de diversos estados e países. Entre os peregrinos, 60 mil são voluntários, dos quais 7.500 estrangeiros de mais de 130 países, que atuarão em diversas frentes para que ocorra tudo conforme o planejado. O Portal acompanhou os bastidores do último encontro preparatório dos voluntários da Paróquia da Ressurreição, em Ipanema, e a chegada de 60 voluntários estrangeiros, esta semana. A expectativa para o maior evento da juventude católica do mundo, e com a presença do novo papa, faz com que contem os dias para o início da Jornada.

“Religião não é coisa de gente bitolada”

A coordenadora de voluntariado da Paróquia, Tamiris Pussente, considera que o fator que une os voluntários e os peregrinos na mobilização pré-jornada é o amor de Cristo. – É difícil conseguir conciliar as atribuições do dia a dia às atividades da JMJ, mas o amor de Deus é capaz de fazer com que as pessoas doem seu tempo e queiram participar.

A jovem de 21 anos espera que, com a JMJ, o “Brasil acorde e entenda que religião não é coisa de gente bitolada”, e que os católicos despertem para o propósito da Jornada, de encontrar Deus. Segundo ela, com o anúncio de que a JMJ seria no Rio, muitas pessoas que não eram católicas praticantes voltaram a se interessar por ações da igreja:

– O evento contribuiu para que os jovens descobrissem o desejo de servir. É muito importante que a juventude esteja dentro da Igreja. O nosso papel é promover a renovação da Igreja.

Participante ativo das programações da paróquia desde a infância – foi coroinha, deu aula de catequese e participa de um grupo jovem –, o coordenador geral da paróquia, Eduardo Tavares, nunca esteve numa Jornada, mas Francisco será o terceiro papa que verá pessoalmente:

– Estou muito feliz com a vinda do papa Francisco ao Brasil. Será a terceira vez que estarei perto de um pontífice. Na visita do João Paulo II ao Rio, em 1997, assisti à missa realizada por ele no Aterro do Flamengo. Dez anos depois foi a vez de conhecer Bento XVI, na Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em São Paulo. Rafaella Nogueira

 

Para Felipe Fonseca, um dos 137 voluntários da paróquia, a visita do pontífice ao Brasil tem um grande significado.

– O Brasil é o país com mais católicos da América do Sul, e a vinda de um papa carismático, como o recém-eleito Francisco, incentiva os jovens a serem mais ativos e participativos na comunidade católica – afirma Felipe, que, atuará na estação de metrô Cantagalo prestando informações aos peregrinos.

“Somos a geração que irá cuidar da Igreja”

Sem fronteiras, o clima de expectativa e animação contagia os cerca de 60 voluntários estrangeiros que chegaram nesta segunda e terça para o treinamento na semana que antecede a JMJ, na Paróquia da Ressurreição. O desejo de servir na Jornada e a vontade de conhecer o papa Francisco fizeram com que muitos viessem sozinhos e pela primeira vez ao Brasil. O iniciante em jornadas Jorge Elores diz que as expectativas não poderiam ser melhores. Em sua primeira viagem ao país, o estudante mexicano, de 18 anos, diz se sentir em casa e animado para o evento:

– Há dois anos, um primo foi à JMJ em Madri e me contou sua experiência. Na época eu não era católico praticamente, mas seu depoimento tocou meu coração e decidi participar este ano.

A inglesa Natalie Agulmang encara a experiência como uma forma de fortalecer sua fé:

– É a primeira vez que venho a uma Jornada, e decidi me voluntariar para estar em contato com outros jovens católicos. Nós somos a geração que irá cuidar da igreja, é preciso um maior envolvimento com a instituição.

Para o alemão Konrad Schaller, que participará de sua 3ª JMJ, a expectativa não é menor que nas edições anteriores:

– Sempre fui envolvido com o meio religioso, mas em razão dos estudos acabei me afastando. Estou muito animado para esta edição, pois será uma forma de me reaproximar da Igreja. Estar em contato com outros jovens e poder ajudar os peregrinos é o que faz essa experiência ser única.

Entre os voluntários, é unânime a aprovação da escolha do papa Francisco como sucessor de Bento XVI. Para eles, é preciso estabelecer um diálogo com a juventude, e ele tem uma linguagem simples e convidativa. Para Konrad, o novo papa representa esperança:

– Não sei se ele de fato conseguirá resolver os problemas da Igreja Católica, e atuar em questões como pobreza e educação. Mas ele parece ser humilde e aberto ao diálogo.

A JMJ é vista como uma excelente oportunidade de levar os jovens para a Igreja: "É necessário que a igreja esteja aberta a ouvir esses jovens, e não julgar seus estilos de vida", afirma Konrad. Natalie completa:"A vinda do papa para a JMJ faz com que se crie uma ponte entre a igreja e os jovens".

