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Rio de Janeiro, 25 de junho de 2022


Cultura

Emoção marca a abertura do Festival do Rio 2012

Júlia Zaremba e Tiago Coelho - Do Portal

28/09/2012

 Eduardo Ribeiro

A abertura do Festival do Rio 2012 foi marcada pela musicalidade e pela emoção na noite desta quinta-feira, 28, no Cine Odeon. A maratona cinematográfica, que nesta 14ª edição terá 400 filmes de mais de 60 países, exibidos em 30 pontos da cidade, teve início com a exibição da cinebiografia Gonzaga, de pai para filho (2012), dirigido pelo cineasta Breno Silveira. Pelo tapete vermelho, além do elenco do filme, desfilou a nata do cinema nacional, autoridades e convidados internacionais. A ministra da Cultura recém-empossada, Marta Suplicy, foi disputada pela imprensa. Entre visões otimistas e pessimistas, artistas comentaram o atual momento do cinema nacional. As organizadoras do festival anunciaram novidades para este ano, entre elas a parceria inédita com a PUC-Rio, que exibirá 12 filmes selecionados pelo festival, entre curtas e longas-metragens.

Breno Silveira garante emoção na exibição de filme sobre Gonzagão e Gonzaguinha

 Eduardo RibeiroNa entrada do tradicional prédio do Cine Odeon, que este ano completa 80 anos, o cineasta Breno Silveira fez um alerta sobre o que se podia esperar de Gonzaga, de pai para filho:

– Fizemos um trabalho bonito, emocional. Não é só uma cinebiografia, é uma linda história, antes de tudo. Só digo uma coisa: leve o lencinho, pois o filme está emocionante. Vai fazer tanto sucesso quanto 2 filhos de Francisco.

Orgulhoso e emocionado, Breno contou como o projeto foi parar em suas mãos:

– O filme começou há sete anos, quando recebi uma caixa de fitas com entrevistas do Gonzaguinha com o Gonzagão. Pai e filho brigando e fazendo as pazes – contou o cineasta.

O elenco do filme estava ansioso para a estreia e ficou o tempo todo ao lado do diretor. O estreante Nivaldo Expedito, conhecido como Chambinho do Acordeon, ficou com a responsabilidade de interpretar o rei do baião na fase adulta. Acompanhado da mulher, com quem ficou de mãos dadas a sessão inteira, não conseguiu disfarçar o nervosismo e falou sobre o primeiro trabalho como ator:

– O processo de seleção foi extenso.  Entrei no meio de 5 mil pessoas, tive que perder 10 quilos e vencer a timidez. Não sou ator, sou sanfoneiro. Acreditei nesse projeto justamente pela minha profissão e por se tratar de Luiz Gonzaga, cuja obra conheço desde criança. Júlia Zaremba

Chambinho não foi o único a ficar com frio na barriga. O ator Júlio Andrade também estava na expectativa para assistir ao longa, em que é Gonzaguinha:

– Gonzaguinha sempre foi meu ídolo. Não foi nem um pouco difícil interpretá-lo, foi muito prazeroso.

A atriz Sílvia Buarque falou sobre o processo de criação da sua personagem, a mãe de criação de Gonzaguinha:

– Foi uma preparação muito intensa, mas também muito alegre. Frequentei a feira de São Cristóvão para entrar no clima.

Ao final da exibição, enquanto os créditos subiam, parte da equipe cantarolou O que é? O que é?, de Gonzaguinha.

A inclusão cultural foi um dos temas da noite. Em discurso de abertura do festival, a ministra Marta Suplicy falou da necessidade de se investir em políticas para incentivar a sétima arte:

– O festival é um momento de encontro entre cultura e mercado audiovisual. O audiovisual tem importância em termos sociais, econômicos e de manifestação da identidade social e nacional. Temos novos desafios daqui para frente para fortalecer a criatividade, reduzir burocracias e atingir mais público. Há uma necessidade de inclusão cultural e o fortalecimento de profissionais e empresas.

Nesta direção, outra novidade é que o festival chega a novos pontos da cidade. Pavuna, Penha e Méier terão exibições de filmes. Outro desafio, citados pelas organizadoras, é o combate à pirataria.

– O Brasil é um país que deve e precisa preservar a propriedade intelectual, que é o grande bem do nosso ofício – afirmou Walkiria Barbosa, uma das organizadoras do festival.

Também organizadora da mostra, Ilda Santiago ressaltou a importância da tecnologia:

– Temos que melhorar e aperfeiçoar as tecnologias para mostrar ao público que realmente vale a pena sair de casa e pagar ingresso para assistir a um filme.

