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Rio de Janeiro, 23 de maio de 2022


Educação

“Internacionalização dos cursos é o futuro da educação”

Matheus Vasconcellos e Renan Rodrigues - Do Portal

09/04/2013

 Maria Christina Corrêa

A Coordenação Central de Extensão (CCE), que reúne 80 cursos, entre extensões e especializações, e acumula 40 anos de atividade, tem, desde março, um novo coordenador. Formado em Desenho Industrial pela PUC-Rio, o professor Alfredo Jefferson de Oliveira, do Departamento de Artes e Design, encara dois desafios em especial: a integração dos campi (Barra, Centro e Duque de Caxias) e dos departamentos da universidade; e o avanço da formação necessária à entrada no mercado. Os sete anos como coordenador de Graduação, entre 2004 e 2011, servem de trunfo para transformar os cursos de especialização em aliado efetivo na disputa por um (bom) emprego. Nesta entrevista ao Portal PUC-Rio, Alfredo Jefferson alerta para a importância da melhor qualificação para superar a crescente de talentos estrangeiros provenientes de países em crise, sobretudo Espanha e Portugal. "Não se pode focar apenas no momento, porque o mercado é muito inconstante. A internacionalização dos cursos é o futuro", acrescenta.

Portal PUC-Rio: Quais as novidades da Coordenação Central de Extensão para o ano?

Alfredo Jefferson: Fui coordenador da extensão do Departamento de Artes e Design há mais de 15 anos, quando a maioria das especializações correspondia a cursos de extensão. Hoje a universidade tem diversas especializações. A ideia principal, neste ano, é fortalecer as unidades da PUC, de maneira que os cursos fiquem mais integrados. A maior novidade vai ser o modo de ver as outras unidades, os departamentos e os cursos. Vamos reformular, por exemplo, o site e a nossa própria filosofia. Nosso desejo é estimular a interação com a própria universidade. Outra novidade: começamos a preencher uma “lacuna musical” da CCE com o curso Beatles: História, Arte e Legado. E ainda há muito espaço a ser preenchido.

Portal: Jovens de países europeus em crise, em especial Espanha e Portugal, estão buscando emprego no Brasil. Como a concorrência desses profissionais influencia na especialização dos alunos? O mercado de trabalho pede uma melhor especialização?

Alfredo Jefferson: O Brasil precisa de mão de obra especializada, e o nível de qualidade ainda é relativamente baixo. O percentual de alunos formados é pequeno se comparado a outros países da América do Sul. A CCE faz parte do tripé da universidade: ensino, pesquisa e extensão. Ouvimos falar muito mais da pesquisa e do ensino, mas a extensão é uma das principais partes da PUC. A CCE faz parte do ensino continuado. Os cursos de extensão completam esse ensino. Eu os dividiria em dois grupos. Um deles tem viés profissionalizante: a especialização no sentido profissional, pois cada vez mais os bacharelados são generalistas. O outro grupo é o dos cursos geradores de cultura, como o de Filosofia da Arte, o de literatura italiana e esse curso sobre os Beatles. Eles são tão importantes quantos os profissionalizantes.

Portal: Como a CCE pretende contribuir para o constante desafio de articular a produção de conhecimento na universidade e as demandas do mercado?

Alfredo Jefferson: É muito difícil formar os alunos para estarem prontos para qualquer situação dentro do mercado de trabalho. Um jornalista formado há 10 anos teria, hoje, muita dificuldade de entrar no mercado. Mas, se o aluno é preparado para continuar aprendendo e para ter uma capacidade empreendedora e intelectual, ele estará muito mais preparado para outros desafios. Não se pode estar focado apenas no momento, porque o mercado é muito inconstante.

Portal: Com o Enem, a PUC-Rio recebe muitos alunos de outros estados. Os cursos de extensão tornam-se estratégicos também para a captação de talentos de fora do Rio e até do país?

Alfredo Jefferson: Dando aula, como professor do Departamento de Artes e Design, percebo que quase 40% dos alunos são de fora do Rio. A CCE nunca fez uma divulgação nacional sobre a PUC. Uma das causas é a internet, que amplia o acesso à universidade de pessoas de fora do estado e do país. Algumas iniciativas ajudar a atrair e a receber melhor esse público, principalmente os estrangeiros. Por exemplo, o curso sobre a Legislação Americana, ministrado em inglês, pelo Departamento de Direito. Assim: é o futuro da educação e da PUC: uma internacionalização dos cursos. Cada vez mais, esperamos alunos estrangeiros vindos para os cursos de extensão e especialização. Oficialmente, não existe parceria entre a CCE e a CCCI, mas os convênios são focados, em geral, na graduação. Podemos pensar também nos famosos cursos de verão, comuns fora do país, que estão chegando ao Brasil. Quem sabe a gente não consegue fazer esses cursos aqui na PUC?

Portal: Ainda sobre o futuro da educação universitária, qual o grande desafio?

Alfredo Jefferson: É um grande desafio lidar com tanta tecnologia disponível dentro de uma sala de aula. Cada vez mais os professores precisam incorporar essas tecnologias nas aulas. Eu acredito que as tecnologias vão dar apoio às aulas. Porém, a maior dificuldade é lidar com a diversidade de que se tem dentro de uma mesma sala de aula, principalmente nos cursos de extensão. Na graduação observa-se uma uniformidade maior, mas na especialização há alunos que acabaram de se graduar e tem o dia inteiro para estudar, se preparar para o mercado de trabalho, e pessoas que estão se aposentando, que chegam cansadas do trabalho, precisando de um descanso, e mesmo assim chegam com muita vontade de estudar. É muito difícil lidar com toda essa diversidade, apesar da experiência de interação entre eles ser muito rica. Aqui na PUC transitam pessoas de todos os tipos. O grande segredo da qualidade da universidade, além da qualidade docente, está na qualidade da interação humana que se tem através desse campus unificado.