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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Quando José Saramago vira apenas José

João Pedroso de Campos - Do Portal

27/08/2012

 Divulgação Um retrato da relação entre um desconhecido José Saramago e sua mulher, a jornalista espanhola Pilar del Río. Nada de crítica literária ou da obra do escritor. Assim pode-se qualificar o documentário José & Pilar (JumpCut, 2010), que será exibido amanhã, às 11h, na sala k-102. Seu idealizador, o cineasta português Miguel Gonçalves Mendes, está no Brasil para o lançamento do livro José e Pilar: conversas inéditas (Quetzal, 2011), cujas páginas reúnem entrevistas com Saramago e Pilar não reproduzidas no documentário. Após a apresentação, haverá debate com Gonçalves Mendes e os professores da PUC-Rio Sérgio Mota, Arthur Dapieve e Angeluccia Habert.

O cineasta acompanhou o dia a dia do casal entre 2006 e 2009. Foi um período conturbado para o Prêmio Nobel de Literatura de 1998: Saramago adoeceu, escreveu, falou. Enquanto lutava contra a leucemia, ele viajava por todo o mundo fazendo palestras a jornalistas e leitores sobre o romance A Viagem do Elefante (Editorial Caminho, 2008), que, produzido nesses quatro anos, toranria-se uma de suas últimas obras publicadas em vida. José Saramago morreu em 2010, aos 87 anos.

O jornalista Arthur Dapieve considera o filme uma ótima oportunidade de se conhecer uma face escondida do escritor e romancista português. Quando Samarago vira apenas José.

– O acesso que o Miguel teve ao casal permitiu que ele flagrasse momentos e situações não tão associados ao Saramago. Foi mostrado um senso de humor incomum, desconhecido pelo seu público. O mau humor que tanto associam ao escritor é, na verdade, uma forma sutil de humor. O filme mostra, também sutilmente, os amores de Saramago, não só por Pilar, mas também por toda a família dele – observa Dapieve.

Sérgio Mota, professor de Cinema Brasileiro e Comunicação e Literatura da PUC-Rio, acrescenta que a forma com que o documentários expõe traços da rotina de Saramago lhe confere um "caráter único":

– Esse filme parece cinema direto, porque a câmera acompanha Saramago e sua mulher, praticamente sem interferência. Não parece um documentário tradicional, assemelhando-se a um documento ficcional, porque ficaram de fora depoimentos do escritor para a câmera diretamente. A câmera acompanha a vida e a rotina de Saramago. Estou com muita expectativa para o debate, porque o Miguel é um excelente cineasta e conseguiu captar na essência o escritor português – justifica. 

Dapieve também aponta uma linguagem especial no filme, "muito atrativa", principalmente aos estudantes de Comunicação: o cinema mostrando como se produz, pelas mãos de um gênio, outra arte, a literatura.

– Acho muito útil aos estudantes  um filme como esse – convida – sobre outras formas de arte, como pintura e literatura. É uma forma diferente de mostrar outras áreas das artes.