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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Escola de Verão conquista adeptos nas férias

Vítor Afonso - Do Portal

28/02/2013

 Arte: Marianna Fernandes

Ir à praia, sair com os amigos, descansar são algumas atividades frequentes no roteiro de férias dos cariocas. Porém, na contramão daqueles que querem apenas diversão e distância da faculdade neste quente verão do Rio de Janeiro, jovens universitários acrescentam outra atração, não muito comum, a essa lista de afazeres. Pedro Gerhardt e Felipe Lemos, de 23, e Daniel Molina, de 20, aproveitaram os últimos dias de férias em busca das novidades do mundo da física. Os três estudantes fizeram parte de um grupo de cerca de 100 universitários presentes na III Escola de Verão da PUC-Rio, oferecida pelo Departamento de Física entre 18 e 22 de fevereiro. Pedro Gerhardt, que está no 9º período de Engenharia de Produção, ajudou a organizar os cursos e palestras, como estagiário. Responsável pelas inscrições, ele conta que houve procura de alunos de outras universidades fluminenses e inclusive de outros estados:

– A procura não ficou restrita aos alunos da PUC: havia muitos alunos de UFF, UFRJ, Uerj e também de outras cidades, como Ribeirão Preto (SP).

Para Gerhardt, a qualificação dos professores envolvidos com a Escola de Verão é o principal fator responsável pelo sucesso do projeto e pelo interesse de estudantes de diversas instituições. O jovem destacou a “oportunidade única” de aprender sobre temas fora de sua área:

– Esta escola conta com professores que são referências em suas áreas. Eu era totalmente leigo sobre alguns assuntos e, em apenas algumas horas, consegui me atualizar sobre temas muito interessantes.

Gerhardt, que tem o surfe como principal hobby, ficou praticamente sem poder andar neste verão por causa de uma cirurgia no joelho. Já liberado, o jovem decidiu dedicar a semana a mergulhar no mundo da física.

– Estou liberado para pegar minhas ondas, mas acho importante me atualizar sobre o que está rolando na física. É do meu interesse, e posso fazer em apenas cinco dias de curso. Ainda terei outros dias livres. Vítor Afonso

O jovem, que sempre busca fazer cursos durante as férias, afirma que nos últimos três anos esteve mais presente na física do que em sua própria área. Apesar de querer trabalhar com a engenharia, o estudante, que se define um curioso pelas questões do universo, ressalta a importância destes cursos para a qualificação profissional. Em um cenário cada vez mais competitivo dentro do mercado de trabalho, em que pequenos detalhes podem fazer a diferença, Gerhardt incentiva outros estudantes a seguirem o seu caminho:

– Acho que, quando o estudante se interessa por algo, mesmo que não seja da sua área, deve buscar mais sobre o assunto. É preciso aproveitar tudo que a universidade oferece. Sempre que aparece algo do meu interesse, eu procuro fazer.

Aproveitamos as férias normalmente”, afirma estudante.

Daniel Molina, estudante do quinto período de Engenharia Elétrica, acredita que as aulas da Escola de Verão não limitam o tempo livre das férias. Ao contrário do que costuma ouvir, acredita que é possível criar uma harmonia entre os estudos e a diversão:

– Muita gente diz que o pessoal da física e engenharia só pensa em estudar. Mas não deixamos de ir a boates, viajar, ir à praia.

 Vítor Afonso Para Molina, que diz não conseguir passar três meses em casa sem uma ocupação, o retorno “antes da hora” para a faculdade representa uma oportunidade de se instruir e se sentir “mais útil”.

– Eu sempre procuro algo desse tipo nas férias. Quando estava no Ensino Médio, fiz um curso de programação em Stanford e outro de engenharia em Berkeley – conta.

Em meio a cursos e palestras, o estudante já traça seus objetivos para o mercado de trabalho. Sem descartar seguir carreira de engenheiro, Molina pensa também em caminhar para a área da educação. O estudante, para quem o ensino da física no Brasil é muito “incipiente”, diz que a Escola de Verão poderá contribuir para alcançar esse objetivo:

– Acho que as aplicações tecnológicas de alguns dos cursos ainda são muito distantes no tempo, não são de resultado imediato. Mas estes cursos podem ajudar muito a abrir meus horizontes no ensino da física.

Sobre a profissionalização, o jovem destaca que o empreendedorismo pode ser um fator decisivo para uma carreira destacada dentro da educação. Apoiado no sucesso de outros empreendedores, Molina critica o pensamento de que trabalhar com o ensino no Brasil é sinônimo de “morrer de fome”:

– No Brasil, quando você empreende na educação, tem grandes chances de ter uma carreira de sucesso, com bom retorno financeiro.

Escola de Verão indica a direção do sucesso

Felipe Lemos, estudante de física que se forma no fim de 2013, quer seguir a carreira acadêmica e traça o mestrado como próximo passo. O jovem, que planeja atuar como pesquisador e professor universitário, avalia os cursos e palestras como meios fundamentais para dar a direção certa no universo da física:

– A ideia principal desse curso para mim é dar uma direção melhor, saber qual área específica eu devo seguir e quais eu devo descartar. Vítor Afonso

Interessado pela vida dentro das universidades, Lemos critica a dificuldade para trabalhar com a física em outros segmentos. Para ele, no Brasil é complicado ter, com a física, uma carreira de sucesso fora do ambiente universitário. O estudante ainda destaca serem necessários alguns sacrifícios para uma boa profissionalização:

– Temos que nos sacrificar em certos momentos. Precisamos saber o mínimo de muitas coisas. É como um médico, que tem sempre que se atualizar.

Quando o assunto são as férias, Lemos diz que faz “tudo aquilo que qualquer cidadão normal faria”. O jovem, que tira um tempo para descansar das aulas cansativas e sair com os amigos, conta ter dois hobbies para ocupar o tempo livre:

– Procuro correr para me exercitar e gosto muito de ler também. É difícil ler durante as aulas, e as férias ajudam nesse ponto. Gosto muito de ler grandes clássicos, como Dostoievski.