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PUC-Rio

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Rio de Janeiro, 13 de julho de 2024


Campus

Geração Y é família, indica pesquisa de publicidade

Maria Christina M. Corrêa - Do Portal

13/06/2013

 Marianna Fernandes

Pesquisa realizada por alunos de publicidade e propaganda da PUC-Rio revela o perfil da Geração Y, jovens com idade entre 18 e 29 anos, cerca de 20 milhões de pessoas no Brasil: acostumados a ter o que querem, almejam salários ambiciosos, trocam de emprego com frequência e vivem em um meio de crescente individualismo e extrema competição. A pesquisa, com cem alunos de diferentes cursos da universidade, foi realizada por alunos da disciplina Pesquisa de Mercado, orientados pela professora Claudia Pereira, integrando a mostra JVTD é apenas uma palavra, que ocupa os Pilotis do Kennedy esta semana com uma série de atividades relacionadas ao tema (Leia mais sobre a JVTD em Juventudes em palavras, imagens e experiências).

Os entrevistados eram jovens da faixa etária entre 17 e 25 anos, dos cursos de administração, comunicação social, design, direito, economia, engenharia e psicologia, abordados no campus. O questionário aplicado abordava temas como tempo livre, futuro profissional e familiar, saúde e sustentabilidade.

Família: 78% a consideram o valor mais importante

Para a professora Claudia, o resultado mais surpreendente foi o que revela a família como um dos valores mais votados como importante para o indivíduo, seguido de felicidade, e caráter, com 72% e 71%, respectivamente, enquanto o dinheiro ficou em 6º lugar, com 48%. O futuro familiar ainda é uma das maiores preocupações dos jovens para daqui a 10 anos,  de acordo com 25% dos entrevistados, ficando atrás apenas de futuro profissional, que teve 36%.

Números demonstram que os integrantes dessa geração gostam de estar cercados de pessoas queridas, uma vez que estar junto aos amigos e à família foram os mais marcados como atividade preferida para o tempo livre:

– A pesquisa revelou que o convívio com os pais é algo muito valorizado por estes jovens. Em seu tempo livre, o que eles mais desejam é estar junto deles, e não só dos amigos – destaca Claudia.

Trabalho em equipe, valores individuais

Preocupados em ter boa remuneração salarial no começo da carreira, além do reconhecimento em sua profissão, os entrevistados demonstraram interesse em serem autônomos. Cerca de 54% dos entrevistados se demonstraram autoconfiantes ao declarar que se identificam e estão suficientemente esperançosos com a Geração Y, liderando o mercado daqui alguns anos.

A pesquisa indica que, apesar de o jovem ser individualista, não quer trabalhar sozinho, mas está consciente de que, para o convívio no coletivo, os valores mais importantes são os individuais, como caráter, ética e justiça, que receberam 39%, 26% e 15% dos votos, respectivamente. E entendem que tais valores têm reflexo direto na sociedade e que cabe a cada um ter ou exercer.

Em busca da felicidade

Homens e mulheres se declaram igualmente felizes, com 51% dos entrevistados marcando nível 4 e 26% assinalando a opção 5, sendo este o mais nível alto e 1 o mais baixo. Das 23 pessoas que marcaram felicidade como o valor mais importante para o indivíduo, dez definiram seu nível de felicidade como 4, e nove delas marcaram como 5. O que significa que as outras quatro pessoas, mesmo considerando como valor mais importante, não se consideram felizes e ainda estão em sua busca.

Maioria diz faltar tempo livre

  Arte: Marianna FernandesOs alunos de comunicação foram os que mais consideraram não ter tempo livre suficiente, seguido dos alunos de direito e administração, enquanto os alunos de engenharia afirmaram ter tempo livre para atividades de lazer. Esse recorte pode significar que sabem administrar melhor suas tarefas. Mulheres, apontadas como mais organizadas que os homens, não consideraram ter tempo livre suficiente, enquanto os homens disseram ter o bastante. 

Muito tecnológicos, os integrantes dessa geração passam tanto tempo online que não consideram mais ficar no computador uma atividade de lazer, resultado de horas diárias passadas em frente ao computador devido ao trabalho ou aos estudos. Reuniões de família e encontro com amigos passaram a ser as atividades classificadas como mais importantes no momento de lazer, que mostra que o contato com as pessoas está se tornando raridade e uma idealização de momento perfeito. E dormir não está mais só associado a descansar, mas também a aproveitar o tempo livre. (leia também o perfil do executivo de 21 anos que administra jornada tripla)

Pouca consciência sobre bebidas alcoólicas

Dos entrevistados, 78% consideraram fundamental ter uma boa alimentação para ter saúde. A prática de exercícios físicos foi igualmente identificada por homens e mulheres como de muita importância para ter uma vida saudável. Mesmo os jovens não exercendo, sabem da importância da boa alimentação, exercício físico e sobre os perigos do cigarro. Para as mulheres, evitar o consumo de bebidas alcoólicas é mais importante do que para os homens, mas, mesmo assim, foi a iniciativa menos citada para se manter saudável, indicando pouca consciência com relação à bebida, causa de acidentes e brigas. Como já era de se esperar, homens demonstraram maior desinteresse por tratamentos estéticos; a novidade foi que as mulheres também disseram considerar de pouca importância, característica que pode ser atribuída à faixa etária, que ainda não sente necessidade de se preocupar com problemas de pele e cremes para rugas, por exemplo.  Arquivo

Com relação ao futuro do planeta, quase metade dos entrevistados, 49%, afirmaram tomar atitudes sustentáveis, possível resultado das campanhas de preservação do meio ambiente, enquanto apenas 14% dos jovens declararam não tomar nenhuma atitude. 

As características da geração Y estão presentes independentemente de sexo, idade ou curso. Traços da pesquisa reforçam o perfil da geração, como a preocupação em ser bem-sucedido profissional e financeiramente, além do interesse em construir a carreira em diversas empresas. Mas o resultado surpreendeu aqueles que veem um estereótipo dos jovens desta geração:

– Há muitas “verdades” que se reproduzem nos diversos discursos de nossa sociedade sobre os jovens, e os resultados mostram que ela não corresponde ao que pudemos observar. Por isso, se partirmos do ponto de vista deste discurso reducionista, generalizante, que descreve o jovem de 20 e poucos anos como consumista, exageradamente conectado, individualista, alienado, despolitizado, sem perspectiva e distante dos valores mais tradicionais, podemos nos surpreender com alguns resultados – avalia a professora.

Claudia acredita que a maior dificuldade em orientar seus alunos foi fazê-los perder a timidez e abordar os colegas para responder ao questionário:

– São alunos do 4º período e nunca haviam tido experiência com este tipo de atividade. Além disso, sendo eles também jovens e potenciais entrevistados, foi um desafio fazer com que se distanciassem e olhassem as questões de fora, elaborando perguntas imparciais. Mas tudo aconteceu muito bem, e acredito que a experiência tenha sido bastante interessante para eles também.

A pesquisa, apresentada em um dos painéis da exposição, foi aprovada pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, que celebrou a missa de abertura, e pelo reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira.