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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Repórter lança livro sobre resgate de mineiros no Chile

Tiago Coelho - Do Portal

30/10/2012

Reprodução TV

No dia 13 de outubro de 2010, o mundo inteiro acompanhou pela imprensa o resgate de 33 mineiros em uma mina de cobre no Chile. Para o repórter da Globo News Rodrigo Carvalho, que participou da transmissão deste acontecimento, bom critério para avaliar se o jornalismo é a escolha profissional certa é perguntar a si mesmo se gostaria de estar ali. E era ali, no centro do fato que se tornou histórico, que Rodrigo gostaria de estar, como afirmou o ex-aluno da PUC-Rio em palestra na universidade. A conversa com estudantes de jornalismo fez parte das comemorações dos 25 anos do Projeto Comunicar, programa de estágio do qual participou.

Rodrigo, de 25 anos, definiu a profissão de repórter como “apaixonante”. Na conversa, lembrou a chegada à cidade de Copiapó, região do deserto de Atacama, quatro adias antes da retirada dos mineiros. O repórter só saiu dali três dias depois. Da vivência pessoal e profissional com os personagens e acontecimentos desta história com final feliz surgiu a ideia de escrever o livro Vivos embaixo da terra (Editora Globo).

Na mesma noite do resgate, Rodrigo começou a rascunhar algumas memórias. Como ficou com a sensação de que nem tudo foi dito durante a cobertura para Globo News, buscou uma forma de aprofundar aquela história num livro.

– Uma amiga me disse para registrar aquela história escrevendo, e o Geneton Moraes Neto fez a ponte com a Editora Globo. Gostei da ideia de lançar o livro. Ali estão minhas angústias e alegrias, coisas que não disse durante a cobertura que fiz para a TV.

A intenção do jornalista com o livro era contar uma história que pudesse interessar não apenas a profissionais e estudantes de Comunicação, mas ao público geral. O jornalista confessou que gostou da experiência de escrever um texto sem a linguagem de TV.

– Fiz o livro pelo registro. Ser escritor não dá dinheiro. Seja eu ou o Paulo Coelho, o autor no Brasil fica com apenas 10% do preço de capa. Além de registrar aquela história, ter escrito este livro me possibilitou conversar com estudantes de jornalismo em Bauru, por exemplo.

Antes da Globo News, Rodrigo Carvalho teve passagens pelo SBT, mas foi ainda como estagiário do Comunicar que tomou gosto pelo jornalismo. Quando entrou na faculdade de Comunicação, estava em dúvida entre cursar publicidade ou jornalismo. No estágio, o estudante pode não só ratificar o interesse pela profissão, mas, também, estar no melhor lugar para um repórter estar: a rua.

– Gosto muito de ser repórter. Desde a época do estágio no Comunicar que tomei gosto pela rua. É na rua que gosto de ficar – contou Rodrigo, cujo primeiro emprego foi em um jornal quinzenal de Niterói.

Para os que acreditam que a profissão de repórter de TV é cheia de glamour e facilidades, o jornalista tratou logo de alertar aos cerca de 50 alunos que o ouviam atentamente:

– Quem pensa em fazer TV pensando no glamour, esqueça. Muitas vezes você tem que se virar no sufoco. Ficar sem tomar banho, sem dormir.

Rodrigo contou ainda outros momentos de aperto pelos quais repórteres passam, quando nem a fama nem os anos de trabalho acumulados ajudam e cada um se vira como pode. Na cobertura dos mineiros, o veterano repórter Caco Barcelos dormia no banco traseiro do automóvel da equipe da TV Globo.

Reprodução TV A cobertura do resgate dos mineiros não é a única reportagem de grande comoção do jornalista. No mesmo ano de 2010, Rodrigo Carvalho se viu diante de uma tragédia na esquina de sua casa: o desabamento do Morro do Bumba, em Niterói. No primeiro dia de janeiro de 2011, foi testemunha de mais um desabamento, desta vez em Angra dos Reis. Na manhã seguinte ao Réveillon, o jornalista se viu no litoral sul fluminense sem alguém para lhe substituir, virando a noite na cobertura.

– Na cobertura do desabamento em Angra, só tive tempo de pedir minha mala com minhas coisas de Niterói. Não tive rendição.

Apesar das dificuldades, Rodrigo Carvalho disse ser um entusiasta da profissão. O mais importante no trabalho do repórter, diz, é levar ao público as singularidades do olhar do profissional. Para ele, a emoção do jornalista, dentro da medida, é sempre bem-vinda, e a forma com que cada repórter vai lidar com um acontecimento carregado de emoção é individual, não tem receita:

– Tento levar ao ar aquilo que me surpreende. É claro que a cobertura dos mineiros foi emocionante. Dentro do limite, eu estava eufórico. Naquele contexto, minha emoção era informação. Seria estranho se, depois de toda aquela emoção, eu aparecesse no ar de forma fria. A melhor forma de lidar com tudo aquilo é você quem vai criando ao longo do tempo.