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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Parque Lage reforça o avanço de publicações digitais

Renan Rodrigues - Do Portal

29/01/2013

 Nicolau Galvão

O avanço na venda de tablets e smartphones – em torno, respectivamente, de 265% e 55% no Brasil em 2012 –, somado ao crescente consumo de notícias na internet (39% dos americanos se informam por meio de fontes onlines, estima a Pew Research Center), impulsiona novos desafios e oportunidades ao mercado da comunicação. Por um lado, observa-se a redução e, para usar termo do marketing, o reposicionamento de veículos impressos. Um dos casos mais emblemáticos foi a aposentadoria, no início do ano, da versão de papel da Newsweek, segunda maior revista do mundo, cuja tiragem média beirava 1,5 milhão de exemplares semanais. Por outro lado, multiplicam-se as publicações e as publicidades digitais. Desde a sexta-feira passada, incorporou-se a este grupo a revista da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Para a jornalista Marília Martins, editora da Portfólio, a iniciativa indica um cenário favorável a experiências do gênero:  

– Quando resolvemos criar uma revista da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, chegamos a pensar em fazer de papel. Mas seria mais uma do mercado. Ao lançar uma revista digital, além de gerar um conhecimento dessas novas ferramentas a todos que trabalham com arte, é possível atingir um novo público, que está consumindo cada vez mais os tablets – justifica Marília, que lecioca uma eletiva do Departamento de Comunicação sobre a produção de informações para plataformas móveis.

Os cerca de 300 convidados reunidos no pátio do Parque Lage para a festa de lançamento da Portfólio, a maioria ligada a cultura, formavam uma correspondência com a valorização do admirável mundo novo das plataformas móveis – para as quais se direciona uma escalada de mensagens de jornalismo, entretenimento, publicidade. A também jornalista e professora da PUC-Rio Carla Rodrigues ressalva que tais plaformas ainda buscam uma linguagem própria:

– Pois não são meras reproduções do papel. O caminho é favovável ao surgimento de novas experiências – acredita.

revista digital da EAV reforça o time de novidades movidas pelo aquecimento do mercado de conteúdos editoriais e publicitários para tablets e smartphones. Com 78 páginas de textos, 20 vídeos e quatro arquivos sonoros, a revista Portfólio, da editora Escola de Artes Visuais do Parque Lage, conjuga recursos multimídia destinados a uma experiência de leitura compatível com a plataforma móvel.

“O tablet é muito mais intuitivo do que o computador”, ressalta a editora

Marília destaca que a característica de multitoque do aparelho torna mais fácil – “quase intuitiva” – e prazerosa a leitura de uma revista. Outras vantagens, ainda de acordo com a jornalista, referem-se à comodidade de poder carregá-lo (portabilidade) e à interação com o conteúdo. Traços que justificam, em parte, o crescimento de publicações digitais para tablets:

– Você pode ampliar uma imagem para ver um detalhe, pode assistir a um vídeo ou ouvir uma sonora – exemplifica Marília – Esse ainda é o número inaugural da revista. A ideia é explorar, a cada nova edição, as linguagens desse universo. Isso é o mais bacana de trabalhar com uma linguagem digital. Nicolau Galvão 

Embora a nova tecnologia esteja mais acessível entre os brasileiros, Marília observa que ainda falta um retrato nítido dos consumidores de tablet. Segundo ela, os anunciantes precisam de uma “precisão maior” para produzir melhor os anúncios voltados a esse segmento:

– Enquanto isso não for percebido, o anunciante não saberá precisamente o público que pode atingir e nós ainda estaremos em um período de teste dessa nova tecnologia – avalia.

Meio digital exige "um profissional mais completo"

O avanço do mercado de informações e entretenimento para plataformas móveis amplia oportunidades, para jornalistas, publicitários, roteiristas, cineastas. Para aproveitá-las, é necessário acrescentar, à qualificação profissional, novas competências técnicas e tecnológiocas, como o domínio de ferramentas para a edição em tablet e smartphone. Carla Rodrigues pondera, entretanto, que o meio não muda a formação essencial dos jornalistas. Os princípios, habilidades e competências essenciais independem da plataforma para a qual se produz a informação jornalística.

– O jornalismo tem critérios que servem para qualquer plataforma. O que muda são as tecnologias – argumenta a professora.

O compromisso com a informação de qualidade continua o mesmo, reforça Marília. Mas ela destaca que, além de "saber pautar, apurar e escrever bem", o meio digital exige um profissional "mais completo": 

– Os tablets apresentam uma linguagem multimídia mais desenvolvida. Exige que o jornalista saiba também editar um vídeo e um áudio, por exemplo, além de ter um bom texto.

Aos estudantes e profissionais que pretendem ganhar o aquecido rumo das publicações digitais, Marília faz outro alerta: o mercado passa por transformações. Assim, é importante "integrar o conhecimento adquirido" e ajustá-lo às diferentes mídias e às mudanças relacionadas a produção e consumo de informações.

– Assim como hoje podemos fazer o nosso blog, acredito que cada um de nós também poderá fazer a própria revista – projeta Marília.

Revista deve ganhar versão em inglês, adianta diretora da EAV

No caso da recém-lançada Portfólio, a opção pelo digital expõe o propósito de atrair o crescente volume de leitores em plataformas móveis. Mas, para a diretora da EAV, Claudia Saldanha, a publicação pretende explorar outro terreno igualmente árido, mesmo em opções impressas: o do debate sobre as artes.

– Há poucas revistas voltadas para o campo das artes visuais no Brasil. Muitas já surgiram e deixaram de circular. A ideia é que a revista comunique a produção interna da EAV mas fale também de outros campos da cultura, como música, teatro, poesia – esclarece Claudia. Saldanha. Nicolau Galvão 

Fundada em 1975, a Escola de Artes Visuais tornou-se sinônimo de vanguarda nos anos 70 e 80. Uma referência no gênero. A publicação digital pretende contribuir para que a tradição inovadora "transcenda", nas palavras de Claudia, o chamoso espaço cravado no Jardim Botânico:

– Hoje ela é uma revista só em português, mas estudamos uma versão em inglês. Queremos atingir um público maior lá fora – adianta.