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Rio de Janeiro, 1 de outubro de 2022


Cidade

Candidatos à Prefeitura debatem com alunos da PUC-Rio

Tiago Coelho e Rodrigo Serpellone * - Do Portal

06/09/2012

 Carlos Serra

O metro quadrado dos Pilotis da Ala Kennedy na PUC-Rio foi disputado por cerca de 200 estudantes que se apertaram na tarde desta quinta-feira, 6, para assistir ao debate entre candidatos à Prefeitura do Rio promovido pelo DCE. Com a ausência do prefeito Eduardo Paes (PMDB) e do deputado Rodrigo Maia (DEM), os candidatos Aspásia Camargo (PV), Marcelo Freixo (PSOL) e Otavio Leite (PSDB) discutiram temas como investimentos públicos, educação e transporte, além de trocarem acusações, principalmente Freixo e Otavio, reproduzindo o tom do debate apresentado pela Rede TV na véspera. Segundo a última pesquisa Ibope, divulgada ontem, Paes tem 52% das intenções de voto; Freixo tem 14%; Rodrigo Maia tem 3%; Aspásia Camargo e Otavio Leite pontuam 2% cada um.

O clima acalorado do debate contou com manifestações entusiasmadas da plateia a cada declaração dos candidatos, com palmas, gritos e vaias.

Investimento público

Matheus Vasconcellos A discussão sobre investimentos públicos na cidade gerou controvérsia entre Freixo e Otavio, e o tom subiu quando o assunto foi investimento público e privado. Otavio defendeu que obras como a do Maracanã deveriam ser transferidas para a iniciativa privada, terceirizando os vultosos investimentos no estádio. Freixo rebateu, chamando a proposta de “privatizante” e dizendo que o Maracanã é um patrimônio imaterial que não deve ser repassado à iniciativa privada e que o alto custo da obra é decorrência da má administração da prefeitura.

O autódromo de Jacarepaguá também levantou o ânimo dos dois. Otávio Leite acusou Freixo de defender a destruição do autódromo e a construção de outro. O candidato do PSOL rejeitou a acusação e um bate-boca entre os dois se deflagrou.

– Você está com problema de memória ou audição. Já estive no autódromo fazendo campanha pela sua permanência – cutucou Freixo.

– Pare de gracinha e responda à pergunta – reagiu Otavio.

Educação

Sobre a rede municipal de educação, uma das principais críticas feitas por todos os concorrentes foi o salário dos professores.Carlos Serra

Marcelo Freixo disse que a educação oferecida pelo município não funciona como “um instrumento para mudar a vida do carioca” e afirmou serem primordiasi o aumento do salário dos professores e o fim da terceirização de cargos:

– É preciso aumentar o salário dos professores. Também sou contra a terceirização de porteiros, merendeiras e faxineiros da rede pública. Pretendo, também, mudar a imposição que existe sobre os projetos pedagógicos nas escolas. Cada instituição deve ter autonomia para desenvolver seu próprio programa.

 Carlos SerraPara Otavio Leite, a saída para a educação no município é a ampliação do quadro de profissionais, com dois professores em cada sala de aula, além da universalização das creches e escolas de alfabetização.

– É preciso universalizar o ensino básico no município. Pretendo investir R$ 4,5 bilhões na educação do município.

Aspásia ressaltou a necessidade de investir nas escolas que oferecem supletivos:

– Não há vagas para quem gostaria de fazer supletivo.Carlos Serra

Transporte

Apesar de o transporte público ser uma obrigação do estado, os planos de Eduardo Paes para os transportes foram duramente criticados por Aspásia e Freixo, já que, segundo a candidata do PV, é dever do prefeito cobrar novos planos do governo federal e estadual. Os principais alvos de críticas foram o BRS e o Bilhete Único. Aspásia propôs soluções de transportes de massa e, ao mesmo tempo, menos poluentes para a cidade:

– A cidade deve ter transporte sobre trilhos, para evitar o uso de carros e ônibus. Mesmo no metrô, não foram construídas redes como nos países desenvolvidos, mas sim uma “bela linguiça”. Agora, tudo converge para a linha 1. Isso não vai funcionar, vai congestionar tudo.

Marcelo Freixo criticou, por sua vez, o Bilhete Único e o BRS, colocados como soluções pelo governo de Paes, além de acusar a Fetranspor de tratar mal seus funcionários:

– O Bilhete Único só vale por duas horas e empurra o usuário para o ônibus, o que não é bom. Em outros países que adotam o BRS há mais tempo, o preço da passagem diminuiu. Aqui, pelo contrário, aumentou acima da inflação. A Fetranspor deve mudar as relações de submissão com os funcionários, já que os trata muito mal.

* Colaborou Renan Rodrigues.