Projeto Comunicar
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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Mensagens românticas no bambu rendem prêmio

Renan Rodrigues - Do Portal

19/10/2012

Inspirado pelas bodas de diamante do Departamento de Comunicação, o concurso de curtas produzidos pelos alunos premiou o romantismo. A Comunicação se atenta a cada movimento, de Alice Constança Reis, joga luz nas mensagens de amor cravadas em bambus do bosque. O doce contraste ao mundo digital em que navegamos levou a melhor entre os sete concorrentes assistidos, nesta quinta-feira, na sala 102k. Alice conta que a ideia veio da observação de uma cena comum no campus: Maria Christina Corrêa

– Vi dois nomes escritos com um coração no bambu, um clássico das mensagens de amor. Aquilo também é comunicação.

De diferentes épocas, indicadas também nos bambus, as rústicas declarações de amor sobrevivem ao apelo do mundo digital. Provam, segundo a produtora do curta, que há vida para a (boa) comunicação além da internet:

– Eu me inspirei numa cena antiga que ainda é usada por jovens, mesmo na era digital.  Maria Christina Corrêa

Para concretizar a ideia original, a estudante do sexto período teve de adaptar o roteiro às circunstâncias imprevistas. Ao chegar ao bosque para o primeiro dos três dias de gravação, deparou-se com uma turma de alunos cortando os bambus mais velhos:

– Pensei que fosse o fim do meu vídeo. Percebi, então, que comunicação é instável. Filmei o corte dos bambus e, a partir desta cena, pontuei as formas de comunicação que podemos usar para declarar o nosso amor.

A sagacidade da estudante é reconhecidas por uma das juradas, a cineasta Anna Azevedo. Ela ressaltou a capacidade de imporvisar:

– Quando viu, o filme imaginado não estava mais lá. Alice pensou rápido, e isso é uma característica fundamental para quem trabalha com comunicação – lembra Anna.

O segundo colocado no concurso, Fábio Guilherme Dias, está ainda no terceiro período. Pretende cursar publicidade e cinema, não necessariamente nesta ordem. Ele diz que o curta O Autor – “uma produção profissional”, segundo os hurados – é “visão jovem sobre o curso”.

– Fiquei impressionado com a produção full HD do trabalho. Você pode usar esse curta como seu portfólio para buscar um estágio em publicidade – aconselhou o publicitário Paulo Peres, que formava a comissão de jurados ao lado de Anna e do jornalista Geraldo Mainenti.

Fábio, de 18 anos, acredita quer a experiência pode ajudá-lo a abrir portas no mercado. Planeja, inclusive, participar de outras disputas do gênero:

– Aprendi muito fazendo (o filme). Vou procurar um estágio – anima-se – A experiência pode ajudar até em outros concursos.

No terceiro colocado, Do Tijolo à maçã, Alberto Pereira relaciona os 60 anos do Departamento de Comunicação com o avanço tecnológico dos celulares. O curta risadas dos 30 espectadores ao mostrar um celular antigo, chamado de “tijolão” pelo próprio estudante (foto). Outro ponto interessante é a técnica do stock motion, a partir do sequenciamento de fotografias.

– Usei esta técnica porque era forma de tornar a produção mais rápida, para conciliar com os meus afazeres profissionais. Assim, combinei o celular, a criatividade e a sequência de fotografias – justifica Alberto.

A aluna do primeiro período Amanda Pereira também obteve reconhecimento dos jurados. Ele compensou a falta ainda de um conhecimento mais conistente com a vontade de empreender. A autora do O que os 60 anos representam para você? conta que a motivação partiu da disciplina Introdução ao cinema, lecionada por José Mariani. Espera estar mais preparada para os próximos concursos:

– O meu filme foi cru. Nem o timecode eu tirei. A minha intenção era mostrar mesmo que eu estava no começo do curso.  Espero que outros concursos como esse sejam realizados – confia a caloura.

 Maria Christina Corrêa Uma das organizadoras do concurso, a coordenadora do curso de Publicidade, Cláudia Pereira, considera a iniciativa positiva, mas confessa que esperava uma adesão maior dos alunos (foram inscritos 15 curtas). Ela também espera que outros concursos sejam criados, com uma participação mais intensa:

– Este tipo de concurso permite ao aluno parar para refletir sobre algum tema no mundo. Ele quebra a rotina acadêmica. É um espaço que se abre para que o aluno coloque suas ideias em prática – observa a professora.