Projeto Comunicar
PUC-Rio

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Rio de Janeiro, 25 de maio de 2024


Campus

Na PUC, por um dia

Felipe Machado, Fernanda Ralile, Gabriela Ferreira e Rodrigo Vasconcellos - Do Portal

25/10/2007

Com tantas universidades no Rio de Janeiro, nem sempre é fácil para o vestibulando escolher aquela em que quer estudar. Pensando nisso, a PUC-Rio criou o “PUC por um dia”, um programa para os alunos do ensino médio conhecerem melhor o campus, o clima da universidade, os cursos e os professores. A edição deste ano do evento foi uma das mais concorridas: cerca de sete mil alunos se inscreveram nas mais de 200 palestras e oficinas oferecidas.

 

No Departamento de Comunicação, cerca de dois mil alunos participaram. Das filas para pegar a senha dos laboratórios, à palestra do diretor do departamento, Cesar Romero Jacob, os alunos lotaram as salas do prédio Kennedy e o ginásio. A apresentação ficou por conta do professor Cesar, que esclareceu as dúvidas dos alunos sobre o conteúdo dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Cinema. Para isso, mostrou vídeos com depoimentos de professores e alunos de cada área, explicou disciplinas da grade curricular e disse como funcionam alguns dos veículos internos de comunicação, como o PUC- Urgente, a TV PUC e o Jornal da PUC.

 

Ana Carolina da Silva, de 16 anos, decidiu se inscrever no curso de Publicidade depois da palestra do diretor do departamento. “Estava em dúvida entre Direito e Comunicação. No PUC por um dia, pude conhecer melhor o dia-a-dia de cada curso e acabei me decidindo”, disse Ana.

 

Além da apresentação geral do curso, feita por Cesar, diferentes palestras sobre cada uma das habilitações chamaram a atenção dos alunos. Muitos deles se aglomeraram na porta da sala K-102 para assistir à palestra sobre Cinema, com a professora Angeluccia Habert. Segundo ela, fazer um filme de sucesso se compara a fazer uma carta chegar ao seu destino. Para ilustrar seus conceitos sobre o cinema, Angeluccia usou cenas do filme “Socorro Nobre”, de Walter Salles.

 

- Escolhi esse filme porque é pequeno e por seu valor. É um dos mais bem estruturados e realizados do cinema brasileiro. Além da beleza plástica, da fotografia e da poesia, também é um marco – disse a professora. “Socorro Nobre” é um dos filmes mais bonitos que já vi por conta de seus recursos. O preto e branco, o silêncio e sua estética estilizada, diferente da TV, me encantam – concluiu.

 

Segundo ela, o que diferencia a obra cinematográfica dos irmãos Walter Salles e João Moreira Salles é o fato de eles não serem apenas os diretores, mas também produtores de filmes, incentivando a criatividade e os novos artistas. Para Angeluccia, o silêncio em uma cena pode causar mais impacto do que a música e pode dizer tudo o que a cena precisa. Os recursos técnicos mais simples podem ter eficientes efeitos. “Não é só a imagem em preto e branco que nos remete a tempos antigos nem a música que causa toda a emoção do filme. O silêncio diz muito. No caso do filme de Walter Salles, a cena mais importante de ‘Socorro Nobre’ é em silêncio”, diz a professora.

 

Edição digital: um novo caminho

 

Na palestra sobre Edição em Cinema, o professor Renato Schvartz explicou a montagem de um filme desde o surgimento da moviola até o processo digital usado atualmente. Também falou das diferenças da filmagem para televisão e para cinema, como o número de câmeras – normalmente uma no cinema e três na TV – e os termos: em cinema fala-se montagem e em TV, edição. Renato demonstrou ainda como se opera o Final Cut Pro, software usado por seus alunos. Editou imagens e incluiu áudio depois, de maneira bem básica e didática. “O mercado de trabalho é diferente do ambiente universitário. No entanto, os alunos têm a oportunidade de praticar na universidade, o que dá uma preparação maior”, disse.

 

História da publicidade

 

Nem todos os alunos das palestras têm o mesmo interesse no curso. As duas amigas Tayane Pereira e Karolline Lutti, de 16 anos e estudantes do colégio Prioridade Hum, em Vila Valqueire, estavam na palestra de publicidade, mas Taiane quer fazer nutrição. Estava apenas acompanhando as amigas na palestra dos professores Ligia Rizzo e Rodolpho Maier. Karolline pensa em biologia também, mas confessa que a palestra a deixou em dúvida ainda maior para a publicidade.

 

Rodolpho contou aos alunos a história da propaganda e da publicidade, a diferença entre elas e de onde surgiram os dois termos. Também explicou o que era marketing e de onde veio a palavra. Ligia mostrou o “por trás das câmeras” do comercial do chocolate Twix e de uma campanha da Pepsi, ambas para a TV, além de explicar as diferentes áreas da publicidade: Atendimento, Criação e Mídia. Ligia alertou ainda aos vestibulandos para a necessidade de crescimento e inovação da propaganda.

 

Oficina e diversão

 

A primeira experiência da oficina de Criação Publicitária do PUC por um dia de fazer campanhas publicitárias em dupla foi um sucesso entre os alunos. Empolgados com o exercício de construir uma logomarca fictícia para a ONG Viva Rio, os visitantes mostraram estar interessados nos principais problemas da cidade. Segundo os professores Carlos Negreiros e Patrícia Burrowes, o objetivo dos trabalhos em dupla era o de promover a integração, o que proporcionou a participação de mais alunos na oficina. “A proposta familiarizada com a realidade deixou os alunos entusiasmados com a tarefa. Eles estão se divertindo”, disse Negreiros.

