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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Esporte

Aluna da PUC-Rio quer surpreender nos Jogos

Gustavo Coelho - Do Portal

08/08/2008

Vôlei, futebol, vela, hipismo, judô, natação, atletismo. Enquanto estas modalidades carregam grande parte da esperança brasileira de medalha nos Jogos de Pequim, a jovem Lara Teixeira corre por fora. Contra as estatísticas, a história e os adversários, a estudante da PUC-Rio quer incluir o nado sicronizado nacional no mapa olímpico.

Nas piscinas chinesas, Lara faz dupla com Nayara Figueira na China. São as únicas representantes do Brasil no nado sincronizado. Apesar dos 20 anos, Lara considera-se uma atleta experiente – no Pan-Americano de 2007, conquistou a medalha de bronze, ao lado de Caroline Hilderbrandt. Seu inimigo é a ansiedade:

– Já caiu a ficha que me classifiquei, mas agora a ansiedade começa a bater. Estamos muito animadas porque tivemos bons resultados nas competições preparatórias. No Aberto de Roma, por exemplo, terminamos em quarto lugar. Isso dá um ânimo a mais. Nossa medalha será ficar entre os dez melhores duetos.

Aluna do terceiro período de Administração da PUC-Rio, Lara tenta conciliar os deveres acadêmicos com os treinos diários. Rotina que se intensificou com a proximidade da Olimpíada:

– Treinamos forte para representar bem o Brasil. O pódio é um sonho difícil, mas ficar entre as melhores já é uma vitória.

Lara tinha 4 anos quando conheceu o mundo dos esportes. Fez natação, balé e ginástica. Até ficar intrigada com os treinos de nado sincronizado que observava na piscina do Tijuca Tênis Clube. Aos oito anos resolveu experimentar, e se apaixonou. Começava a carreira cujo climax se aproxima.

Na Olimpíada de Pequim, Lara e Nayara vão enfrentar 23 dos melhores duetos do mundo na modalidade. Depois das primeiras apresentações, 12 se classificam para a fase final.

As brasileiras têm de cumprir duas rotinas: livre e técnica. Na rotina livre, vão nadar ao som do frevo, para entusiasmar os jurados e levantar o público. Na rotina técnica, que segue algumas regras estabelecidas pela organização, elas serão acompanhada de música retirada de um show romeno. “Um som forte, para contrastar com a animação do frevo”, justifica Lara.

Para se dedicar à Olimpíada, a atleta precisou sacrificar os estudos, que ela pretende recuperar nos próximos meses:

– Tento entrar num acordo entre aula e treinamento, mas precisei trancar o último semestre na universidade para me dedicar ao máximo ao sonho olímpico. Preciso estar 100%. No próximo período, volto ao normal, com estudo de manhã e treinamento à tarde.

Quando sobra um tempo, Lara prefere ficar em casa, recuperar as energia. Cuida do blog criado com a parceira Nayara (http://duetoolimpico.blog.uol.com.br/), vê um filme, entrega-se ao ócio. Questão de sobrevivência:

– Como o treino é muito desgastante, no tempo livre só quero descansar. Preciso abrir mão de muita coisa, como todo atleta. No dia de folga, ainda vou ao cinema, por exemplo, mas apenas para relaxar. Esta é a realidade de toda atleta.

Fã do técnico Bernardinho, Lara aponta o livro “Transformando suor em ouro”, escrito por ele, como uma espécie de guia. “Os ensinamentos que ele passa eu tento seguir. Queria ter jogado vôlei apenas para ser treinada pelo Bernardinho”, brinca.

Torcedora do Fluminense, a atleta planeja continuar envolvida com esportes depois de se formar em Administração. “Quero permanecer perto do que gosto, talvez me especializar marketing esportivo”. Um plano que terá de se submeter a outra prioridade:

– Pretendo disputar a Olimpíada de 2012, se estiver em condições físicas. Ainda posso contribuir como atleta. Quando parar de competir, posso fazer apresentações pelo Brasil, participar de clínicas para atrair mais adeptos ao nado sincronizado.