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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Deputado Marcelo Freixo debate com alunos da PUC-Rio

Caio Fiusa e Caio Lima - Do Portal

18/05/2012

 Ligia Lopes

Cerca de 200 alunos participaram na tarde desta sexta-feira, 18, de debate com o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ), o ex-secretário de Segurança Pública Marcelo Itagiba, o delegado da Polícia Civil Orlando Zaccone, e o presidente da Associação de Moradores do Morro da Babilônia/Chapéu Mangueira, Carlos Paulo, sobre a segurança pública do Rio de Janeiro.

Ao abrir o debate, o delegado Orlando Zaccone provocou a plateia ao afirmar:

– O Estado não serve para nos proteger. Esta ideia é mentirosa. O Estado não tem condições de proteger todos os cidadãos em todos os lugares.

Pré-candidato à Prefeitura do Rio, Freixo, 43 anos, concordou e ampliou a discussão, criticando a política de segurança da atual e das últimas administrações estaduais:

– Este debate não é sobre polícia, porque segurança pública é mais que isso; tem relação com o cumprimento da lei, com os direitos dos cidadãos, e não é determinada pelo CEP – afirmou Freixo, completando: – Um estado deve ter educação, saúde e segurança em funcionamento; então, nós não vivemos num estado, porque todos estes serviços públicos são precários. Uma solução para a saúde é ter um plano de saúde particular; para a educação, pagar a escola particular; mas, para a segurança, não há saída.

 Ligia Lopes Professor de história e militante de direitos humanos que atuou em presídios por 20 anos, dando aulas para presos, ele lembrou que nos últimos 14 anos, de 1995 a 2009, a população carcerária do estado cresceu 319%, número que não está, para ele, associado ao aumento da violência:

– Hoje o presídio serve não para socializar o criminoso, tanto que há 70% de reincidência. Serve para deter a pobreza. Dizem que estão combatendo o tráfico, mas estão combatendo a pobreza. As cadeias estão cheias de jovens pretos, pobres e moradores de favelas. Será que só jovens, pretos, pobres cometem crimes? Estou no Parlamento, e posso dizer que não são só eles – afirmou o deputado, que presidiu a CPI das Milícias, indiciando 225 envolvidos com essa máfia, da qual sofre ameaças frequentes (anda com três seguranças).

O delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba, secretário de Segurança Pública durante o governo Anthony Garotinho, ex-diretor de Inteligência da PF, ex-superintendente da Polícia Federal no Rio, ex-deputado federal (PSDB-RJ), criticou as unidades de Polícia Pacificadora:

– O planejamento das UPPs não é para a população, é só para Copa e Olimpíadas. Estão sendo feitas só em áreas que sofrem especulação imobiliária.

Sobre a repressão às drogas e à discriminalização da maconha, Freixo afirmou que este debate nem deveria ser relacionado à segurança pública e da ação policial.

– Vejo este assunto pela ótica da saúde pública. As pessoas não morrem de overdose, mas de tiro.

Itagiba ponderou que a questão das drogas é um debate nacional, tanto na esfera do poder público como no respeito às diferenças de opinião da população brasileira:

– Nem todo mundo pensa como nos Pilotis da PUC nem da Zona Sul carioca. A realidade aqui é diferente do Brasil como um todo.

O debate faz parte da série Precisamos Falar Sobre Isso, mesas-redondas organizadas pelo Diretório Central de Estudantes (DCE) Roda Viva, que desde o início da semana recebeu convidados para discutir temas como transporte, meio ambiente, sustentabilidade, política de cotas de acesso a universidades e direitos humanos, entre outros.

Na última segunda-feira, Freixo foi sabatinado por jornalistas no programa Roda Viva, da TV Cultura.