Organização Pré-Jornada

Os peregrinos serão alocados em dez regiões previamente divididas por idiomas (veja o mapa), facilitando, assim, a chegada à igreja que realizará a catequese, localizada próxima aos alojamentos. A Paróquia da Ressurreição, em Ipanema, será um dos pontos de hospedagem. O local receberá cerca de 60 peregrinos e realizará reuniões de catequese nos dias 24, 25 e 26 de julho. Para que os jovens possam acompanhar as missas e as reuniões, os textos serão lidos em português e traduzidos para francês e polonês, idiomas dos peregrinos. Para facilitar a comunicação, os voluntários que falam inglês estarão reservados para fazer a acolhida aos jovens. Os coordenadores da JMJ na paróquia esperam cerca de mil peregrinos durante a catequese.

Uma das dificuldades encontradas pelo coordenador de hospedagem, Felipe Tavares, foi o receio das pessoas em abrigar os peregrinos. Rafaella Nogueira

– Em dezembro do ano passado tínhamos apenas cinco famílias inscritas como famílias acolhedoras. Durante dois meses foram feitas atividades para informar e incentivar o acolhimento a fim de reverter o quadro. Desde então conseguimos aumentar o número de vagas de peregrinos na paróquia.

Serão oferecidas vagas em escolas, paróquias, casas de família e instituições militares e religiosas. Entre as casas de família, algumas são localizadas em favelas pacificadas, como Vidigal, Providência, Borel, Dona Marta e Rocinha. Esta última receberá cerca de 600 peregrinos.

Mesmo com os percalços, Felipe está otimista e contente com a adesão dos jovens:

– Com a mobilização da Jornada, podemos ver que os jovens da Igreja estão cada vez mais unidos. Vai ser uma experiência única.

O coordenador geral da Paróquia, Eduardo Tavares (em pé, de azul, na foto acima), conta que os preparativos para a JMJ começaram há um ano. O número de pessoas inscritas no voluntariado foi crescendo gradativamente, conforme a proximidade ao evento.

– Nosso maior problema foi a perda dos prazos na entrega de documentação e no pagamento da taxa de inscrição. Nesta segunda, 15, a paróquia recebeu 60 voluntários que trabalharão como tradutores. Recebi a notícia por email, dia 11. Corremos para preparar a infraestrutura necessária para recepcioná-los.

O coordenador conta que há vários preparativos pré-jornada, para que os peregrinos consigam enfrentar os 13 quilômetros de caminhada. São feitas trilhas, caminhadas e esportes masculinos e femininos. Como forma de atrair o público alvo para a igreja, Eduardo e outros participantes do grupo jovem da paróquia fazem sua busca na noite carioca.

– Queremos aproveitar a animação dos jovens e atraí-los de vez para a igreja. Todo ano temos um encontro com a juventude católica e fazemos a divulgação diretamente nas portas de casas de shows e boates – conta.

Na PUC-Rio, Encontro Inter-Religioso

 Carlos Serra Neste domingo 21, segunda 22 e quarta 24, serão realizados eventos relacionados à JMJ na PUC. O primeiro será um Encontro Inter-Religioso, que terá a presença de Dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro; do presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro, Jayme Salomão; e do sheik Jihad Hassan, integrante da União Nacional Islâmica da Comissão de Teólogos Islâmicos. A tolerância religiosa e a participação do jovem no meio religioso serão abordadas, assim como a justiça social e a promoção da paz. O evento, inédito na história das Jornadas Mundiais da Juventude, será no Auditório Padre Anchieta, das 9h às 13h.

Membro da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso da Arquidiocese do Rio, o diácono Nelson Augusto Santos Águia, conta que o diálogo entre judeus, católicos e muçulmanos é fruto de uma iniciativa que surgiu há cerca de um ano e meio, como forma de criar um diálogo entre líderes religiosos e jovens.

– Cerca de 200 jovens das instituições participantes irão ao encontro. Nossa intenção é realizar outros encontros e elaborar uma pauta em forma de compromisso para enviar ao Vaticano.

Entre as iniciativas propostas pelo grupo está a criação de ações sociais. Para isso, após a JMJ os participantes devem se reunir novamente para fazer um balanço sobre essa primeira experiência.

– É um forte desejo nosso criar ações sociais que promovam visitas a asilos e creches, além de ações ecológicas, como o plantio de árvores.

Quanto à participação dos jovens na JMJ, o diácono espera que eles continuem ativos após o evento:

– Precisamos atingir a juventude independentemente da religião. Nosso desejo é criar pontes, e não construir muros.

Ainda na PUC-Rio, na manhã de segunda-feira 22, se realizará a Conferência de Sustentabilidade, no RDC, com a presença do Ministro do Meio Ambiente italiano, Andrea Orlando, do arcebispo do Rio, Dom Orani, e reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, e do presidente do Pontifício Conselho para Leigos, cardeal Stanislaw Rylko, com o lançamento do Guia Ecológico da PUC-Rio.

Na quarta feira, 24, no Ginásio, o Movimento Eucarístico Jovem apresentará o testemunho de quatro jovens do Movimento de diferentes continentes. O objetivo é unir os jovens e convidá-los a viver uma representação simbólica dos elementos da Eucaristia, por meio de oração, gestos e partilha. O encontro será das 16h às 19h.

Assista também: Famílias católicas abrem suas casas para fiéis de todo o mundo que chegam para a JMJ.