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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Crítica de Cinema

Cartunista coreano inova com filme autobiográfico

Maria Christina Corrêa - Do Portal

27/09/2012

 Divulgação

Gonzaga - de pai para filho, de Breno Silveira, dá a largada, hoje, às 21h, no Odeon Petrobras, para a maratona de filmes que invadem a cidade nos próximos 15 dias. Cerca de 400 produções nacionais e internacionais, de mais de 60 países, serão exibidas até 11 de outubro. Entre os longas e curtas, de ficção e documentário, que ganharão as salas do Estação Sesc Rio, o Lagoon, Cinemark Botafogo, Kinoplex Leblon, Roxy, entre outras, participam filmes de alunos e ex-alunos do curso de Cinema da PUC. Dois deles concorrem na categoria Curtas de Ficção do Festival do Rio – Palhaços não choram, de Luisa Mello, e Condição, de Victor Quintanilha – e Agoniza, mas não morre, de Gabriel Meyohas, disputa a categoria de Documentários. Na mostra não competitiva, os alunos da universidade comparecem com Souvenirs de verão, de Luíza Carneiro e Marina Erlanger; Bárbara em cena, de Ellen Ferreira e O sonho de Laura, de Sabrina Carauta e Jasmin Sánchez.

Do extenso repertório de longas internacionais, encontra-se o inovador Cor da pele: Mel (Coleur de La peau: Miel), de Jung e Laurent Boulier, assistido pela equipe do Portal PUC-Rio na sessão para a imprensa. Será exibido nos próximos sábado (29) e terça-feira (2) no Estação Sesc Rio e no Estação Vivo Gávea.

O filme autobiográfico é uma adaptação da história em quadrinhos que conta a história do renomado cartunista coreano Jung. A combinação de documentário e animação narra a trajetória do menino que, entre tantos órfãos da Guerra da Coreia, no início dos anos 1950, teve de viver noutro país. Encontardo, aos 5 anos, nas ruas de Seul, sabia apenas o nome e a idade aproximada. Levado para os Estados Unidos, acabou adotado por uma família belga que já tinha quatro filhos. Anos depois, Jung decide voltar à cidade natal e relembrar a (re)construção do seu mundo, as percalços de adaptação.

Para conduzir o espectador neste mergulho, o cartunista-diretor mistura imagens de arquivo, filmagens de Super 8 e desenho animado feito pelo próprio Jung. Um encantador exercício de oxigenação cinematográfica.

A história começa quando Jung retorna para Seul já adulto e recorda as dificuldades para se adaptar, os problemas com a sua identidade e a eterna sensação de se sentir estrangeiro no próprio país de origem e um intruso dentro na nova família. Tais aflições o levaram a buscar sua mãe biológica.

A dúvida e a insegurança que o perseguiam na vida real e nos sonhos transportaram Jung para o universo dos desenhos. Neles embalava a perspectiva de ligação com o passado e sua verdadeira origem. Esta unidade se dilui, contudo, na alternância de imagens do filme, mas se mantém viva na linguagem e no tema central da produção. 

Adaptada para a tela grande, a biografia de Jung surpreende e tende a sensibilizar os espectadores. Tanto pela trama propriamente dita quanto pela inovação dos recursos utilizados para contá-la. Aguçam o tom intimista e delicado sobre angústias que, apesar do contexto específico, espreitam, na essência, nossas vidas.