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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2024


Cultura

Machado, intérprete do Brasil

José Augusto Martini - Do Portal

23/09/2008

 Paula Giolito

Romancista, cronista, dramaturgo, jornalista e poeta são algumas das facetas de Machado de Assis. Para homenagear o centenário da morte de um dos principais autores brasileiros, o Departamento de Letras da PUC-Rio, em parceria com o Globo Universidade, promoveu o Seminário Machado de Assis (1908-2008). “É possível ressaltar detalhes extraordinários em Machado. Ele representa a perda de inocência do brasileiro. Ele problematizou o Brasil e trouxe para a escrita nacional personagens mais próximos da nossa realidade que os românticos”, disse o escritor e crítico literário Silviano Santiago, palestrante do segundo dia do seminário.

Silviano Santiago acredita que Machado era único e ainda hoje é uma referência. “Atualmente, diversos autores trazem essa problematização. Se tivesse surgido no século XX ele estaria ao lado de outros autores, mas no seu tempo era único”, afirmou. A cada página da obra de Machado o leitor tem que lidar com suas próprias emoções. Para Santiago, Carlos Drummond de Andrade foi um dos leitores que mudou sua percepção da obra machadiana com o tempo. “Drummond falou horrores de Machado e ao final de sua vida escreveu um lindo poema que fala da obra de Machado”.

Ao falar da omissão dos teóricos da literatura pela vida de Machado, Silviano Santiago assumiu uma mea culpa: “Falta uma biografia de Machado, nos importamos muito com o texto e pouco com o autor. Isso nos falta e é uma pena, pois ele é seu melhor personagem”. Ao ser questionado sobre a possibilidade dele mesmo escrever uma, disse que estava velho demais: “Isso é trabalho para um jovem, a pesquisa será imensa e a recompensa material a curto prazo será quase nula”. Para a professora Margarida Neves, conferencista do seminário, ler Machado é uma experiência necessária para brasileiros e não brasileiros: “Ele interpreta o Brasil”.

O segundo dia do seminário contou ainda com a premiação do Concurso Machado de Assis (1908-2008). O concurso foi dividido em três categoria: ensaio – para estudantes de graduação e pós-graduação -, texto e audiovisual – para alunos de escola. “Muito mais do que preservar a memória de Machado esse evento tem a pretensão de ativar sua memória”, afirmou Julio Diniz, diretor do Departamento de Letras da PUC-Rio, ao entregar o certificado de premiação aos vencedores. O diretor ressaltou ainda a importância do diálogo entre o colégio e a universidade.

Confira os vencedores do Concurso Machado de Assis (1908-2008)

Alunos de graduação e pós-graduação da PUC-Rio

Categoria Ensaio
1º lugar: Debate sobre a cegueira - Machado de Assis e o realismo filosófico , de Guilherme Sarmiento da Silva, Departamento de Letras
2º lugar: Viagem à roda de Machado , de Leonardo Vieira de Almeida, Departamento de Letras
3º lugar: Variando com Machado , de Sueli Rios e Silva , Departamento de Letras

Escolas de Ensino Médio

Categoria Texto
1º lugar: A respeito dos copos, de Carolina Groetaers dos Santos, Argumento Colégio e Vestibulares
2º lugar: Capitu traiu ou não seu marido Bentinho?, de Beatriz Barbosa Libonati da Silva, Colégio Pedro II
3º lugar: Meu caro Santiago, de Júlia Guimarães Olival, Colégio Notre Dame

Menção Honrosa
O penúltimo capitulo, de Olívia Fernandes Rodrigues, Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais Escola do CEPE Ltda.
O purgatório, de Agatha Lopes Tommasi Oliveira, Colégio Gay Lussac

Categoria Audiovisual
1º lugar: Bruna Regis Iannelli, Colégio Pedro II
2º lugar: Felipe Sérgio Lisbôa Silva, Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais Escola do CEPE Ltda.