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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cultura

"Esse Hamlet é meu", diz Thiago Lacerda

Marina chiarelli - Do Portal

08/03/2013

 Nicolau Galvão

Imprimir originalidade a Hamlet, um dos personagens mais emblemáticos e interpretados da dramaturgia mundial, é mais do que um desafio ou um sonho que habita as ambições de atores e diretores mundo afora. A oportunidade, na opinião de Thiago Lacerda, em cartaz no teatro Tom Jobim, no Jardim Botânico, com Hamlet, revela-se um exercício libertário:

– Cada ator tem uma relação com o personagem e uma maneira de atuar. Por isso, o mesmo espetáculo pode ser apresentado de diferentes formas. A manifestação artística não pertence a ninguém, não existe certo ou errado no teatro: a dramaturgia é algo libertário – argumentou o ator, em palestra organizada, nesta quinta-feira, pelo Departamento de Letras da PUC-Rio.

Acompanhado do diretor Ron Daniels, Thiago destacou o esforço em investir num Hamlet original, sem se influenciar com as incontáveis montagens da clássica peça do bardo William Shakespeare. Em sua primeira vez como o príncipe da Dinamarca, ele aposta numa atuação autêntica:

– Esse Hamlet é meu – sintetiza – A composição do personagem veio muito do trabalho de mesa, como é chamado, com os diretores e o restante do elenco. Nicolau Galvão

Perguntado sobre a perspectiva de comparações com outras interpretações, como a de Wagner Moura, em 2008, Thiago Lacerda disse que considera “naturais, e procura não se preocupar com isso”.

– Na hora que estou em cena, esqueço tudo a que já assisti e faço minha própria atuação, como se a peça nunca tivesse existido – reiterou.

Em busca dessa composição autêntica, ele combinou desde mudanças no visual, como um corte moicano, até “um somatório de ideias” sugeridas pelo diretor.  Ron Daniles confia na combinação entre a interpretação particular de Thiago e na popularidade do personagem, que atravessa séculos.

O ator admite, porém, que tenha enfrentado dificuldades para viver o príncipe levado à loucura após a morte do pai. Algumas até prosaicas, como a necessidade de mudanças no figurino: “Optamos por um pijama preto, porque, com a minha estatura (1,90m), ficaria um borrão em cena se usasse o branco”.

Diferentemente do Thiago, Ron acumula vasta experiência em Hamlet e outras obras de Shakespeare, sobretudo por ter integrado uma companhia de teatro, em Londres, dedicada ao dramaturgo inglês (Royal Shakespeare Company). Nesta montagem no Rio, ele assina também a tradução do texto original, ao qual procurou ser fiel, com uma linguagem mais simples. Ron acredita que a liberdade de adaptação possa facilitar o entendimento do público, sem se prender a detalhes da obra.

– Sempre digo aos atores que vamos fazer de conta que Hamlet foi escrito ontem, e que a peça é sobre nós – contou do diretor, aos cerca de 60 estudantes reunidos no Auditório Anchieta.

 Em rápida entrevista ao Portal, o professor de literatura britânica Leonardo Berenger, organizador da palestra, lembra que o interesse pela obra de Shakespeare independe de idade ou geração:

– Aqui na universidade os alunos sugeriram uma disciplina sobre o dramaturgo inglês. A vinda de Thiago Lacerda e Ron Daniels foi importante porque a gente vem trabalhando numa valorização das literaturas estrangeiras. Queremos reforçar que o curso de Letras é bilíngue. Ensinamos literatura brasileira e literatura portuguesa, mas as literaturas americana e inglesa também fazem parte do curso, e Shakespeare é o maior autor da literatura inglesa, se não da literatura mundial – justifica o professor.