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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Mundo

Professor americano explica “fenômeno Obama”

Gabriela Ferreira - Do Portal

12/05/2008

 Thiago Castanho

O professor de Sociologia e Estudos Afro-Americanos da Indiana University Bloomington, John Stanfield, esteve na PUC-Rio para discutir os fatores que têm transformado o candidato à presidência dos EUA Barack Obama em um fenômeno. Ele falou, também, sobre um dos principais problemas que assolam o país, o racismo, e mostrou que há caminhos para tornar a nação americana mais humana. Segundo Stanfield, o processo eleitoral americano de 2008 é um dos mais diferentes da história, já que Obama é o primeiro negro e divorciado a candidatar-se à presidência e ser levado a sério.

– Obama fala para um povo que sonha com mudanças, que incentiva a fé em uma potência em crise. Seu discurso de transformações tem feito com que não só os jovens e negros, mas todos os membros da elite americana, para a surpresa da mídia, votem nele, acreditando que vá cumprir seus objetivos – disse.

Stanfield descreve a situação do eleitorado americano como “desumano e frustrado”, que sofre com problemas de racismo, dos altos preços de planos de saúde, crise na educação, e aumento de doenças entre os jovens, assassinatos e suicídios. Nesse contexto, a figura do candidato tem despertado um sentimento de esperança na população.

– Como advogado e senador, Obama trabalhou para os marginalizados e oprimidos quando poderia ter dado as costas a eles. Os EUA precisam de umaa solução. A maioria dos meus alunos é branca e admite que não conhece a história das pessoas de cor. Obama é o líder por quem os frustrados esperavam. Ele oferece o conceito de cura civil – explicou o professor.

Apesar de o senador Obama se posicionar como candidato americano e não como candidato negro, seu apelo é baseado na visão de mudanças. Stanfield afirma que sua aprovação se dá, também, pelo candidato não se contradizer, de fazer com que seus valores públicos sejam iguais aos da vida particular. Além disso, ousa falar de raça, um assunto difícil para os EUA. Stanfield analisa que o individualismo está atrapalhando o fim do racismo americano. Segundo ele, até as comunidades na Internet, por exemplo, são exclusivas.

– Há nichos na Internet. Podemos observar muitos desses. Há comunidades especiais. Agora blogs e sites como o Myspace incentivam a comunicação inter-racial. A conexão internacional da Internet deveria parar de separar as pessoas, e sim misturá-las aleatoriamente. Ninguém quer admitir que vive em uma sociedade racista – argumentou.

O professor disse, ainda, que há alguns caminhos para acabar com o preconceito racial no país.

– Uma solução seria reestruturar a linguagem, tirando “negros” e “brancos”, e usar só “brasileiro” ou “americano”. Assim, tirando o que é extremamente prejudicial, também pararíamos de colocar a culpa na raça. Acabaríamos com a frase: “Não arrumo emprego porque sou negro”. Temos que nos responsabilizar. Os americanos devem deixar de ser tão defensivos quando o assunto é racismo. Temos que aprender a passar pelos problemas dolorosos e acabar com isso. Enquanto não quisermos mudar os problemas vamos apenas dar voltas – concluiu Stanfield.