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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cultura

Livro homenageia Dom Oscar Romero, 'o mártir da libertação'

Ana Luiza Cardoso - Do Portal

21/11/2012

 Arte: Eduardo Ribeiro

Dom Oscar Romero foi assassinado pelo exército quando realizava uma missa na capela do Hospital da Divina Providência, em San Salvador, capital de El Salvador. O arcebispo pregava sobre direitos humanos e justiça durante a Guerra Civil no país, em 1980. Trinta anos após a sua morte, em 24 de março de 2010, em um congresso de teologia na mesma cidade em que o sacerdote salvadorenho foi morto, pesquisadores e religiosos o homenagearam e relembraram Monsenhor Romero.

O livro Dom Oscar Romero: mártir da libertação (Editora PUC) reúne as conferências de oito participantes deste Congresso. Entre os autores encontra-se Maria Clara Bingemer, vice-decana do CTCH (Centro de Teologia e Ciências Humanas) e professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio. Com o desejo de trazer ao Brasil as discussões apresentadas em San Salvador, a teóloga traduziu e organizou o livro, lançado pela Editora PUC-Rio, em parceria com a Editora Santuário.

– O Congresso teve o conteúdo tão rico que achei que mais gente deveria ter acesso ao que foi dito. O meu desejo, e o dos outros autores, é que essa gigantesca figura que foi monsenhor Romero seja mais conhecida e respeitada no Brasil também – diz Maria Clara, que pediu autorização para traduzir para o português os textos originalmente publicados em espanhol na Revista Latino-Americana de Teologia.

 Divulgação No capítulo A fé: outro olhar para ler a história, a autora reflete sobre a fé e a história que envolvem o trabalho de Dom Oscar Romero em seus últimos anos de vida. Maria Clara dividiu sua exposição em três partes. Em O desafio da historicidade, fala sobre como a história desafia a fé cristã, uma vez que Deus se manifesta em situações concretas de tempo e espaço, em meio a conflitos e realidades imprevisíveis. Depois, a autora situa Dom Romero dentro desse dinamismo histórico. Em Romero, mártir de Jesus Cristo, testemunha da justiça e da verdade, traça paralelos entre a vida e a morte do arcebispo com as de Jesus Cristo e Galileu. E como o martírio do arcebispo salvadorenho foi “semente fecunda” não só para a sua Igreja particular, mas para muitas outras comunidades e pessoas ao redor do mundo. E em Conclusão, a prova que Deus estava no centro da fé de Dom Oscar.

– Ele se solidarizava com o povo e queria que a violência parasse. O cerco foi se apertando contra ele e finalmente um dia, enquanto ele celebrava a missa, no momento da consagração, um atirador de elite disparou contra o seu coração. Suas palavras e sua postura incomodaram todos os que praticavam a injustiça e a violência – disse Maria Clara Bingemer. – Ele foi morto por ter sido fiel à Deus e Jesus Cristo, a quem tinha entregue a sua vida e seu trabalho.

“Com Dom Oscar Romero, Deus passou por El Salvador”

A luta de Dom Oscar Romero começou após o então bispo presenciar, em San Salvador, o assassinato do padre Rutilio Grande, seu amigo, que trabalhava em comunidades pobres da cidade. Ao ser nomeado arcebispo, Dom Oscar percebeu a importância de denunciar em suas homilias os horrores da Guerra Civil de El Salvador. Mesmo com ameaças de morte, o líder religioso não desistiu.

– À medida que ele foi compreendendo a crueldade do sistema político, que trocava a vida dos pobres por garantias de poder, tornou cada vez mais explícita a evangélica decisão de ficar ao lado do povo – disse o professor de Teologia e Frei Luiz Carlos Susin, responsável pelo prefácio e pelo capítulo O coração do Evangelho à margem do mundo, no livro Mártir da Libertação. – Ele deve ser relembrado porque representa o itinerário cristão de um pastor que seguiu Jesus na missão, na defesa dos que sofrem e na justiça.

Também estão presentes na obra artigos do bispo católico Pedro Casaldáliga, do professor da Faculdade de Teologia da Catalunha Xavier Alegre, do padre Gustavo Gutiérrez, do sacerdote e teólogo jesuíta Jon Sobrino e do bispo da Diocese de São Marcos, Álvaro Ramazzini Imeri.