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Rio de Janeiro, 15 de junho de 2024


Cidade

Prefeitura do Rio prepara derrubada da Perimetral

Giuline Bastos* - Da sala de aula

04/05/2012

 Reprodução

Com a chegada da Copa do Mundo de 2014, e das Olimpíadas, em 2016, os olhares se voltam para a cidade do Rio de Janeiro. A população que movimenta as ruas da cidade agora divide o espaço com vários pontos de obras. A paisagem natural se encontra com cimento, terra, e correria para que tudo termine no prazo. Mudanças no trânsito confundem até mesmo os cariocas natos, e antigos conhecidos como o Elevado da Perimetral, que liga a Zona Norte ao Centro, têm seus dias contados.

A construção do primeiro dos três túneis previstos, que vão permitir a derrubada da Perimetral, começou em setembro de 2011. Foi no dia 25 de novembro que o prefeito Eduardo Paes anunciou a derrubada total do viaduto, do aeroporto Santos Dumont ate o Caju, até o primeiro semestre de 2016.

O projeto anterior era demolir somente do trecho da rodoviária Novo Rio ao Mosteiro de São Bento. Mas desde o fim do ano passado o prefeito Eduardo Paes anunciou a decisão de demolir tudo, classificando o viaduto como um “equivoco arquitetônico”.

O Elevado da Perimetral tem sete quilômetros de extensão, ligando os bairros do Caju à região da Praça 15, no Centro do Rio. Foi nos anos 50 que o viaduto entrou para o cenário da cidade – e para muitos prejudicou o visual da zona portuária. A construção foi feita em etapas, com objetivo de desafogar o trânsito da chegada ao Rio pela Avenida Brasil. Com a Perimetral seria possível a ligação entre as zonas Sul e Norte sem passar pelo Centro. O viaduto permite o acesso a pontos importantes da cidade, como a Ponte Rio-Niterói, a Avenida Brasil e o aeroporto Santos Dumont.

A demolição do trecho inicialmente previsto é financiada por uma Parceria Público Privada (PPP), e o trecho da Praça Quinze, que não está na PPP, será financiado pelo município.

Para o economista e professor da Universidade de Campinas (Unicamp) Fernando Nogueira, os custos com as obras são necessários. Segundo Nogueira, a economia do Estado do Rio de Janeiro se beneficiará com o efeito multiplicador de renda e empregos.

A operação financeira prevê que o fundo, que usa recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), revenda o direito de construção a investidores interessados e, em contrapartida, repasse ao município do Rio o total de R$ 8 bilhões, ao longo de 15 anos. Esse dinheiro vai financiar as obras da segunda fase do projeto Porto Maravilha, em cinco anos, e a manutenção de ruas e arredores da zona portuária— explica o economista.

Mudanças que afetam os motoristas

 Giuline Bastos

Os motoristas acostumados com o viaduto da Perimetral devem ficar atentos às mudanças que o trânsito da região vai sofrer. Com a derrubada total do viaduto, três túneis vão ser responsáveis por absorver o trânsito dos veículos. O primeiro túnel, obra que teve início em setembro de 2011, chamado de Binário, ligará a Rua Primeiro de Março à Via Trilhos passando pelo morro de São Bento e retornando à superfície na Avenida Barão de Tefé.

A Avenida Rodrigues Alves, encontro dos fluxos da Avenida Brasil e Ponte Rio Niterói, deixará de oferecer saídas em sequência, tornando-se uma via expressa. O Túnel da Via Expressa contará com duas galerias, cada uma com três pistas, começando na Avenida Presidente Vargas, próximo à Candelária, passando por baixo do Morro de São Bento e da Praça Mauá, e terminando perto do Armazém 5. O terceiro túnel, o Túnel da Saúde, terá 70 metros de extensão e irá cruzar o Morro da Saúde.

Tempo e custo do projeto

A previsão de duração do processo de derrubada do viaduto da Perimetral é de três anos, e o objetivo é entregar a zona portuária sem a via suspensa para os Jogos Olímpicos de 2016. O custo estimado para a demolição, apenas do primeiro trecho da via, é de R$ 1,2 bilhão, com a divisão por etapas feita para manter o funcionamento. Alicerces de acesso temporários serão construídos.

* Reportagem produzida para a disciplina Laboratório de Jornalismo Impresso, da professora Carla Rodrigues.