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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Campus

O futuro do Brasil em pauta

Guilherme Costa - Do Portal

22/08/2008

 Joana Medina Uma análise otimista sobre o futuro do Brasil tomou conta do ginásio da PUC-Rio em uma série de debates envolvendo estudiosos, profissionais da mídia e da política. Com o objetivo de discutir a situação atual do país e o que se deve buscar para os próximos 20 anos, o “Brasil + 20”, organizado em uma parceria da Empresa Júnior com a Associação dos Antigos Alunos da PUC-Rio e o Instituto Millenium, reuniu cerca de mil  pessoas interessadas em assistir às discussões divididas em três painéis mediados pelo jornalista e apresentador Pedro Bial.

“É preciso parar um pouco de reinventar a roda e aprender”, enfatizou o antropólogo e professor da PUC-Rio Roberto DaMatta, que ressaltou a importância do estudo para que se possa compreender o mundo de hoje. Autor do discurso mais bem recebido pela platéia, que em diversos momentos o aplaudiu, DaMatta afirmou que as falhas no sistema de educação do Brasil têm raízes na história do país.

“Há um ranço aristocrático que permeia a sociedade brasileira. Acontece que nós temos alguns dilemas que são dilemas fundamentais. Não tem educação. Como é que você queria que tivesse educação numa sociedade aristocrática? Você vai educar os escravos? Fazer uma escola pros escravos ficarem sabendo mais do que os seus filhos? Complicado”, explica o professor,  precedido pelo discurso do jornalista Guilherme Fiúza. Ele disse que “temos que tomar cuidado com o excesso de sociologia, pois ela pode acabar matando o indivíduo”, em uma declaração com cara de provocação, trazendo mais polêmica que conteúdo.

Outro personagem de presença determinante nas discussões foi o diplomata Roberto Abdenur, que trouxe sua experiência como ex-embaixador do Brasil em países como Estados Unidos, China e Equador. Com um discurso bastante otimista, Abdenur dividiu com os presentes os planos que o país tem, com a Argentina, de reproduzir na América do Sul um projeto de integração seguindo o exemplo da União Européia, e buscou explicar a crise recente do Brasil entre os países vizinhos.

“O Mercosul enfrenta dificuldades, por causa de situações de instabilidade surgidas em anos recentes em alguns de nossos vizinhos. E essas situações se traduzem, por vezes, em atitudes ou políticas, internas ou externas, que criam dificuldades entre os países, ou em relação ao Brasil”, explicou Abdenur. O diplomata se mostrou preocupado com o caminho que Hugo Chavez tem percorrido, criando uma ditadura personalista e um socialismo mal definido e disse não ter dúvidas de que, em 20 anos, o Brasil poderá contar com uma América do Sul muito mais articulada e coesa que a de hoje.

“Essas dificuldades serão superadas na medida em que cada país chegue a uma formatação definitiva, alcance um nível de estabilidade que contribua para uma maior integração da região”, previu Abdenur, que também defende para o país uma política de paciência e generosidade estratégicas com seus parceiros, sem perder a visão do longo prazo, mas tratando de conduzir as questões do dia-a-dia, com uma mistura adequada de firmeza e flexibilidade.

Também presente em um dos ciclos do “Brasil + 20”, o secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, fez uma análise da violência na capital. O secretário alertou para a triste situação em que se encontra a cidade, que já conta com cerca de 1500 favelas, todas controladas pelo poder local, e que tem em sua geografia mais um problema. “Tráficos dominam os morros e brigam pelo poder, onde as pessoas estão em suas casas, morando. Esta é uma característica do Rio de Janeiro. Não temos isso em outras cidades.”

Promessa de metrô na Barra da Tijuca

Em entrevista exclusiva, após uma participação com teor próximo ao de uma campanha eleitoral, o vice-governador Luiz Fernando Pezão disse que uma das preocupações da gestão atual é a provável falta de mão-de-obra qualificada para os próximos anos. “Acho que é um momento único para o Estado estar pensando cada vez mais em sobrar dinheiro pra gente poder investir em educação. É um momento que o Rio vive que vai faltar mão-de-obra especializada, formação técnica, e esse é um gargalo, e tem sido uma das prioridades do governador”, explicou Pezão, que em seguida deu um prazo de seis meses para o início das obras que levarão o metrô a Itaboraí e a Barra da Tijuca.