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Rio de Janeiro, 22 de maio de 2024


Cidade

Oposição ao governo pega carona na passeata dos royalties

Matheus Vasconcellos e Monique Rangel - Do Portal

28/11/2012

 Matheus Vasconcellos

A manifestação em defesa dos royalties reuniu políticos, artistas, curiosos festeiros e engajados – a favor e contra o governo fluminense. Contraprotestos também marcaram presença na mobilização organizada pelo governo do estado para pressionar a presidente Dilma Rousseff a vetar o projeto de lei que reduz os royalties recebidos pelos estados produtores, em especial Rio de Janeiro e Espírito Santo.

O protesto colocou no mesmo percurso – da Candelária à Cinelândia – posições opostas. Na Avenida Rio Branco estavam o governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, e também críticos da política fluminense, como índios, estudantes, professores e bombeiros.

Integrante de um contraprotesto organizado pelo Facebook, Felipe Leite, estudante de Ciências Sociais da UFRJ, foi criticar os governos de Cabral e Paes. A palavra de ordem do grupo era: “Injustiça é o Rio desigual, onde morre gente em fila de hospital. Injustiça não é só no petróleo, está debaixo dos nossos olhos”.

– Contestamos a forma como o governo distribui os recursos. Para nós, injustiça é o governo pagar R$ 640 para o guarda municipal, R$ 760 para o professor e R$ 960 para o bombeiro, enquanto o governador ganha R$ 17 mil – afirmou, destacando que o movimento é suprapartidário: – Não temos nada a ver com a União Nacional dos Estudantes e sua política a favor do governo. Eduardo Ribeiro

Assim como Felipe, o aluno de Direito da Uerj Gabriel Amorim, 20 anos, é contra as atitudes do atual governo sem se opor à defesa dos royalties. Ele aproveitou o ponto facultativo na universidade estadual para ir à passeata.

– Nosso protesto é contra a derrubada do antigo Museu do Índio, a privatização do Maracanã e a derrubada da Escola Municipal Friedenreich, nas proximidades do estádio. Defendemos o Rio na questão dos royalties, mas também queremos chamar a atenção da população para a perda que está sendo imposta a muitas pessoas vulneráveis. Isso mostra a face truculenta de quem está no poder – contestou Gabriel, que criou um grupo de jovens cristãos para debater política.

 Eduardo RibeiroOs próprios indígenas da Aldeia Maracanã também foram à passeata protestar contra a derrubada do museu.

– Estamos aqui porque querem desmanchar o museu onde tem a nossa aldeia. Lá vivem 300 índios, de 17 etnias – enfatizou o pataxó Kawatã Xonã.

Houve empurra-empurra quando a manifestação liderada por Cabral e outras autoridades forçou a passagem ao se aproximar do grupo, que estava concentrado na Avenida Rio Branco, na altura da Carioca. Seguranças e a Guarda Municipal dispersou os manifestantes.

Professores e servidores da rede estadual de ensino, bombeiros e funcionários recém-demitidos da companhia aérea Webjet também pegaram carona na manifestação. Eduardo Ribeiro

Dizendo-se “duplamente prejudicado”, o professor desempregado Marcio Moraes, que veio do Espírito Santo para o Rio há um ano, lamentava o que considera uma injustiça contra o estado em que nasceu e que escolheu para viver. Segurando um cartaz que dizia “Um capixaba no Rio pede: veta Dilma”, ele afirmou acreditar no poder de influência das manifestações públicas na política.

– Uma passeata como esta chama a atenção das autoridades. Seria mais eficaz se a organização tivesse saído da vontade popular, em vez da do governo. Mas, ainda assim, pode surtir efeito.

Plateia desavisada

Para além das questões políticas, três trios elétricos animaram os festeiros ao som de pagode, samba e o repetido funk Veta Dilma. Não era carnaval, mas churrasquinho e cerveja vendidos por ambulantes e bares ajudaram a soltar a voz e a cintura dos que foram atraídos pela festa. Grades separavam os convidados do público, que gritava para chamar a atenção de artistas como a apresentadora Xuxa e o cantor Buchecha.

 Eduardo RibeiroA auxiliar de serviços gerais do banco Santander Paula Beatriz Maltês escapuliu do trabalho para ver a concentração. Com a filha Paola Maltês, de 1 ano, ela dançava e se divertia com o movimento, sem saber direito o motivo de tanta “animação”:

– Isso aqui é por causa do negócio do petróleo, né? Não sei direito o motivo, mas o petróleo é nosso e ele tem que ficar aqui.

Um grupo de suecos que visitava o Centro foi surpreendido pela passeata.

– Não estou entendendo nada, estávamos passeando e caímos nesta festa – afirmou Sofia, uma das turistas, antes de perder um amigo, levado pela multidão.

Confira a fotogaleria da passeata aqui.