 

Convergência, ainda um desafio

 

O professor Lula Branco Martins primeiro pediu a todos os alunos que gritassem. “Pronto, agora não tem mais ninguém com vergonha aqui”, disse. Depois, com a professora Carla Rodrigues, fez uma brincadeira para mostrar aos alunos a nova tendência da comunicação: a convergência de mídia. Três cestas estavam em cima de uma rede aberta no chão. À frente de cada uma, objetos – que antes estavam cobertos –  representando os meios correspondentes: TV, rádio, e jornais e revistas. Os vestibulandos tinham que jogar bolinhas que continham notícias na cesta a que correspondia cada informação. No fim, as cestas foram viradas e as bolinhas misturaram-se na grande rede.

 

Lula e Carla quiseram saber dos candidatos ao vestibular como eles costumam se informar e acharam curioso que a maioria pensasse que a pilha de jornais e revistas, quando estava coberta por um saco de pano, fosse um notebook, o que denuncia a mudança de hábito da nova geração na busca pela informação. Os professores explicaram que o futuro da comunicação é a convergência dos três meios, proporcionada pela internet.

 

A tradição do jornalismo impresso

 

A palestra sobre Jornalismo Impresso lotou a sala K-105. E houve uma surpresa: dos 48 adolescentes, apenas dois eram homens. A apresentação, que começou às 10h, foi conduzida por Leonel Aguiar, coordenador do curso de Jornalismo. Os jovens estudantes saíram de lá informados sobre a divisão das disciplinas ao longo dos períodos e sobre as oportunidades de estágio oferecidas por projetos do próprio departamento. Entre eles, o Projeto Comunicar e o recém-lançado Portal PUC-Rio Digital. Leonel disse que o mercado de hoje exige muito mais de um jornalista: "Nos anos 50, as funções eram separadas: um apurava e outro redigia a matéria. Hoje, o repórter tem como obrigação ter um texto final de qualidade."

 

Um jornal para levar para casa

 

"Esta oficina me deixou com mais vontade de ser jornalista", disse Camila Montano, 16 anos, estudante do Colégio QI, da Tijuca. Na sala K-514, alunos do ensino médio tiveram a oportunidade de editar o seu próprio jornal. Com a ajuda das professoras Renata Cantanhede e Bárbara Assumpção, os futuros universitários escreveram notícias, elaboraram manchetes e montaram, cada um à sua maneira, a primeira página de seu jornal – que, no fim da oficina, foi impresso e dado de presente a cada um dos participantes.

 

Para Renata, palestrante desde a primeira edição do "PUC por um Dia", o evento é "fundamental": "Os alunos de ensino médio estão num momento de escolha de carreira e o contato deles com as profissões costuma ser muito teórico. Na hora que eles vêm fazer uma oficina dessas, têm uma experiência mais de perto." Durante todo o dia, não só os cursos puderam ser conhecidos pelos estudantes, como também departamentos e o campus da universidade. O que sempre rende elogios: "A PUC é uma gracinha, superbonitinha", disse Juliana Janut, 17 anos, do Colégio Pedro II.

 

Transformações no horizonte

 

"São coisas completamente diferentes". A frase é forte. E foi o que disse a professora Adriana Ferreira ao comparar o jornalismo impresso com o telejornalismo. A dúvida era de um jovem estudante que, na primeira fileira, ouvia curioso sobre o tal casamento entre texto e imagem próprio a linguagem de TV. Aliás, a palestra de Telejornalismo foi guiada pela curiosidade dos alunos: "O jornalismo está passando por uma fase ruim?", levantou um deles. "Eu não gosto muito dessas certezas absolutas. A gente está passando por uma fase de profunda transformação, com a chegada da TV Digital e da internet, por isso há que se repensar conteúdo e linguagem.", respondeu Adriana. Além da conversa, quem esteve por lá pôde conhecer alguns dos programas produzidos pelo núcleo de TV do Projeto Comunicar, como o Pilotis, que vai ao ar pelo canal 16 da NET.

 

Holofotes acesos

 

Em vez de ouvir sobre Telejornalismo, alguns preferiram fazer telejornal. E, para isso, nada melhor que um estúdio de TV. Cerca de 20 adolescentes aprenderam um pouco dos desafios que estão por trás de todo aquele aparato tecnológico. No início, os professores Carmem Petit, Alessandra Cruz e Bernardo Portugal, que conduziram a oficina, deram uma noção geral aos alunos sobre cenário, câmera e truques para uma boa performance diante das lentes. Mas na hora da prática a curiosidade deu lugar à timidez. A simples idéia de se sentar em frente àquela bancada cercada por holofotes e apresentar um telejornal sob os olhos críticos de todos não pareceu muito animadora. Mas foi só no começo. Depois que o primeiro corajoso se aventurou e acabou arrancando palmas da platéia, faltou tempo para tantos candidatos. Para Ricardo Pedrosa, aluno do terceiro ano do ensino médio da Escola Dinamis, a oficina o ajudou a ter certeza da escolha. Ele é um verdadeiro entusiasta do telejornalismo: "Vejo vários jornais, de várias emissoras, e fico me imaginando como seria se estivesse no lugar dos apresentadores".