Projeto Comunicar
PUC-Rio

  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram

Rio de Janeiro, 24 de julho de 2024


Mundo

Caminhos para a paz no novo jogo de forças mundial

Artur Romeu - Do Portal

08/09/2008

 Artur Romeu

Estudar redes de contrabandos internacionais. Lidar com o choque cultural de diferentes civilizações. Entender os novos tipos de conflito que surgirão com a emergência de outras potências e o fim da unipolaridade mundial. Sob a ótica da segurança, o “Seminário Internacional: segurança e insegurança em debate”, realizado pelo Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI), antecipou os futuros desafios para área. Professor da Universidade de Brasília (UnB), Alcides Costa Vaz ressaltou que as políticas devem se ajustar aos embates decorrentes do fim da unipolaridade e da hegemonia dos Estados Unidos: 

– Os países emergentes vão entrar no jogo com força política. O que aconteceu recentemente entre a Rússia e a Geórgia foi uma disputa de influência. É primordial que as políticas de segurança se adaptem aos novos conflitos, à briga por territórios e pelo aumento de fronteiras vão voltar às agendas.

Realizado no Salão da Pastoral Universitária, o debate – em inglês – reuniu cerca de 50 pessoas, entre pesquisadores, professores e estudantes. Os palestrantes apresentaram diferentes visões de políticas domésticas e internacionais. Propuseram, em geral, reflexões mais aprofundadas sobre o novo esquadro de forças mundiais.  Especialista em controle de armas de fogo da ONG Viva Rio, Pablo Dreyfus salientou a importância do conceito de segurança transnacional na América Latina e da implementação de disciplinas sobre o tema:

– As armas usadas pelo tráfico no morro do Pavão-Pavãozinho, por exemplo, passaram por seis a dez fronteiras diferentes antes de chegar às mãos dos bandidos. É necessário compreender que não se pode falar de segurança pública sem falar de segurança transnacional.

Para o secretário municipal de Prevenção à Violência de Nova Iguaçu e ex-secretário da Segurança do Rio de Janeiro, Luiz Eduardo Soares, é essencial incorporar, às demandas internacionais, o empenho em construir avanços para a segurança nacional. Ele destacou que o Brasil registra 45 mil assassinatos por ano, contra 7 mil nos Estados Unidos e mil no Japão.

– É preciso melhorar o sistema de informações. Sem informações precisas, sem inteligência, não há diagnósticos e os mecanismos de controle ficam prejudicados – avaliou Soares. Segundo ele, o índice de mortalidade chega, em alguns lugares do Rio, a 300 por mil para o grupo de jovens negros e pobres. "Não é demais falar em genocídio".

A professora Pinar Bilgin, da Universidade de Bilkent, na Turquia, afirmou que um dos principais antídotos contra a violência, interna e externa, é o diálogo. Outra arma contra a insegurança mostra-se a compreensão dos processos de identidades:

– A ordem está se impondo “de dentro para fora” na sociedade. A busca de identidade interna de um país influencia nos diálogos externos. O papel da religião, por exemplo, é determinante na nossa região. Choques culturais e poucos diálogos criam um ambiente propício à insegurança.

A diretora do cursos de Relações Internacionais da PUC-Rio, Monica Hertz, também enfatizou a necessiadde de se discutir os rumos do planeta para resguardar a segurança:

– Nosso objetivo é discutir as mudanças no cenário mundial para trazer novas reflexões para o campo da segurança pública e internacional.

Patrícia Santiago, estudante de Geografia na UERJ, integrava um grupo de cinco colegas da faculdade que veio à PUC-Rio para o seminário. Ela acredita na interdisciplinaridade como um caminho fundamental para a busca de políticas comprometidas com a paz:

– O estudo das políticas de segurança está diretamente ligado à geografia. É muito importante este tipo de iniciativa.