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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Economia

Mercado de startups prevê crescimento recorde em 2013

Matheus Vasconcellos e Rodrigo Serpellone - Do Portal

19/03/2013

 Arte: Maria Christina Corrêa

Startup é, por definição, uma empresa iniciante, geralmente feita por um grupo pequeno de pessoas à procura de um modelo de negócios inovador. Considerado um dos maiores mercados do setor na América Latina, atualmente o país soma 10 mil startups e, segundo o diretor regional da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) Guilherme Junqueira, este mercado terá seu ápice neste ano.

– A perspectiva é que 2013 seja o ápice do desenvolvimento e obtenção de resultados pelas startups brasileiras, inclusive com o fomento dos governos federal e estaduais, através de programas de inovação como o Startup Brasil – afirma, definindo como um “divisor de águas” o programa lançado em novembro pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, que prevê contemplar 150 startups com uma verba de R$ 40 milhões, até R$ 200 mil a cada empresa.

Especialistas afirmam, porém, que o país poderia ter um desempenho ainda melhor, não fosse a burocracia e alto custo de encargos trabalhistas. Em artigo publicado em fevereiro, no jornal The New York Times, Simon Romero, correspondente-chefe do escritório do jornal americano no Brasil, escreveu que o país vem perdendo espaço neste mercado para o Uruguai, por conta dos “impostos bizantinos e das leis trabalhistas que fazem a contratação de empregados sair mais cara que em um país rico”.

Para tentar contornar este problema, a ABStartups criou uma petição para recolher assinaturas de apoio ao projeto de lei 321/2012, que visa isentar de impostos as startups com receita anual de até R$ 120 mil.

– Na maioria das vezes, as startups trabalham com inovações que exigem dinheiro, agilidade e pouca burocracia. Importante é o mercado ser respeitado e ouvido em nível nacional, pois a tecnologia será o grande ativo do futuro – resume Junqueira, para quem as startups precisam de atenção especial do Estado.  Divulgação

A professora de Gestão em Projetos no Instituto Gênesis da PUC-Rio Helene Salim acredita que o mercado de startups no Brasil esteja aquecido, principalmente na área tecnológica. Seja por projetos de conclusão de cursos universitários, eventuais “encomendas” de empresas ou ajuda do governo, a mestre em ciência da computação afirma que quase todos podem se candidatar, apesar de normalmente a ajuda vir do “paitrocínio”:

– O pontapé inicial mais comum para o estabelecimento do empreendimento é o chamado “love money”, ou seja, o dinheiro familiar.

Em 15 anos de existência, o Instituto Gênesis já incubou 140 empresas e faturou mais de R$ 1 bilhão somente em 2012. Helene acredita que o apoio do instituto auxilia o novo empreendedor de várias formas:

– As empresas residentes nas incubadoras são renovadas por meio de editais. Os melhores planos passam a receber ajuda de professores e a participar de concursos para obtenção de recursos públicos ou privados, além do valor de ter a marca PUC.

Um exemplo de trabalho de conclusão de curso que deu certo é a rede social para gamers Estou Jogando. O site, que em pouco mais de um ano já tem cerca de 30 mil usuários, permite que o internauta adicione os jogos que conhece ou pretende ter, além de fazer críticas sobre o jogo. O game designer Cayo Medeiros, criador do projeto, relata que teve dificuldades no começo, mas agora é apoiado por um “investidor-anjo” – pessoa ou empresa experiente que não só investe como também atua como mentor, apoiando o novo empreendedor com dicas. No caso de Cayo, foi a empresa HE:Labs.

– A maior dificuldade do Estou Jogando foi a complexidade técnica do projeto. Construir uma rede social não é como criar um software que resolve apenas um problema; uma rede social é um conjunto de ferramentas em cima de uma plataforma social. Reprodução TV

Segundo a organização Anjos do Brasil, há atualmente 5,3 mil investidores-anjos no país, um para cada duas startups. O aporte varia de R$ 100 mil a R$ 1 milhão, para fazer o projeto decolar.

O diretor da ABStartups lembra que ganha não apenas a startup, mas o investidor, que quer lucrar:

– Como todos os investimentos, o investimento-anjo tem um objetivo de retorno financeiro e, por esse motivo, é interessante para o investidor-anjo preparar o negócio para a entrada de capital.

Processo complementar ao do investidor-anjo é feito pelas aceleradoras de startups, que entram em cena com o projeto já em curso, aportando menos recursos que os anjos, mas garantindo a manutenção, ou a sobrevivência da startup, com aportes entre R$ 10 mil e R$ 50 mil.

Contemplada com ajuda financeira do projeto Startup Brasil, a Papaya Ventures, formada por mentores experientes no mercado, já “acelerou” quatro criadoras de aplicativos para celulares.

Sócia da empresa, Luisa Ribeiro crê que os problemas para criar ou manter uma startup no país vão além da carga tributária:

– Nossa carga tributária é pesada, mas no ecossistema de startups isso está longe de ser o maior problema. Os desafios maiores são a qualidade da infraestrutura de telecomunicação, como a internet banda larga, o ensino ultrapassado nas faculdades e as dificuldades com intermediadores financeiros nacionais para receber pagamentos do exterior.

Um dos pontos de partida para os novos empreendedores é convencer investidores a comprar suas ideias. Neste sábado, no Instituto Gênesis, o Workshop de Modelagem de Ideias, coordenado pelo professor da PUC-Rio Claudio Nasajon, abordará temas comuns e empecilhos na busca por investidores para startups. As inscrições para o evento podem ser feitas neste site.