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Rio de Janeiro, 25 de julho de 2024


Esporte

Basquete rubro-negro invencível há 19 partidas

Gabriel Camargo - Do Portal

01/02/2013

 Maria Christina Corrêa

Dois meses de salários atrasados, estrutura modesta, elenco reformulado, nova comissão técnica e a principal estrela do time lesionada. Essa mistura tinha tudo para não funcionar, mas foi exatamente o contrário: o Flamengo alcançou 19 vitórias em 19 partidas na Liga Nacional de Basquete (NBB), bateu o recorde de oito jogos invictos, conquistado pelo Brasília/BRB na temporada 2009/10, e terminou o primeiro turno invicto. Qual o segredo do time de basquete para ser o orgulho da Nação Rubro-Negra, diante de tantas dificuldades?

Nem em 2011/12, quando montou um grande time – que tinha o ala/armador Leandrinho Barbosa como principal estrela –, o Flamengo conseguiu uma série tão impressionante de vitórias na NBB. Após uma temporada decepcionante, a diretoria rubro-negra decidiu reformular a equipe, começando pela saída do técnico argentino Gonzalo García, substituído pelo jovem José Neto, auxiliar técnico de Rubén Magnano na Seleção Brasileira.

Mesmo com as mudanças, o time rapidamente encaixou e conquistou de forma invicta o octacampeonato no Carioca. Na primeira partida da NBB, o Flamengo foi até o Espírito Santo e venceu com facilidade o Vila Velha/Cetaf, mas na bagagem veio a notícia de que Marcelinho Machado, destaque do time, ficaria fora das quadras por seis meses devido a uma lesão no joelho direito. O ala acredita que a dedicação dos jogadores foi o principal fator para essa grande fase.

– O time se entregou, os jogadores pensaram no coletivo, todo mundo pensou da mesma maneira. Nem os salários atrasados atrapalharam; o grupo se fechou e focou em fazer a nossa parte, colocar a torcida do nosso lado. Entendemos a posição da diretoria e agora as coisas já estão melhorando – avaliou Marcelinho, na noite desta quarta-feira, após treino no Tijuca Tênis Clube, onde o time venceu o Minas no último sábado.  Maria Christina Corrêa

O time poderia sentir a ausência da sua principal estrela, mas conseguiu superar as dificuldades e seguiu vencendo na NBB. O rubro-negro é líder invicto e isolado da competição, seja em casa ou fora de seus domínios. O comentarista do SporTV Byra Belo atribui a boa fase ao bom relacionamento entre técnico e jogadores:

– O técnico tem o time na mão, conseguiu aplicar sua filosofia de jogo de uma maneira bem simples: vendeu o peixe e o time aceitou. O grupo é muito bom também, são jogadores tecnicamente bons, atletas de grupo, pensam no conjunto. Somando isso ao técnico com bom comando, estão conseguindo superar isso tudo. E o momento também ajuda: com a equipe ganhando, os problemas de salário, que infelizmente são comuns no Brasil, e ausência do Marcelinho são amenizados com maior facilidade.

Também chama a atenção a diferença de pontos nas vitórias. A menor vantagem foi de cinco pontos, nas partidas contra Franca e Bauru, as duas fora de casa. Foram oito jogos com mais de 20 pontos à frente dos adversários, incluindo os 45 pontos no 106 a 61 contra o lanterna Palmeiras, em São Paulo.

– O entrosamento, a confiança e a camisa rubro-negra são os principais motivos dessa invencibilidade – avalia a lenda do basquete brasileiro e ex-jogador do Flamengo e da Seleção, Oscar Schmidt, para quem Marcelinho sempre faz falta: – Ele ainda é um dos melhores jogadores do Brasil. Quando ele voltar, o Flamengo será ainda mais forte.

 Maria Christina Corrêa Com seu laptop ligado e sempre passando informações para José Neto, o assistente técnico João Batista é considerado peça fundamental para que a parte tática do time funcione. Ex-jogador do Flamengo, Batista aponta, além da coletividade e a união do grupo, que o apoio da torcida também foi fundamental para a série invicta. Para ele, os rubro-negros ajudaram bastante na hora de superar as dificuldades como os salários atrasados e a lesão de Marcelinho:

– O time estava animado, fizemos uma boa sequência de jogos e fomos ultrapassando os obstáculos. E quando os jogadores entravam em quadra e viam a torcida lotando o ginásio, a equipe ganhava um gás. Estamos animados com a chance de jogarmos no Maracanãzinho, fico triste em pensar que 200 torcedores ficam do lado de fora. Lá a torcida poderá ser ainda mais importante.

E os rubro-negros vêm fazendo a sua parte. Sempre que jogam no Tijuca, ou até em algumas partidas fora de casa, os torcedores comparecem. O estudante universitário Felipe Escossia, 20 anos, frequentador do estádio e do ginásio, comenta a importância do basquete para a torcida:

– Hoje o futebol não dá a mínima alegria para a gente, a única alegria que dá é ganhar do Vasco em Estadual, com um time que está sendo formulado ainda. O basquete não, sempre chega às finais, sempre da alegria e este ano está com essa campanha espetacular, que consegue levar ao ginásio até quem jamais gostou.

Destaque da competição, Marquinhos, carioca com sotaque paulista pelas passagens por São Carlos, Bauru e Pinheiros, assumiu o papel de principal jogador do Flamengo e vive um dos melhores momentos de sua carreira. O ala tem a melhor média de pontos por partida da NBB e também lidera o ranking quando se trata de lances livres. Para ele, o foco no basquete fez com que o time encaixasse e deixasse os problemas de lado:  Maria Christina Corrêa

– É uma série de fatores: o elenco forte, a filosofia do treinador, os jogadores terem entendido a mensagem do Neto e a união. Pensamos apenas em jogar basquete, tivemos uma sequência muito apertada de jogos e não ficamos pensando na questão dos salários atrasados; só queríamos jogar bem e vencer.

No início de janeiro, o clube divulgou comunicado por meio da assessoria de imprensa, alegando estar “realizando esforços junto ao departamento de marketing para quitar os salários de dezembro e 13º”. Os salários referentes aos meses de julho e novembro foram pagos no dia 10 de janeiro.