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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cultura

Orgulho e tradição nordestina nos cinemas cariocas

Ana Carla Pereira * - Da sala de aula

25/10/2012

 Acervo Xico Nóbrega

O lançamento do filme Gonzaga: de pai para filho, que abriu o Festival do Rio, estreia neste 26 de outubro, marca as comemorações do centenário de Luiz Gonzaga. O Rei do Baião, cujo aniversário se comemora em 13 de dezembro, recebe homenagens no Brasil inteiro desde o início do ano, quando foi tema do samba-enredo da Unidos da Tijuca, campeã do carnaval carioca.

Depois de dirigir Dois filhos de Francisco, filme com o sétimo maior público do cinema brasileiro, Breno Silveira se aventura em mais uma biografia, que trata das relações entre Luiz Gonzaga com sua família e sua cidade.

É o ator pernambucano Adélio Lima quem interpreta o Rei do Baião. Em 2009, Adélio criou o personagem Gonzagão para recepcionar os visitantes do Museu do Barro, na cidade de Caruaru, onde trabalha como agente cultural. A oportunidade de estrelar o filme surgiu depois que um dos músicos do cantor Zé Ramalho visitou o museu e levou um cartão do ator para a amiga Daniela Fonseca, responsável por apresentá-lo à equipe da Conspiração Filmes, produtora do longa-metragem. Para viver Luiz Gonzaga mais velho, Adélio participou de workshops com o preparador Sergio Penna e procurou inspiração no personagem Pantaleão, de Chico Anysio, para fazer uma voz semelhante à do Rei do Baião.Júlia Zaremba

“Luiz era o pai do Nordeste e um rei no Brasil. Fazemos uma viagem ao passado, vendo em um filme dois grandes ídolos da música, Gonzagão e Gonzaguinha. E veremos que a vida dos dois tem mais a ver com a nossa do que pensamos”, afirma Adélio. 

Rei do Baião é inspiração e referência

Nascido no vilarejo de Exu, no sertão pernambucano, Luiz Gonzaga Nascimento era o segundo dos nove filhos de Januário José dos Santos e Ana Batista de Jesus. Aos 18 anos, entrou para o Exército e viajou o Brasil em missões militares, durante a Revolução de 30. No próprio Exército, decidiu fazer um concurso para músico, mas foi reprovado por não conhecer a escala musical. De soldado Nascimento, passou a ser conhecido como soldado Corneteiro. Outros o chamavam de Bico de Aço.

Os professores de música do Exército não imaginariam que cerca de dez anos depois, em 1941, o soldado corneteiro assinaria um contrato com a gravadora RCA Victor e, a partir daí, viraria o Rei do Baião. Adaptando uma nova batida à sanfona utilizada pelos violeiros sertanejos, ele criou um novo gênero musical.

Durante 70 anos de carreira, Luiz Gonzaga gravou cerca de 210 discos, compôs quase 2 mil músicas e teve canções regravadas por artistas do Brasil inteiro. As canções de Gonzagão são conhecidas pela maioria dos brasileiros e se mantêm vivas até hoje. O sanfoneiro é referência da cultura brasileira. Durante show no dia 23 de abril de 2012 em Recife, o ex-beatle Paul McCartney disse, em português: “Salve a terra de Luiz Gonzaga”.

Desde 1980, o jornalista paraibano Xico Nóbrega faz pesquisas sobre a vida e obra do Rei do Baião. Atualmente, também é editor do site do Museu Fonográfico Luiz Gonzaga, na Paraíba, que reúne cerca de 5 mil discos do cantor, além de reportagens e vídeos de Gonzagão. Assim como muitos brasileiros, ele conheceu a obra do sanfoneiro por meio de outros cantores como Benito de Paula, que regravou a música Asa branca. Como repórter do jornal A União, de Campina Grande, Xico acompanhou o enterro de Luiz Gonzaga, em 4 de agosto de 1989, com exclusividade para a imprensa paraibana. Ele conta que resolveu ir a Pernambuco, onde Luiz Gonzaga foi enterrado, apenas com o dinheiro da ida.

 Xico Nóbrega - Exu 4/8/1989

– Conheci as irmãs de Luiz Gonzaga, a mulher dele, Helena Gonzaga, e o filho, Gonzaguinha. Vi o corpo baixar à sepultura em ritual maçônico e o povo, além do muro do cemitério, acenando e cantando os derradeiros sucessos do ídolo – relata Xico, que depois do sepultamento pediu ao prefeito de Campina Grande o dinheiro para a passagem da volta. – Deixei a cidade de Exu muito emocionado.

Festa na Feira de São Cristóvão será em dezembro

No Rio, a grande festa para Gonzagão será na Feira de São Cristóvão, que recebe cerca de 450 mil visitantes por mês e funciona num espaço cujo nome é uma homenagem ao Rei do Baião: o Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas. No dia 13 de dezembro, a feira será palco do show Sanfonas do Sertão, que reunirá três sanfoneiros que trabalharam com Luiz Gonzaga.    

De acordo com Gilberto Teixeira, diretor de marketing da Feira de São Cristóvão, a apresentação dará origem ao CD e DVD Sanfonas do Sertão, produzidos por Rildo Hora, produtor de cinco álbuns de Luiz Gonzaga. O material será lançado em fevereiro de 2013, no Festival Internacional de Forró, coordenado por Marinho Brás, também na feira.

Além deste show, haverá apresentações de diversos trios de forró do Rio de Janeiro.

– A ideia é reunir atrações de dentro e fora da cidade, agregar todas as manifestações culturais do Nordeste em cima de Luiz Gonzaga. As comemorações acontecem ao longo do ano, mas o dia 13 é especial – conta Teixeira.

Reportagem produzida para a disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso.