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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

Poder moderador da internet no Forte Duque de Caxias

Matheus Vasconcellos - Do Portal

28/09/2012

 Eduardo Ribeiro

Novos conceitos de comunicação foram tema de debate durante a palestra Evolução Histórica das Grandes Crises Institucionais, na Semana de Comunicação Social do Exército, promovida pelo Centro de Estudos de Pessoal do Exército, no Forte Duque de Caxias, no Leme. Debatendo o papel da mídia durante as crises de imagem e as mudanças nos regimentos políticos desde o Império, o pesquisador Henrique Antoun, professor e doutor em comunicação social pela UFRJ, faz um retrospecto do desenvolvimento da internet e seu poder moderador na tarde da última quarta, dia 26.

Antoun expôs as principais diferenças entre os primeiros grupos de discussão em rede e a internet hoje. A partir dos anos 80, quando a internet surge, lembrou Antoun, grupos de pensadores começaram a se reunir com mais frequência na Usenet, meio de comunicação onde usuários postavam mensagens de texto em fóruns agrupados por assunto:

– Os grupos de discussão naquela época formaram líderes de opinião, cômicos, apresentadores e polemistas. Hoje, na internet, nós temos o ególatra, aquele cara que fala sempre sobre ele, o troll, que é uma nova face do cômico, e o piadista chato que faz gracinha com tudo. Esses são os principais inflamadores das revoltas na internet – afirmou ele, que define os heróis da internet atual como “gordinhos com o rosto cheio de espinhas” que se escondem atrás de tela do computador.

Para o professor, o ápice dos grupos de discussão e das redes sociais foi alcançado quando, em 2006, o então desconhecido da mídia Barack Obama começou uma movimentação através da internet com diversos grupos de discussão. Em 2008 o mesmo Obama surgiu como furacão, nas eleições presidenciais norte-americanas, passando por cima de políticos renomados como Hilary Clinton, e posteriormente John McCain, e sendo eleito presidente dos EUA, apoiado por seus eleitores da internet. Hoje, porém a situação de Obama é outra:

 Eduardo Ribeiro – Enquanto a mídia de massa não produz uma coisa que “cola”, a internet produz algo que fica. A internet exige tempo e dedicação. À medida que Obama foi abandonando alguns pontos que havia combinado com seus eleitores na internet, foi sendo abandonado por eles.

Foram os grupos de discussão que permitiram aos Estados Unidos se tornarem uma espécie de “poder moderador” do mundo online:

– O surgimento da internet possibilita que os norte-americanos ganhem a posição de “polícia do mundo”, cuja força só pode ser acionada a partir das exigências democráticas. A internet também possibilitou a cortina de ferro a se tornar uma cortina de pano, e depois a se tornar uma cortina qualquer – definiu Antoun, lembrando o fim da União Soviética, em 1991.

Com o nascimento da Usenet, as grandes crises de imagem provocadas pela guerra de informação se transformaram e passaram a ser geradas e nutridas pelas redes de internet. Assim nasceu a guerra em rede. Segundo o professor, essa batalha na Web 2.0 serviu para tentar fazer com que a briga de informações nas grandes mídias como a TV e o rádio não tivesse efeito.

Para Antoun, apesar de ser revolucionária no mundo da comunicação, a internet não serve como instrumento de comunicação de massa: o melhor meio continua sendo a televisão:

– Se você quiser se aproveitar de um meio de comunicação de massa use a televisão, pois ela é rápida, rasteira e eficiente. A internet não funciona bem como instrumento de massa – afirmou.