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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Festival reúne novos conectados com o sucesso

Marianna Fernandes - Do Portal

15/01/2013

 Nicolau Galvão

Artistas brasileiros revelados pela internet nos últimos 10 anos começam a ganhar o mundo “real”. Como a banda O Terno, que abriu o festival Sai da Rede, terça passada, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio. Dedicada a grupos que cresceram e apareceram na web, a iniciativa – que segue nesta terça, às 19h, com o grupo BaianaSystem (veja a programação completa no fim do texto) – ilustra o volume crescente de talentos online. Para o jornalista e ex-diretor de conteúdo do site MySpace Luiz Cesar Pimentel, o fenômeno se deve às condições favoráveis da divulgação nesta plataforma:

– Os artistas optam por expor online simplesmente pelo alcance que a web proporciona e pela gratuidade. Não há combinação melhor – avalia

Por outro lado, Pimentel acredita que o resultado da facilidade de distribuição de conteúdo via internet  nem sempre é positivo:

– A internet democratizou a produção e distribuição musical. Isso é bom, mas, ao mesmo tempo, permitiu que qualquer um lançasse um produto sem qualquer crivo de público ou mercado ou especialista – ressalva – E o que tem se mostrado não é tão bom.

O grupo O Terno é um dos exemplos deste movimento. A banda paulista que começou na internet já amealhou um número expressivo de admiradores, com 8.276 likes no Facebook. Parte deles cercou os integrantes da banda, ao fim do show no CCBB, atrás do que a web não alcança: autógrafos, abraços, um papo frente a frente. O assédio, contudo, só se consolidou graças à internet, ressaltam os músicos.

O baixista Guilherme Peixe reforça que a web, por ser "um espaço livre e independente", permite que talentos se revelem sem a necessidade de filiação a gravadoras. Para ele, tal movimento "modernizou o mercado musical, que se encontrava estagnado. Ainda segundo o músico, o sucesso do conjunto deriva do compartilhamento dos internautas:

– Isso fez com que atingíssemos pessoas em diversos lugares do país. Acaba criando uma cena  gerada pelos próprios internautas, um nicho de bandas que têm a ver. O fato de a gente hoje estar fazendo um show no Rio e ter público que nunca foi para São Paulo, e conhece as nossa músicas, é mérito da internet.

Favorável à liberação de downloads gratuitos, a banda tornou disponível na rede, sem custo, o seu primeiro disco, 66. Na opinião dos integrantes, trata-se de uma estratégia importante para se aproximar do público. O baterista Vitor Chaves acredita na eficácia da divulgação de clipes online para o reconhecimento do público:

– A gente lançou o clipe de 66 (sucesso da banda) na internet e teve uma boa repercussão. Muita gente veio atrás para conhecer as outras músicas.

Já Fabrício Matheus, um dos 60 espectadores que acompanhavam a apresentação no centro cultural, pondera que a internet é "uma via de duas mãos". Ele reconhece que o meio facilita a criaçãone a divulgação de "bons materiais", mas também "veicula muita coisa ruim".

Especialistas observam que a demanda crescente de novas criações disponíveis na web impõe ao consumidor ou usuário um papel decisivo na consagração ou rejeição de novos artistas. Além disso, exige que os antigos ídolos se aproximem do público por meio da rede mundial.

O volume de pessoas conectadas na intenert é crescente. No Brasil, chegaram 83,4 milhões em 2012, segundo o Ibope. Só o Youtube.com, um dos principais meios de divulgação de novos talentos, recebe uma hora de vídeo a cada um segundo, de acordo com o site One Hour Per Second.

A web consolida-se como berço de sucessos não só musicais, mas de diversos outros setores artísticos, como a dança e o humor. Deste segmento, alguns exemplos são os humoristas PC Siqueira, que conquistou um programa na televisão, e Ronald Rios, que se tornou integrante do CQC, da Band.

Em meio à chuva de candidatos ao sucesso que investem na internet em busca de reconhecimento rápido e abrangente, artistas com carreiras consolidadas se rendem ao apelo online. Chico Buarque, por exemplo, lançou um site para divulgar canções inéditas e estimular a pré-venda de seu disco.  

Festival Sai da Rede:

Local: Centro Cultural Banco do Brasil - Teatro II | Rua Primeiro de Março, 66, Centro.

Data: De 8 de janeiro a 5 de fevereiro de 2013.

Horário: Terças, às 12h30 e às 19h.

Bilheteria: Terça a domingo, das 9h às 21h.

Telefone: (21) 3808-2020

Ingresso: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia)

Programação:

* 15 de janeiro – BaianaSystem

* 22 de janeiro – Do Amor

* 29 de janeiro – Silva

* 5 de fevereiro – Tibério Azul