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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2024


Campus

Rodolfo Schneider abre Semana de Rádio e TV

Caio Fiusa e Caio Lima - Do Portal

25/04/2012

O jornalista Rodolfo Schneider, diretor de Jornalismo da Band no Rio, responsável pelo noticiário do canal aberto de TV e da rádio 24 horas, abriu a Semana de Rádio e TV do Departamento de Comunicação Social nesta terça-feira, 24 de abril. Em clima descontraído, ele contou experiências e falou das alegrias e dificuldades da profissão. E, emocionado, lembrou a perda do colega cinegrafista Gelson Domingues, em novembro de 2011, baleado e morto durante uma cobertura para a Band, numa operação da polícia na Favela de Antares, em Santa Cruz, na Zona Oeste.

– Foi o momento mais complicado da minha carreira. Eu tinha acabado de assumir como diretor. Nós ficamos acabados, as pessoas choravam na redação, mas ao mesmo tempo tínhamos que continuar, em respeito a ele – contou, fazendo um alerta aos que pretendem ingressar neste meio: – Nenhuma imagem vale o menor risco de captá-la.

Aos 29 anos, Schneider afirma que perder feriados e viver uma vida de imprevistos vale a pena, mas o esforço e a entrega têm que ser grandes.

– O amor pelo que se faz é importante para o desenvolvimento na profissão. Eu me apaixonei pela correria, pelo estresse. Não ter hora faz parte: você se programa, aí acontece algo e tudo muda. Quem é jornalista não sai da redação até a matéria estar pronta.

Atualmente na Rádio Band News, onde trabalha com Ricardo Boechat, ele destacou as diferenças do veículo em relação à TV:

– Na TV não há espaço para opinar, nem dar continuidade se a entrevista render, ou terminar antes se não render. No rádio a população pode falar mais, e a Band News tem um estilo mais solto.

Ao explicar sua preferência pelo rádio, disse acreditar que o veículo contribui para a formação do profissional.

– Quem trabalha no rádio, sem a imagem, precisa descrever o mais detalhadamente possível. Aprende a improvisar, a dar ênfase nas palavras. É um treino da linguagem. O que no rádio se faz em dois minutos, na TV leva 10 segundos. Para trabalhar no rádio temos que ser precisos: se o ouvinte não entender alguma coisa, a notícia se torna irrelevante.

Schneider falou ainda sobre a rádio Bradesco Esportes FM, novo canal da Band, 24 horas, voltado à programação esportiva, que entrará no ar no dia 10 de maio, conforme antecipou o Portal em reportagem sobre o crescimento do mercado de jornalismo esportivo. No Rio, a rádio abrirá dez vagas para estagiários. Os interessados podem mandar o currículo para o endereço esportefmrio@band.com.br.

Perguntado sobre se prefere dar uma notícia em primeira mão sem confirmá-la, sob o risco de estar errada; ou dar a notícia certa, mas depois dos concorrentes, respondeu: “Prefiro perder o furo. Meu compromisso é com a verdade”.

Em seguida, foi a vez do jornalista esportivo Fellipe Awi, que contou aos alunos ter escolhido a profissão devido a um sonho de garoto: ir a uma Copa do Mundo. Aos 36 anos, já cobriu três mundiais.

– Pensei que a maneira mais fácil de realizar meu sonho seria como jornalista. Mas, no meio do curso, comecei a abrir meu campo de visão e perceber que, além de tudo, o jornalista é um contador de histórias – afirmou o comentarista do canal por assinatura SporTV, destacando que hoje sua motivação profissional é a possibilidade de contar histórias dos mais variados assuntos.

Ex-repórter do Jornal do Brasil e do Globo, Awi ressaltou que nem sempre trabalhou com esportes, e que como estagiário não hesitava em se oferecer para trabalhar em outras editorias quando tinha alguma cobertura importante, como em eleições:

– Essas experiências me ajudaram muito dentro da própria cobertura esportiva, que não é só campo e bola. Percebi que, através do esporte, poderia tratar de vários assuntos. É um desperdício focar em apenas uma editoria.

Autor do livro Filho teu não foge à luta – Como os lutadores brasileiros transformaram o MMA em fenômeno mundial (Ed. Intrínseca, 320 páginas), Awi defendeu o MMA como esporte:

– Não há argumentos que indiquem não se tratar de uma modalidade esportiva. O MMA tem regras claras, os lutadores são muito profissionais, mais até do que muitos jogadores de futebol, e ainda atrai milhões de pessoas.

Em relação ao mercado de trabalho para o jornalismo esportivo, Awi destacou duas notícias, uma má e outra boa:

– A notícia ruim é que a abertura para outros esportes, além do futebol, é muito pequena, pois o nosso torcedor gosta de acompanhar as modalidades em que há brasileiros se destacando. A boa é que, se determinado profissional se especializar em algumas dessas modalidades com menos audiência, está feito na profissão, pois faltam bons conhecedores.

Ao comentar a mudança de linguagem no telejornalismo esportivo, em reportagens mais descontraídas, Awi afirmou que uma linguagem diferente é legítima, mas fez uma ressalva:

– É preciso tomar cuidado com os exageros nessas gracinhas, pois corre-se o risco de perder a credibilidade jornalística.