Festival do Rio 2012 traz novidades para público carioca e para comunidade PUC

Este ano o festival se consolida como um dos mais importantes do país e da América Latina, com 74 filmes nacionais além de títulos de mais de 60 países. As novidades para esta edição são muitas. Uma delas é a volta da mostra Cinema na Praia, que exibirá em Copacabana o filme mudo The Pleasure Garden (1925), de Alfred Hitchcock, com orquestra ao vivo.

Outra novidade é a parceria com a PUC-Rio, a primeira em 14 edições do festival. Além da exibição de filmes no campus, alunos de cinema e publicidade da universidade estão trabalhando na produção. Walkiria Barbosa elogiou a cooperação:

– A parceria entre ciência e audiovisual é necessária, ainda mais no cinema digital. Por isso escolhemos a PUC, universidade que tem um bom trabalho na área de animação e também na área científica.

O professor Arturo Neto, do curso de cinema da PUC, também ressaltou a importância da parceria:

– É uma afirmação de que duas instâncias qualificadas se aproximam. Não abrimos mão da importância da formação acadêmica, mas é fundamental estar próximo ao mercado. É importante mostrar ao aluno que ele tem um canal de participação e visibilidade. Queremos aparecer com qualidade, por isso essa parceria é um processo natural.

Seis filmes produzidos na universidade foram selecionados e serão exibidos na mostra. Três estarão na mostra competitiva e outros três na mostra não competitiva. Além destes, seis longas-metragens serão exibidos no campus da universidade entre os dias 3 e 11 (veja na reportagem PUC-Rio estreia parceria com Festival do Rio 2012).

Artistas e produtores discutem o mercado cinematográfico nacional

Profissionais do audiovisual brasileiro que passaram pelo tapete vermelho comentaram sobre o atual momento do cinema nacional.

Uma das figuras fundamentais na história do cinematografia brasileira, o diretor e produtor Luiz Carlos Barreto, homenageado pelo evento, disse que o avanço do mercado cinematográfico traz a necessidade de apoio técnico e profissional e vê com otimismo o crescimento do setor, citando Roberto Carlos para projetar o futuro:

– Daqui para frente, tudo vai ser diferente, como diria o rei. Vamos precisar fomentar o setor que o hoje é o sétimo maior do mundo. Hoje o audiovisual cresce 8% ao ano. Nenhum outro setor econômico cresce tanto no país.

Mas nem toda a classe tem elogios quanto às políticas da produção cinematográfica. O ator Mateus Solano acha que é preciso tomar atitudes para que o mercado interno não seja engolfado pelo cinema de Hollywood:

– O cinema americano nos empurra para fora. Isso precisa ser discutido.Eduardo Ribeiro

Uma das musas do cinema brasileiro, Dira Paes fez o mesmo questionamento de Solano e acrescentou que o valor cobrado pelos ingressos é um impedimento para o aumento do público. Mas vislumbra um futuro mais esperançoso:

– Há uma restriçãomuito grande com relação ao preço dos ingressos. Mas o cinema nacional dá sinais de que pode crescer mais:

Se para Solano as coisas não vão bem, para o comediante Fábio Porchat, representante do humor nas telonas, o cinema vai de vento em popa:

– Acho o atual momento do cinema nacional excelente. A comédia está na moda. Lancei um este ano e ano que vem lanço mais dois.

Eduardo Ribeiro Porchat disse também que a internet, mídia em que transita com sucesso, pode ser um ótimo canal de divulgação para o cinema, e revelou que o grupo Porta dos Fundos, que faz sucesso com vídeos na rede, tem planos para o cinema no ano que vem.

O ator e professor de cinema brasileiro da PUC Sérgio Mota avaliou que este ano as bilheterias dos filmes brasileiros ficarão baixo dos números do ano passado, mas pondera que ainda assim as coisas vão bem para o mercado interno:

– O panorama atual é sombrio comparado ao de 2011, que foi muito bem. Mas este ano há uma variedade de diretores estreantes e mais inexperientes produzindo, experimentando. Quero muito ver o filme do Domingos de Oliveira e do Matheus Souza, que são de gerações diferentes. Isso é muito importante, não é só o número de bilheteria que conta – contou Sérgio, que disse estar ansioso para assistir aos filmes produzidos pelos estudantes da PUC.

O diretor Breno Silveira reconhece que as novas mídias impõem desafios à sétima arte. Mas para ele, uma coisa não se discute:

– Muita coisa vai mudar, mas uma experiência numa sala escura de cinema é insubstituível.  

Confira a programação completa do Festival do Rio no site oficial do evento.