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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Jovens talentos da PUC-Rio se destacam ainda na universidade

Júlia Zaremba - Do Portal

18/12/2012

 Arte: Eduardo Ribeiro

Imagine construir, aos 14 anos, um carro que chega a 50 quilômetros por hora; competir com mais de 600 universitários do mundo inteiro em um torneio de Matemática e levar a medalha de prata; ou ganhar R$ 8 mil em um concurso com um despretensioso projeto de iniciação científica. Os estudantes Rodrigo Nogueira, Matheus Secco, Pâmela Fernandes e Daniel Melo são alguns dos representantes dessa categoria de jovens talentos da PUC-Rio, que se destacam no cenário nacional e internacional. Com um currículo de dar inveja, incluindo concursos e prêmios, muitos levam uma vida “normal”.

Rodrigo, prodígio da engenharia desde criançaAmanda Reis

Para Rodrigo, que está no 9º período de engenharia mecânica, a paixão por criar inventos começou cedo. Com apenas 6 anos, o pequeno engenheiro construiu uma barragem para chuva em sua casa, no Itanhangá. Nas feiras de ciências do Colégio PH, ele construiu um carro, réplica de um modelo dos anos 20; um gerador de eletricidade; um elevador; e um trem elétrico de 30 quilos. Rodrigo entrou para a PUC-Rio em 2009, e logo na primeira semana de aula ingressou na RioBotz, equipe da universidade especializada no desenvolvimento de robôs para competições, com mais de 40 conquistas nacionais e internacionais desde 2003.

– A RioBotz representou uma parte muito forte da minha formação. A maioria dos alunos se forma com muita teoria e pouca prática, então essa experiência que tive em laboratório foi um diferencial. Acho maravilhoso, divertidíssimo, ver algo meu ganhando uma competição. É uma sensação indescritível.

O professor Marco Antonio Meggiolaro, coordenador da equipe, considera o antigo capitão do grupo um dos alunos mais interessados e criativos que já teve.

– Ele tem uma vontade de desenvolver, dá valor tanto para a teoria quanto para a prática do laboratório, seja tarefa complexa ou mais simples. Ele gostava tanto dos robôs e da competição, que acabava estimulando as outras pessoas.

Ex-integrante da RioBotz, a estudante Débora Oliveira contou que a relação de Rodrigo com a equipe era muito boa.

– Ele é uma pessoa fácil de lidar, estava sempre disposto a ajudar no que precisasse.

Entre seus hobbies, o de construir máquinas inovadoras é o citado com mais empolgação. O famoso carro de bambu que ocupa os pilotis da PUC durante exposições é uma invenção sua. Fã de rock assumido, costuma tocar guitarra para aliviar o estresse. Sua paixão pela música o levou a construir um amplificador de som de 100 decibéis, que equivale a um home theater 5.1. Aos 22 anos, já dá aulas de robótica no Instituto de Tecnologia Organização, Reconstrução e Trabalho (ORT), instituição educacional que se dedica ao ensino e treinamento tecnológico. Ele diz que os alunos são muito interessados.

Matheus, o veterano de competições de matemática

Arquivo pessoal Matheus, de 19 anos, está no 4º período de Matemática e compete em torneios desde os 14. Entre os prêmios, medalhas de prata em 2009 e 2010 na Olimpíada Internacional de Matemática (IMO, na sigla em inglês) e ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), em 2009.

Após se formar no Colégio Militar, Matheus entrou para o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), onde só ficou por duas semanas, até que decidiu vir para a PUC.

– Achava que fazendo matemática eu teria mais coisas para aprender, seria mais desafiador, me faria pensar mais.

Seu coeficiente de rendimento (CR) 9,0 reflete a paixão pela disciplina. Como boa parte dos jovens universitários, passa a maior parte do seu tempo livre na internet, só que não apenas nas redes sociais, mas buscando artigos e lendo livros sobre matemática. Mesmo suas conversas com amigos têm como assunto principal a ciência dos números. Até a namorada ele conheceu numa Olimpíada de Matemática, há três anos, apresentada por uma amiga em comum.

– Ele é muito sociável, gentil e determinado – garante Luiza Reis, que está estudando para o vestibular e conta com a ajuda do namorado para se preparar para as provas.

As saídas com os amigos são combinadas via internet, através de um grupo no Facebook. Ao contrário de noitadas em boates e bares, costuma fazer coisas mais leves:

– São as meninas que geralmente combinam a programação. Na semana passada, por exemplo, saímos para comer crepe – conta ele, que também arruma tempo para praticar tênis, uma vez por semana.

Mas não é somente a matemática que o interessa. Os 1.845 amigos no Facebook, a maioria alunos do curso em que dá aula, comprovam sua sociabilidade e o interesse em fazer novas amizades. 

– O curso de matemática não tem muitos alunos, entram em média cinco alunos por semestre, e eu não faço as disciplinas abertas para os outros departamentos. Sinto falta de frequentar mais as festas da faculdade e de conhecer pessoas de outros cursos.

O jovem matemático viaja no fim de setembro para a Bolívia, para a competição ibero-americana de matemática, desta vez como professor responsável pela equipe brasileira. Ele diz que não quer continuar competindo em torneios, pois acredita que já “cumpriu o seu papel”.

Pâmela, a carioca que desbancou estudantes de outros estados

 Arquivo pessoal Pâmela Fernandes já tentou vestibular para medicina e fez concurso para entrar no Corpo de Bombeiros, mas foi na engenharia química que encontrou sua verdadeira vocação. Concorrendo com mais de 120 projetos vindos de mais de 40 universidades brasileiras, a estudante de 21 anos conquistou o primeiro lugar no concurso Salvador Arena – Desafio Universitário, na categoria de engenharia.

Pâmela chega à PUC-Rio às 13h e sai às 21h, e ainda estuda quando chega em casa. Mas garante que costuma sair muito. Vai à praia com frequência e adora pegar o carro e sair dirigindo pela cidade.

Com o prêmio de R$ 8 mil, viajou para Gramado com o namorado e guardou o que sobrou:

– Além da possibilidade de ganhar o prêmio, o fato de fazer alguma coisa e ser reconhecido incentiva a continuar. Saber que meu estudo terá uma finalidade concreta e será usado pelas empresas também me motiva.

Daniel, de aluno ‘relapso’ a engenheiro de petróleo reconhecido

 Amanda Reis  Formado no ano passado em engenharia de petróleo e mestrando em engenharia mecânica na PUC, ficou em segundo lugar na Student Paper Contest (SPC), concurso promovido pela maior comunidade de engenharia de petróleo do mundo, a Society of Petroleum Engineers (SPE). Porém, o engenheiro de 23 anos nem sempre foi um aluno dedicado.

– Eu era muito relaxado no colégio, só na faculdade é que eu deslanchei. Acho que uma das causas para a mudança foi o fato de não ter que lidar mais com matérias da área de humanas, como português e história.

Mesmo passando 12 horas do dia na universidade, ele afirma conciliar bem a vida pessoal com os estudos. Até porque sua namorada é também aluna de um programa de mestrado, e entende bem a situação. Um de seus hobbies é correr. No início do ano, concluiu uma meia maratona percorrendo 21 quilômetros.

Como profissional, Daniel tem como aspiração melhorar a engenharia do petróleo, tornando as técnicas mais rápidas e baratas:

– Saber que ainda tem muito a ser feito me motiva. Pretendo trabalhar com a área de pesquisa, que tem como foco as novas tecnologias de exploração e produção de petróleo.