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Rio de Janeiro, 17 de junho de 2024


Cultura

Livro atualiza as múltiplas faces da informação

Tiago Coelho - Do Portal

23/03/2012

 Jefferson Barcellos

A discussão deflagrada entre o professor canadense Robert K. Logan e seus pares sobre o que significava “informação” em um sistema biótico mostrou ao cientista o quanto este conceito tornou-se tão pulverizado e desprovido de um entendimento claro em plena “era da informação” neste início de século. A percepção de que existem diversas maneiras de se definir informação, e que seu campo de atuação é igualmente plural, foi o ponto de partida para que Logan abordasse as amplas possibilidades da natureza da informação no livro Que é informação? A propagação da organização na biosfera, na simbolosfera, na tecnosfera e na econosfera (R$ 48), traduzido por Adriana Braga e lançado no Brasil pela Editora PUC-Rio, em parceria com a Contraponto.

"Eu vejo um futuro onde a informação se difunde cada vez mais intensa", disse Logan, por telefone, ao Portal PUC-Rio. No Brasil para o lançamento do livro, o professor emérito de Física na Universidade de Toronto participará, entre dos 27 e 30, na PUC-Rio, do Projeto Comunicação e Informação – Understanding Marshall McLuhan, Digital Media and their Connections. (O curso, organizado por Adriana, professora do Departamento de Comunicação, está marcado para a sala 102-k, das 14h30 às 18h.)

Por lidarmos constantemente com a palavra "informação" – do latim “informatio”, cujo significado é “dar forma à mente", mais o sufixo “ação” –, construímos uma pseudo familiaridade. Parece fácil responder à pergunta que Logan faz logo no título. Logan propõe, no entanto, uma série de reflexões que funcionam como peças para construir um mosaico pedagógico. O livro foge da armadilha de impor-se como um guia de certezas. Não entrega "respostas" sem antes fazer o leitor percorrer caminhos que ampliem a visão sobre o assunto. A viagem é facilitada pelo texto claro e fluente, distante do palavreado hermético observado em algumas publicações do gênero. 

Da revolução proporcionada pelo alfabeto fonético e o sistema de numeração decimal nos primórdios da humanidade às transformações digitais que possibilitaram os e-books (como o Kindle e o Ipad), Robert K. Logan nos faz perceber o impacto que a informação tem na forma de o homem pensar. Expõe seu o caráter abrangente, que a torna ingrediente comum às diversas áreas do conhecimento, como as ciências exatas, biológicas, humanas.

Escoltado pelos principais estudiosos do tema – como Claude Shannon e Donald MacKay, cujas formulações são debatidas, contrapostas e contextualizadas –, Logan acredita que todas as definições sobre a informação tem espaço e eficácia que variam de acordo com a área de aplicação. Desde o conceito materialista matemático até a definição simbólica da linguagem, a informação ganha destaque também na concepção biológica (a capacidade informativa dos organismos contida no DNA, por exemplo). 

O teórico, que foi colaborador do filósofo Marshall McLuhan, evoca vários momentos históricos para analisar o papel da informação através dos tempos. Uma discussão renovada pelo advento das novas mídias. O autor afirma que a forma eletrônica dos livros não irá substuir o formato impresso. Para ele, há um certo exagero na avaliação dos "céticos da sobrevivência do livro impresso" que acreditam que a decadência da venda de discos musicais no formato físico substituído pelo formato digital, serve de exemplo para o que acontecerá com o livro impresso no mercado editorial. Robert K. Logan explica que há uma grande diferença entre a indústria da música e a indústria do livro, pois a música não necessita de um cuidadoso estudo para ser apreciada, enquanto o livro já requer uma leitura atenciosa e, por isso, o "formato de acesso" é importante.

Esta visão pessismista é rejeitada pelo professor, que afirma que esta opinião é devida à "falta de compreensão profunda" de como os livros e as telas eletrônicas trabalham no nível neurofisiológicos. Logan explica que o hemisfério esquerdo do cérebro trabalha na produção analítica e interpretativa, enquanto o direito opera o "processamento espacial". Enquanto o a leitura de um texto impresso envolve apenas o lado esquerdo, o texto exibido em uma tela trabalha com os dois hemisférios, tornando a leitura de um e-book mais complicada e desconfortável.

E antes que alguém possa considerá-lo um "tradicionalista" ou um "ludita", contrário aos avanços tecnológicos, ele revela que trabalha em um projeto que "atualiza" o livro impresso . O trabalhoem questão chama-se "SmartBook", um híbrido que consiste em um livro com a legibilidade de um texto impresso com a possibilidade de interação de uma smart tag, um código acoplado ao livro que permitirá o recurso de pesquisa via web e um sistema de recomendação como os e-books.

 – O livro continuará existindo, mas ligado a rede de informações da internet.

Após passar por universidades de Porto Alegre e São Paulo para falar de seu livro O que é informação?,  Robert K. Logan falou ao Portal PUC-Rio Digital sobre a diversidade e o futuro da informação e explicou seu novo projeto que "atualiza" o livro impresso:

Portal PUC-Rio Digital – Com tantas possibilidades de meios de difusão, definir o que é informação é um exercício complicado?

Robert K. Logan – A informação, por si só, não é complicada. Ela apenas possui muitas formas, que são difundidas em diversos setores e de maneiras diferentes, como a informação presente na simbologia, a informação contida no computador e a informação biológica presente no DNA.

Portal – Em um mundo com tantas possibilidades de informação, há a possibilidade de um colapso no fornecimento de dados, uma espécie de “bolha da informação”?

Logan – Não acho possível que isso venha acontecer.

Portal – O Senhor poderia explicar o conceito de seu novo projeto, o SmartBook?

Logan – O projeto do SmartBook é uma atualização do livro como conhecemos e consiste em utilizar um livro impresso e poder adquirir informações através de uma smart tag via Smartfone, ao mesmo tempo em que está lendo. O usuário terá a possibilidade de buscar outras informações na rede.

Portal – Como o senhor enxerga o futura da informação, quais as mudanças que a cerca?

Logan – Eu vejo a informação se difundido cada vez mais e de forma mais intensa e variada.