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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Legado de 68 à mostra no Museu da República

Gustavo Coelho - Do Portal

20/08/2008

Faça amor, não faça guerra. Seja realista, peça o impossível. Uma barricada fecha uma rua, mas abre um caminho. Lemas de uma geração que viveu intensamente um dos períodos mais conturbados da história e colaborou para transformações sociais importantes. Seu legado renova-se na mostra “68 – eles que tanto amavam a revolução”, em cartaz no Museu da República até o dia 3 de setembro. A exposição faz parte do projeto Memória do Movimento Estudantil, criado há quatro anos, do qual a jornalista Carla Siqueira é uma das idealizadoras.A professora do Departamento de Comunicação da PUC-Rio ressalta que a mostra tem o papel fundamental de recuperar o protagonismo político dos jovens de 68:

- O objetivo é não só resgatar aquele ano paradigmático, mas lembrar a importância da atuação política dos jovens. A exposição mostra como o ano de 68 foi intenso, com acontecimentos que abalaram o mundo. E os estudantes tiveram papel de protagonistas.

O ano de 68 foi marcado por rebeliões de jovens na França, nos Estados Unidos e no Brasil, entre outros países (leia mais abaixo). Em comum, lutavam pela liberdade – política, cultural ou sexual, por exemplo. A busca pela igualdade social foi outro ponto que uniu jovens de várias partes do mundo, cuja determinação, observa Carla, mantém-se exemplo para as novas gerações:

- Um dos lemas era “o agressor não é aquele que se revolta, mas o que se conforma”. A mensagem principal é esta: não conformismo. Em 68, havia muita movimentação por soluções. No Brasil, os jovens tiveram grande importância na luta contra a ditadura.

O mundo não vive mais um período de efervescência como em 68. Isso não significa que os jovens devem ficar de braços cruzados, ressalva a professora. Na opinião dela, a sociedade continua longe do ideal:

- Há muito a corrigir. A injustiça social, a violência, o medo e o preconceito continuam forte. A principal luta é não sucumbir à desumanização da sociedade, não se tornar insensível às questões do nosso tempo.

A mostra “68 – eles que tanto amavam a revolução” está aberta ao público de terça a sexta-feira, das 12h às 17h; e aos sábados, domingos e feriados, das 14h às 18h. O ingresso custa seis reais. Estudantes pagam meia. Maiores de 65 e menores de 10 anos entram gratuitamente. Às quartas e aos domingos, todos os visitantes têm entrada franca. O Museu da República fica na Rua do Catete, 153.

Protestos pelo mundo

França: Série de greves estudantis desencadeia um dos movimentos sociais de maior impacto do século XX. Estudantes fecham a tradicional Universidade de Paris em protesto contra a burocracia e a discriminação de classes na França. A luta pela igualdade, pela liberação sexual e pelos direitos humanos entra em choque com a sociedade conservadora.

México: No dia 2 de outubro, estudantes aproveitam a realização dos Jogos Olímpicos na Cidade do México para reivindicar a liberdade de presos políticos e protestar contra a rigidez do governo de Gustavo Díaz Ordaz. As manifestações são violentamente reprimidas e terminam com a morte de cerca de 300 pessoas, mas a revolta ficaria marcada.

República Checa: Durante a Primavera de Praga, os estudantes se engajam na reforma política de Alexander Dubcek, com o objetivo de acabar com o autoritarismo e o despotismo do governo. Depois que a revolução é esmagada pela União Soviética, o jovem Jan Palach comete suicídio ao atear fogo ao próprio corpo para protestar e fica marcado como um mártir na luta pela liberdade no país.

Estados Unidos: Inspirados em artistas como Bob Dylan, jovens lançam o movimento de contracultura, que inaugura a era dos hippies. O movimento contra a Guerra do Vietnã ganha as ruas do país e é fundamental para a retirada dos Estados Unidos do país asiático, anos depois.

Brasil: Estudantes lideram protestos para derrubar a ditadura militar. Manifestações como a Passeata dos Cem Mil se tornam marcos da luta contra a repressão. O assassinato do estudante Edson Luís acirra os ânimos da classe estudantil, que entra em choque com a polícia em mais de uma oportunidade. No fim do ano, o governo edita o A1-5 para tentar conter as manifestações.