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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cultura

Mostra PUC-Rio Kinoplex exibirá 66 curtas no Cine Odeon

Renan Rodrigues - Do Portal

09/11/2012

 Arte: Carlos Serra

Impulsionado pela internet e pelas novas tecnologias digitais, o curta-metragem consolida participação crescente em festivais de cinema. Depois de responder pela maior parte dos filmes que competiram no Festival do Rio 2012, há cerca de 20 dias, o gênero é a estrela da Mostra Kinoplex PUC, de sexta (9) a domingo (11), no Cine Odeon, no Centro. Inserida na série de atividades comemorativas dos 60 anos do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, esta parceria da universidade com a rede Severiano Ribeiro/Kinoplex apresentará, ao longo dos três dias, 66 curtas produzidos por alunos do curso de Cinema.

Seis filmes – três de ficção e três docimentários – serão selecionados por seis jurados, entre críticos e profissionais da área, para entrar em circuitio comercial, em abril do próximo ano. A premiação vai fechar o festival, às 20h de domingo (Veja a programação no quadro abaixo do texto). O diretor do curta Agoniza mas não morre (2011), Gabriel Meyohas, comemora a visibilidade:

– Já participamos dos festivais do Rio e de Montevidéu deste ano. Agora, vamos ter espaço também no Odeon. A visibilidade está ótima. Isso é muito bom para gente – anima-se o estudante de 21 anos.

Inspirado em uma música de mesmo nome de Nelson Sargento, Agoniza mas não morre (2011) aborda a “mercantilização do samba”, segundo o diretor. Com aproximadamente 13 minutos, ícones do samba como Nelson Sargento e Dona Ivone Lara são personagens do documentário.

– Eu e Maíra Motta, minha amiga de curso, nos baseamos na música para montar o roteiro, embora eu acredite que o roteiro de um documentário só saia, efetivamente, na própria edição. Falamos sobre a transformação do samba em produto, sobre os desfiles das escolas de samba e a participação da mídia. Enfim, falamos sobre a trajetória do samba – sintetiza Gabriel.

O professor de cinema da PUC-Rio Arturo Netto, um dos colaboradores do festival, considera que a parceria entre a universidade e o grupo brasileiro do setor representa um complemento entre a formação acadêmica e o mercado, apontado como o objetivo do curso:

– A habilitação em cinema, criada em 2005, é a mais nova do Departamento de Comunicação Social, fundado em 1952. Nós queremos atingir a excelência acadêmica e, ao mesmo tempo, promover a aproximação do aluno com o mercado.

Em busca de mais visibilidade para o trabalho desenvolvido pelos alunos, o Odeon foi escolhido, ainda de acordo com Arturo, por "associar tradição e qualidade". Ele acredita que a exibição em um “cinema de referência" seja um estímulo a mais aos alunos:

– Escolhemos o cinema Odeon porque ele é emblemático. A Cinelândia era a maior concentração de cinemas do Rio, mas hoje restou apenas o Odeon – lamenta.

Traços de um tempo em que, para o bem e para o mal, a internet assume peso signficativo na rotina e nos movimentos profissionais. No caso do cinema, boa parte dos estudantes, cineastas e professores concorda que as tecnologias digitais e a rede mundial convertem-se – de forma complementar ao prestígio e a visibilidade amealhados nos festivais – em canais pródigos para a divulgação de curtas-metragens. Gabriel só não tornou o seu Agoniza mas não morre integralmente disponível na internet porque a exibição integral na rede impossibilitaria a participação em mostras competitivas, que, em geral, admitem só inéditos. Mas o estudante não perdeu a oportunidade de divulgar o filme nas redes sociais:

– Como não podemos disponibilizar o filme todo, fazemos a divulgação por meio de trailer. Mesmo com a limitação, é muito bom fazer a divulgação. A visibilidade lá (na rede) é muito grande, principalmente para quem faz cinema independente – argumenta o aluno do oitavo período.

Aquela limitação fez com que o também estudante de cinema na PUC-Rio Pedro Bueno, diretor de A menina e o monstro, deixasse o filme, pelo menos por enquanto, fora da internet. O curta, concluído há pouco mais de 30 dias, será exibido pela primeira vez no festival do Odeon.

– Alguns festivais querem exclusividade, então não se pode divulgar o filme na internet. Mas vamos pensar em trailer para o Youtube e o Facebook. A internet é uma grande aliada, porque, apesar dos avanços, não temos grande divulgação de curtas no Brasil. Fora do circuito de festivais, os curtas não chegam – ressalva Bueno.

 Divulgação O curta A menina e o monstro (2011) investe na relação entre uma menina e o monstro que vive embaixo da sua cama. Com o tempo, eles se tornam amigos. Segundo o diretor, a história é de fácil identificação por todas as pessoas:

– Eu pensei em contos de fada e lembrei de um amigo de infância. Todo mundo se identifica.

A menina e o monstro se passa nos anos 1950, o que, ressalta Pedro, possibilitou "um trabalho especial na fotografia". O apoio recebido para a caracterização de época também é reconhecido pelo cineasta da nova geração:

– A produtora em que trabalhei cedeu o equipamento de fotografia e uma loja infantil, o figurino – conta. 

Mostra PUC-Rio Kinoplex de Cinema

Cinema Odeon: Praça Floriano, 7, Cinelândia.

Entrada gratuita: alunos, professores e funcionários da PUC-Rio.

Público em geral: R$ 5.

Lista completa dos filmes aqui.