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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Economia

Ei, você aí, me dá um dinheiro aí para eu botar o bloco na rua

Marianna Fernandes - Do Portal

07/02/2013

 Arte:Nicolau Galvão

Uma das maiores festas do mundo, o carnaval de rua carioca acelera o ritmo da economia local. Se em 2010 foram às ruas cerca de 3,5 milhões de foliões, este ano a Riotur calcula 6 milhões de pessoas. O cordão de blocos cada ano aumenta mais: em 2013, 67 novos blocos conseguiram permissão para desfilar, chegando a 492 – se saísse apenas um a cada dia, o carnaval carioca duraria um ano e quatro meses. Botar todos estes blocos na rua uma vez custa, pelo menos, R$ 20 milhões, tomando o custo por desfile de um bloco médio, de 15 mil a 20 mil foliões, em torno de R$ 40 mil, de acordo com a Sebastiana (Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua da Zona Sul, Santa Teresa e Centro da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro).

Além das despesas básicas com carros de som, bateria (instrumentos e instrumentistas), camisetas, segurança e fantasias, as inovações que tem garantido a originalidade dos blocos tornam o desfile ainda mais oneroso, como lembra um dos diretores da Sebastiana, Jorge Sapia. Neste carnaval, por exemplo, o Escravos da Mauá levou às ruas cerca de 40 atores de perna-de-pau.

 DivulgaçãoNo trajeto da profissionalização, a exemplo das escolas de samba, o patrocínio também tem sido um componente de destaque. Um dos destaques da nova geração, o Bloco do Sargento Pimenta, por exemplo, paga a folia com dinheiro arrecadado com patrocínios. Leonardo Stul, diretor do bloco nascido há dois anos, tocando Beatles, explica que as formas de gerar receita para os blocos são escassas:

– Pensando exclusivamente no carnaval, a única forma de receita que pode vir a gerar lucros são os possíveis patrocínios. Camisas, feijoadas, ajuda de amigos, festas de lançamento, entre outros, funcionam como uma receita extra que ajuda a viabilizar o desfile.

Organizador do bloco brega Fogo e Paixão, fundado em 2010, Alexandre Morand afirma que fazer um bloco mais barato é até possível, mas comprometeria a qualidade e segurança do desfile, e ressalta a importância dos patrocinadores:

– Vamos gastar R$ 30 mil, e só conseguimos fazer toda a estrutura porque cada vez mais empresas estão apostando no carnaval do Rio. Este ano fizemos o carnaval das parcerias, e esperamos que cada vez mais empresas percebam o potencial do carnaval carioca.

É o que espera o bloco mais antigo do carnaval carioca e recordista de público, o Cordão da Bola Preta, que enfrenta uma séria crise financeira. No sábado de carnaval de 2012, reuniu um público recorde de 2,3 milhões de pessoas no Centro, mas só contabiliza 360 sócios, dos quais dez contribuem com o clube, com R$ 25 por mês. O cordão perdeu sua sede na Cinelândia e atualmente ocupa um prédio cedido pelo governo na Rua da Relação. Para se manter e fazer seus três desfiles anuais, um custo total de R$ 180 mil, aluga espaço para eventos e conta com a ajuda da prefeitura e do governo do estado, embora a maior parte das arrecadações seja destinada ao pagamento de dívidas.

Mercado de fantasias também lucra Carlos Serra

A economia do carnaval de rua movimenta ainda os ambulantes credenciados, que em 2013 serão 5 mil, e o mercado das fantasias. De acordo com Olga Huch, dona da Condal – fábrica de artigos carnavalescos –, 60% do lucro anual é proveniente das vendas que ocorrem de novembro a fevereiro. Nesse período, chegam a ser produzidos 500 mil adereços, entre máscaras (assista também a reportagem sobre máscaras: Com que cara eu vou?), enfeites e fantasias. O preço de fábrica das peças varia de R$ 2 a R$ 40. Na Saara, maior centro comercial popular do Centro do Rio, as lojas permanecem lotadas de gente atrás de fantasias até a última hora. Circulam por lá 80 mil pessoas por dia, de acordo com o presidente da Saara, Enio Bittencourt. 

A Riotur organiza a festa por meio de um “caderno de encargos” para o patrocínio do carnaval de rua. Empresas interessadas arcam com os custos de itens estipulados. Este ano, a Dream Factory foi a dona da proposta escolhida pela Prefeitura, com o patrocínio da Ambev, e executa todo o planejamento de instalação de banheiros, proteção de canteiros, decoração da cidade e controladores de trânsito.