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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

O homem também tem dia internacional, e é no domingo

Samara Moser - Da sala de aula

13/07/2012

 Arte: Maria Christina Corrêa

O Dia do Homem foi criado para promover a igualdade entre os gêneros, desenvolver modelos masculinos positivos, valorizar as conquistas dos homens e seus direitos, e principalmente estimular o cuidado com a saúde. Criada pelo médico Jerome Teelucksingh, de Trinidad e Tobago, a comemoração foi aprovada pela ONU, celebrada pela primeira vez há 12 anos, em 19 de novembro de 1999. O Brasil é um caso específico, porque, como 19 de novembro é o Dia da Bandeira, em nosso país, a celebração ocorre em 15 de julho.

No site oficial do Dia do Homem (http://www.international-mens-day.com/ Brazil.php), a diretora da Secretaria de Mulheres e Cultura de Paz da UNESCO, Ingeborg Breines, definiu a data como "uma excelente ideia para equilibrar os gêneros". A iniciativa pretende estimular a igualdade entre homens e mulheres.

Para a psicóloga especialista em gênero Marion Arent, que desconhecia a comemoração do Dia do Homem, a “data é pouco difundida, dada a prevalência do Dia Internacional da Mulher, que associa a celebração à defesa dos direitos das mulheres e à sua proteção enquanto sujeitos vulneráveis”. No caso dos homens, não ocorre associação semelhante. Ao mesmo tempo, Marion concorda com o Dia do Homem: “Eles sofrem discriminação. Diversas cobranças sociais incidem sobre o gênero masculino, tais como o sucesso financeiro e profissional”. É o caso do engenheiro mecânico de 55 anos Celso Cardoso Ramos. “Sofro pressão da sociedade, da família e de mim mesmo para conseguir ascensão social, dinheiro”, desabafa.

O homem é pressionado principalmente com relação ao seu desenvolvimento profissional. A data reconhece a existência dessa pressão, bem como estigmas e preconceitos, e tenta remediar a situação ao promover modelos positivos. Para o ginecologista João Carlos Lourenço, 61, um bom exemplo para a sociedade e para a família é o de um “homem honesto, preocupado em ter atitudes que o façam ser respeitado, que respeita a família, os filhos, e se faz respeitar no trabalho”.

João Carlos também não conhecia a comemoração e ficou satisfeito com a data, embora discorde de que o homem seja discriminado. A estudante de Direito Priscila Rodrigues, de 22 anos, que sofreu preconceito na infância por jogar futebol com meninos, aprova a data: “Não somos melhores que eles, todos somos importantes. Ouvi pela TV algo sobre esse dia, que tinha algo a ver com saúde, porque os homens não costumam fazer check-ups. Acho importante. Todos devem se cuidar, inclusive os homens”.

De acordo com o IBGE, os homens têm menor expectativa de vida do que as mulheres e adoecem mais. Em 2010, data mais recente da Tábua Completa de Mortalidade, disponível em http://www.ibge.gov.br/home/, a expectativa de vida para os homens era de 69,73 anos e, para as mulheres, 77,82 anos, uma diferença de 7,59 anos. Um dos motivos para essa diferença alarmante é a menor ação preventiva. Os homens deixam de realizar exames anuais, que podem detectar doenças graves e salvar vidas. “Hospital, só em último caso, não tenho tempo para isso”, admite Celso.

Não são apenas os brasileiros que evitam os médicos. O movimento pró-saúde Movember, uma mistura de november (novembro, o mês da criação do Dia do Homem) com moustache (bigode, em inglês), busca remediar a situação. No Movember, homens deixam de fazer a barba com o intuito de “mudar a cara da saúde masculina”. É uma forma de conscientizar a respeito dos exames preventivos. Esse movimento se associa principalmente à prevenção do câncer e não é realizado no Brasil. No site http://www.movember.com/ há um mapa com todos os países participantes, e é por meio dele que os membros colaboraram com doações.

As nações que reconhecem o Dia Internacional do Homem são Trinidad e Tobago, Jamaica, Austrália, Índia, Itália, Argentina, Chile, Estados Unidos, Suécia, Peru, Nova Zelândia, Brasil, Moldávia, Haiti, St. Ketts e Nevis,Portugal, Singapura, Malta, África do Sul, Gana, Botsuana, Angola, Zimbábue, Croácia, Uganda, Hungria, Finlândia, Irlanda, Canadá, China, Noruega, Vietnã, Paquistão, Dinamarca, Guiana, Holanda, Bélgica, Geórgia, México, Alemanha, Áustria, Espanha, França e Reino Unido.