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Rio de Janeiro, 21 de julho de 2017


Meio Ambiente

Prática verde deve unir razão, ética e sensibilidade, diz reitor

Patrícia Côrtes - Do Portal

16/04/2012

Patrícia Côrtes

"Há uma tensão em volta da Rio+20 e do tema sustentabilidade como um todo. Isso acontece porque política e ciência têm visões diferentes. A política vê as coisas de forma virtual, ou seja, só vê o ideal, o perfeito. A ciência enxerga por meio de dados concretos. Essas visões muitas vezes não batem. É frustrante ver que informações científicas não são incorporadas pela política. Por isso, não revertemos o quadro. É uma angústia grande para mim, já que dediquei 35 anos da minha vida à ciência". O desabafo do padre Josafá Carlos de Siqueira, reitor da PUC-Rio, feito na manhã de sábado, 14, durante a aula magna “Sustentabilidade na Universidade” alertou os 50 integrantes da Escola Médica de Pós Graduação da PUC que lotavam a sala 102-K para a complexidade do tema.

Embora “angustiado”, padre Josafá acredita que, apesar das dificuldades, podemos nos tornar sustentáveis. A solução ultrapassa a simples implementação de práticas verdes. Deve começar, segundo ele, por um "equilíbrio de racionalidades": unir razão e sensibilidade. Assim, a universidade revela-se fundamental. Primeiro, deve “formar pessoas excelentes no campo que escolheram, mas, com a mente aberta para articular saberes”. Depois, a sustentabilidade deve seguir o caminho da ética. Para isso, é importante aprender a ser solidário, a desenvolver uma preocupação com o todo.

 Patrícia Côrtes – A instituição universitária é plural. Incentiva a potencialidade de cada um e ensina a praticar o respeito pelo diferente, a ter preocupação com o grupo. A solidariedade é o instrumento para que o individualismo não se torne exacerbado e prejudicial – explicou o reitor – Sei que é difícil, estamos na contramão do mundo – ponderou.

Ainda de acordo com padre Josafá, "mentes preparadas" favorecem a aplicação de pequenas práticas verdes no dia a dia. À media que se desenvolve a cultura da sustentabiliadde, tais ações tendem a ser articuladas em escalas maiores, até fazer a diferença em todo o planeta. Pelo menos, é que espera:

– O discurso [do padre Josafá] me deixou emocionado, mas precisamos transformá-los em prática. A começar, na própria universidade, no bairro, na cidade – ressalva o dermatologista David Azulay, coordenador da Escola Médica.