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Rio de Janeiro, 26 de junho de 2022


Cultura

Jornalista explica os desafios da TV Pública

Gustavo Coelho - Do Portal

25/04/2008

 Gustavo Coelho Lançado em dezembro do ano passado, o primeiro canal público de televisão do país ainda luta para conquistar seu espaço e superar preconceitos. Fruto da fusão de emissoras como a TVE do Rio e a Radiobrás, a TV Brasil representa um investimento de R$ 350 milhões mensais. Chega com a proposta de desenvolver uma programação independente e inovadora. É o que promete o diretor regional, Arnaldo César Jacob. A convite do jornalista Álvaro Caldas, professor do Departamento de Comunicação, Arnaldo César explicou, para alunos da PUC-Rio, o DNA da nova televisão pública.

- A TV Brasil é um canal público, e não estatal. Os telespectadores não são vistos como contribuintes ou consumidores, mas como cidadãos. Queremos ocupar algumas lacunas deixadas pelas emissoras comerciais, tratando de assuntos que elas não costumam explorar. O objetivo principal é quebrar o vínculo com governo e empresas, fazendo com que a TV Brasil seja controlada apenas pela sociedade civil organizada - enfatizou o jornalista na palestra realizada em abril.

A primeira transmissão da TV Brasil foi feita no dia 2 de dezembro do ano passado, para coincidir com a estréia da TV Digital no país. Segundo Arnaldo César, uma das metas é transmitir quatro grades de programação simultâneas, com conteúdos diferentes. O usuário escolheria o programa, beneficiando-se dos aplicativos da tecnologia digital. Embora a estratégia interativa seja um dos trunfos para atrair o público, o diretor regional ressalvou que a TV Brasil "não foi criada apenas para dar audiência":

- O nosso canal vai ter de dar audiência para justificar o investimento, mas não há uma preocupação obsessiva com isso. Sabemos que o público brasileiro é um dos mais exigentes do mundo. Para qualquer rede nova, portanto, conquistar espaço é um grande desafio. Estamos apostando na interatividade para atrair uma parcela do público habituada à instantaneidade da internet.

Para resguardar a independência, o canal conta com um conselho curador, responsável por supervisionar as atividades da emissora. O grupo se reúne a cada duas semanas e é formado por 15 personalidades de vários setores da sociedade, como o ex-ministro Delfim Neto, a carnavalesca Rosa Magalhães e o rapper MV Bill. Além deles, também fazem parte do conselho representantes do governo: ministros da Cultura, Educação, Ciências e Tecnologias e Comunicação Social.

A formação de um conselho curador segue a tendência da rede inglesa BBC, que conta com 120 conselheiros remunerados. No caso da TV Brasil, os integrantes foram selecionados pelo presidente Lula de uma lista com 60 sugestões. Como o principal é zelar pela independência da TV Brasil, pode parecer uma contradição o fato de os 15 conselheiros terem sido escolhidos pelo chefe do Executivo. Para Arnaldo César, porém, não havia outra opção:

- Foi a saída que encontramos. Havia uma proposta de formar o conselho com pessoas ligadas a sindicatos e associações, mas aí não seria a sociedade que ficaria representada, e sim as corporações. Outra opção que consideramos foi organizar uma votação em todo o país, mas os custos ficariam muito altos. Discutimos o assunto durante oito meses e chegamos à conclusão de que o mecanismo mais justo seria pedir para o presidente fazer as indicações.

Segundo ele, o conselho curador passará a se “auto-indicar”. Como forma de incrementar a transparência da TV Brasil, a direção do canal também estuda a contratação de um ombudsman, que ganharia um programa fixo na grade de programação da emissora.