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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Mundo

A Amazônia no centro do debate ambiental

Maria Eduarda Parahyba - Do Portal

27/05/2008

“Aquecimento global é um assunto pop”. Assim o jornalista André Trigueiro, mediador do II Seminário de Mudanças Climáticas, iniciou o ciclo de debates, nos dias 2 e 3 de abril, na PUC-Rio. O diretor da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da UFRJ, Luiz Pinguelli, completou: “A mudança do clima é uma questão verdadeiramente global, não há solução individual”.

A busca de soluções conjuntas foi a tônica da discussão, que contou com o pesquisador do INPE Carlos Nobre e o cientista político Sérgio Abranches. Na abertura, o embaixador Sérgio Serra destacou a importância de metas rigorosas de controle de poluentes. Ele participara da Conferência de Bali, em 2008, na qual ficou acordado – inclusive pelos Estados Unidos  – um plano de ação para reduzir a emissão de gases nocivos ao meio ambiente. Apesar do avanço, o especialista lembrou a necessidade de aperfeiçoamentos dos mecanismos de combate às fontes poluidoras, o que exige um engajamento coletivo.

Carlos Nobre traduziu o aquecimento global em números. Destacou o aumento da temperatura dos oceanos nos últimos anos: 0,6­ grau, o suficiente para ameaçar as geleiras do Pólo Norte e, conseqüentemente, espécies como o urso polar. 

Um dos vilões destas mudanças drásticas, o desmatamento responde, no Brasil, por 75% do total de emissões de gás carbônico (CO2). Embora o etanol da cana-de-açúcar seja considerado alternativa ecológica, Carlos Nobre ressalvou:

– Não é para desmatar a Amazônia para plantar cana. Não faz sentido ao planeta. Há o risco de savanização da Amazônia, caso a temperatura aumente quatro graus.

Na visão dos palestrantes, o governo precisa ser firme para alinhar a expansão da  Amazônia aos compromissos ambientais. Conjugar as demandas da pecuária e das plantações de soja e cana-de-açúcar, por exemplo, à responsabilidade ecológica.

Para Pinguelli, o uso de diferentes formas de geração de energia também é uma das formas de diminuir a emissão de gases:

– O Brasil tem um potencial enorme para energias alternativas, como a eólica e a solar. Falta investimento – observou o ex-presidente da Eletrobras – Temos que usar melhor a energia. A eficiência do uso de energias é o melhor meio de evitar o desperdício, o efeito estufa.

Outro caminho aponto pelos debatedores foi o desenvolvimento de combustíveis inócuos ao meio ambiente, em compasso com o incentivo ao uso de transporte coletivo. Para isto, reforçaram eles, é preciso investir no aprimoramento do transporte público, a fim de torná-lo acessível, seguro, eficiente. Sérgio Abranches foi categórico: a sociedade precisa se mobilizar agora, porque depois pode ser tarde demais.

Na visão dos palestrantes, a adoção do crédito de carbono (compensação econômica decorrente de reflorestamento) é insuficiente para pôr paises e empresas no trilho da preservação ambiental.  Abranches advertiu: só plantar não adianta, as empresas precisam assegurar que as árvores vão sobreviver por pelo menos uns 30 anos.

Embora exijam esforços transnacionais, as soluções para o aquecimento global dependem também de gestos simples, de cada cidadão, lembraram os especialistas. Como fechar a torneira ao escovar os dentes, não tomar banhos demorados e fazer a coleta seletiva do lixo.

Na próxima semana, a universidade promoverá uma série de atividades alusivas à XVI Semana de Meio Ambiente. De 3 a 6 de junho, o Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima) vai oferecer os minicursos Agrofloresta, Botânica Econômica e Jardins Sustentáveis (informações no endereço www.nima.puc-rio.br. Fazem parte da programação oficinas de desenhos com frutas e pufes com garrafas pet.